Oculus Rift e HTC Vive são plataformas concorrentes e parte do seu apelo está nos conteúdos exclusivos que conseguem garantir. Agora o programador LibreVR conseguiu fazer com que dois jogos dos Oculus pudessem ser jogados nos Vive, situação que pode ter um grande impacto na indústria.

A realidade virtual ainda está a dar os primeiros passos, mas para ter uma ideia desta descoberta é como se fosse possível instalar aplicações iOS em smartphones Android, instalar programas do Windows no sistema operativo Mac OS e jogar títulos da PlayStation 4 na Xbox One ou na Wii U. Assim, sem grande dificuldade.

O utilizador da plataforma de programadores GitHub publicou um software que permite jogar dois jogos exclusivos dos Oculus Rift, propriedade do Facebook, nos HTC Vive, uma parceria entre a HTC e a Valve.

LibreVR, o nome fictício da pessoa que criou o software Revive, explica que o seu sistema é a prova de como existem traços comuns nas arquiteturas dos equipamentos de realidade virtual e no desenvolvimento dos jogos.

O processo de ‘conversão’ é ao que parece muito fácil de executar, tão fácil como instalar uma modificação num jogo para computador por exemplo. O relato feito pela Motherboard diz que os jogos Lucky’s Tale e Oculus Dreamdeck são os que neste momento já foram ‘convertidos’.

O único senão é que o patch precisa de ser injetado no jogo antes de o mesmo ser executado, para que não seja criada uma assinatura única nos registos de como é um jogo exclusivo do sistema Oculus Rift.



A Oculus VR ainda não comentou o caso. Mas em declarações anteriores o diretor executivo da empresa, Palmer Luckey, não se mostrou muito preocupado com a possibilidade de software exclusivo poder ser executado noutros equipamentos.

“Se os clientes nos comprarem um jogo, não tem importância se o modificam para executá-lo onde eles quiserem. Com já disse milhões de vezes, o nosso objetivo não é lucrar fechando as pessoas no nosso hardware – se assim fosse, qual a razão para estarmos a apoiar o GearVR e estarmos a conversar com outros fabricantes?”, escreveu há quatro meses no Reddit.

Mas também foi alertando: “O problema é que as pessoas esperam que suportemos de forma oficial todos os equipamentos numa perspetiva de plataforma através de um kit de desenvolvimento universal, o que não vai acontecer tão cedo”.

A HTC e a Valve também ainda não reagiram.

Apesar de estar a fazer agora as primeiras ‘mossas’, o projeto Revive quer ir mais longe no seu teste de conceito. O programador LibreVR já revelou planos para implementar suporte às tecnologias OpenGL e DirectX12, implementar suporte para os comandos dedicados Oculus Touch e também para ser compatível com os jogos da Oculus que usam componentes online.

Quem beneficia com esta descoberta?

Ao ser possível jogar jogos exclusivos de uma plataforma numa outra, parece à primeira vista que os consumidores saem beneficiados do trabalho do programador LibreVR. Ainda está por clarificar se as conversões são perfeitas ou se de alguma forma condicionam o jogo.

Quem pode realmente sair beneficiado aqui é a Sony Interactive Entertainment, o terceiro grande nome da realidade virtual topo de gama. Os PlayStation VR necessitam de uma PlayStation 4 para serem usados. Como a PS4 é uma plataforma totalmente diferente do computador – a base para os Oculus Rift e HTC Vive – deverá ser muito mais difícil desbloquear os exclusivos PlayStation para outros ecossistemas.

E se o futuro da realidade virtual for definido pela quantidade de conteúdos, pela sua qualidade e também exclusividade, ou alterações são feitas nos Oculus Rift e HTC Vive por forma a proteger as propriedades exclusivas, ou a SIE poderá ter neste aspeto uma vantagem teórica.