Sobretudo na Europa, a Yahoo não tem uma grande tradição e também não tem uma grande expressão em alguns dos seus principais serviços. Basta lembrar por exemplo que em 2015 e na maioria dos países europeus o Google tinha uma quota de mercado superior a 90% ao nível dos motores de busca.

Por consequência, no campo da publicidade a Yahoo acabará por não ter um peso muito significativo. Mas isso é cá, no velho continente. De acordo com dados da ComScore de novembro do ano passado, a Yahoo é a terceira maior empresa de meios digitais nos EUA, atraindo em média 200 milhões de visitantes únicos por mês.

A verdade é que a Yahoo tem vários pontos de interesse e por isso mesmo é que parecem existir tantas empresas interessadas na gigante da Internet liderada por Marissa Mayer. Verizon, AT&T, Time Inc. e a própria Alphabet, empresa-mãe da Google, estão alegadamente a equacionar propostas, escreve a Bloomberg.

Mas porquê? O que tem a Yahoo no ano de 2016 que pode ser tão interessante para outras empresas? Uma pesquisa rápida sobre alguns factos ajudam a perceber os motivos que podem desencadear mais um negócio multimilionário no segmento das novas tecnologias.

Em primeiro lugar a Yahoo como empresa tem uma capitalização bolsista estimada em 34,25 mil milhões de dólares, o equivalente a 30,14 mil milhões de euros. Ou seja, deixando falar só os números das ações a tecnológica é uma empresa com muitíssimo valor.

Mais: no ano passado gerou receitas totais de 4,96 mil milhões de dólares, mais um indicador que mostra sinais de pujança na empresa de Sunnyvale. Longe dos 74 mil milhões da Google, por exemplo, mas não deixa de ser uma valor muito considerável.

Apesar de não ter uma presença muito forte em alguns mercados, os números colocam o motor de busca Yahoo como o quarto mais usado a nível global – quota de mercado de 8,15% em março de 2016, de acordo com valores da NetApplications.

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Este número pode parecer baixo, mas está poucos pontos percentuais abaixo dos 13% apresentados pelo Bing da Microsoft. E num mercado que é dominado pela Google com larga distância, todas as alternativas são valiosas do ponto de vista do mercado. Mais um ‘valor’ para a Yahoo neste campo.

Que mais? A Yahoo tem ainda alguns dos serviços mais interessantes da Internet atual. É certo que o Flickr não está ‘na berra’ como o Instagram ou o Snapchat, mas continua a ser um dos maiores repositórios de fotografias na Internet. E continua a contar com a presença de marcas e profissionais do segmento.

O Tumblr também faz parte do portfólio da Yahoo. Há dois anos era apontada como uma das grandes plataformas emergentes. Desde que foi integrado na gigante dos motores de busca é certo que parece ter saído um pouco de cena, mas de acordo com dados da Statista tem 555 milhões de utilizadores ativos. É a nona plataforma social mais popular na ‘grande rede’.

Ainda no segmento dos serviços mais focados no consumidor a Yahoo tem também algumas das mais interessantes e bem desenhadas aplicações móveis que existem para Android e iOS. Yahoo Weather, Yahoo News Digest e Yahoo Fantasy Sports amealham dezenas de milhões de downloads em todo o mundo.

Outro dos elementos mais valiosos da Yahoo é a fatia de 15% de participação que detém na Alibaba, o gigante chinês do comércio eletrónico que vale atualmente 189 mil milhões de dólares.

Mas quem comprar a Yahoo vai levar para casa algumas dores de cabeça. Manter a diretora executiva Marissa Mayer, que quando entrou na empresa foi vista como a mulher da reviravolta, mas que até hoje ainda não se consumou? Em caso de troca, quem escolher para assumir a difícil tarefa de fazer levantar um gigante?

Depois terá ainda de ser esclarecida a eterna questão: faz sentido partir a empresa em várias empresas e vender alguns negócios de forma independente?

Como viu ao longo do artigo a Yahoo tem ainda um pulso firme no mercado da Internet, mas também mostra sinais de fraqueza: em fevereiro deste ano anunciou o despedimento de 1.500 funcionários e uma perda de 4,4 mil milhões de dólares só no último trimestre de 2015.

O destino da empresa parece cada vez mais certo e passará pelas mãos das outras gigantes referidas no início do texto ou então por um consórcio de investidores. Resta saber quem será o último a dizer ‘Yahooooooo’.



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