Lenovo Smart Assistant. Ford Focus Electric. Huawei Mate 9. LG Hub Robot. LG Smart Instaview. Ubtech Lynx. Mattel Aristotle. Emotech Olly. ADT Pulse. General Electric C. Vobot Clock. Sensory VoiceGenie. Dish Hopper DVR. Belkin WeMo. Samsung POWERbot VR7000.

Podíamos ter começado por dizer que a assistente digital Alexa, desenvolvida pela Amazon, vai integrar direta ou indiretamente uma coluna de som, um carro, um smartphone, um robô, um frigorífico, outro robô, uma câmara de vigilância, uma coluna-robô, um alarme, uma lâmpada, um relógio, uns auriculares, uma box de televisão, um adaptador elétrico e um aspirador.




Mas era importante referir o nome de todas as empresas e dos seus produtos para perceber não só a abrangência que a assistente da Amazon está a ganhar, assim como os parceiros de peso que está a conquistar.

O Consumer Electronic Show, que terminou ontem, foi a coroação da Alexa como uma das tecnologias que vão estar em clara evidência durante o ano de 2017. O que impressiona mais é que a Alexa é um fenómeno orgânico – a Amazon e o CEO Jeff Bezzos nunca organizaram uma conferência onde colocassem em evidência este produto.

Mas a ideia não é falar do sucesso que a Alexa teve durante o CES 2017 – sobre isso pode ler aqui, aqui e aqui. O que é interessante perceber é qual o próximo destino da Alexa. Não só em termos de produtos, mas acima de tudo dentro da própria Amazon.

Amazon AlexaA Alexa não funciona através de aplicações, mas através de Skills: pequenos programas criados pelos programadores que permitem executar determinadas tarefas

Em termos de produtos parece justo dizer que a Alexa não conhece barreiras. Como vimos logo no início do texto, só durante o CES a assistente digital foi integrada num vasto conjunto de equipamentos eletrónicos, desde o ubíquo smartphone, ao mais rebuscado frigorífico.

A questão é que a forma como a Alexa está pensada – a pessoa diz um comando básico, a assistente executa a tarefa – está a torná-la acima de tudo apetecível para o segmento da Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês).

Todos os produtos de eletrónica da casa estão a caminhar no sentido da ‘tecnologização’, isto é, o frigorífico já não vai ser só um frigorífico, terá ligação Wi-Fi, Bluetooth e até capacidade para executar determinadas tarefas sozinho.

Com o aparecimento da Alexa os fabricantes viram na assistente da Amazon uma forma mais simples das pessoas poderem comunicar com os equipamentos. ‘Alexa, acabou-se o leite, junta à lista de compras’ – esta será uma frase que dentro de alguns anos pode ser comum na vida de muitas pessoas em todo o mundo.

Estima-se que o mercado dos assistentes digitais possa valer 3,6 mil milhões de dólares em 2020, dados da Allied Market Research





Mas só daqui a alguns anos. No caso do frigorífico da LG, a tecnológica sul-coreana fez a integração com a Alexa no seu produto topo de gama. Mas a Alexa não é, de todo, sinónimo de produto premium ou luxuoso. E esta é outra vantagem a favor da ferramenta da Amazon.

Por exemplo, a Alexa está disponível numa pequena coluna de som chamada Amazon Echo Dot e que custa 50 euros. A Echo Dot foi pensada para ser um complemento principal à Echo, mas o preço baixo está a fazer com que a Echo Dot seja a primeira porta de entrada para este universo dos gadgets que falam connosco.

O facto de a Amazon ter apresentado a Alexa ao mundo num gadget da categoria de IoT, também acabou por ser uma jogada inteligente. Nesse campo ainda não havia um assistente digital que permitisse simplificar a interação dos utilizadores com os equipamentos.

Tivesse a Amazon optado por mostrar a Alexa primeiro num smartphone e provavelmente teria sido comparada à Siri e ao então Google Now – agora Google Assistant – como uma proposta inferior.

O facto de Alexa ser um intermediário entre o utilizador e os gadgets sem que para isso seja necessário recorrer diretamente ao smartphone, é mais um passo a caminho da simplicidade tecnológica.

Como fica a Alexa dentro da Amazon?

Agora que vamos começar a ver a Alexa numa grande variedade de gadgets e de diferentes marcas, como é que a Amazon tenciona explorar a Alexa nos seus produtos próprios? Como é que a Amazon vai continuar a vincar a sua identidade na assistente digital?

Até aqui a Alexa era acima de tudo sinónimo de Amazon Echo, ainda que já estivesse integrada noutros serviços, incluindo a aplicação Roger desenvolvida pelo português Ricardo Vice Santos.

Mas e quando as empresas fizerem coluna melhores do que a Amazon e com a assistente da Amazon? A Lenovo já começou a arranhar esta superfície com a Smart Assistant na sua versão Harman Kardon.

Amazon AlexaEm apenas sete meses a Alexa passou de 1.000 Skills disponíveis para 7.000

Confrontado com esta questão, o diretor da Amazon para a divisão Alexa e Echo, Mike George, disse de forma clara: “Sempre abordamos a questão da mesma forma, tentando ser o mais aberto possível”, salienta a Wired.

A flexibilidade do equipamento da Alexa torna-a praticamente num mini-sistema operativo que pode ser integrado virtualmente em vários produtos, incluindo na própria loja futurista que a Amazon desenvolveu.

Talvez a questão nem esteja no hardware em si, mas antes no próprio software. Mais do que uma assistente digital, para a Amazon a Alexa é uma porta de oportunidade para que os consumidores façam compras online. Nos EUA e no Reino Unido, onde a tecnológica tem maior presença, a Alexa está muito bem integrada nos restantes serviços da Amazon, incluindo as entregas de última hora.

Há mesmo quem apelide a Alexa de ‘trojan horse da Amazon’, isto é, um convidado dissimulado que tem uma missão bem definida por quem o criou.

Apesar de tudo, será interessante ver como é que a Amazon vai tentar elevar a Alexa por forma a criar novos produtos para o seu portfólio de gadgets – porque sim, a Amazon tem tentado bastante ter uma pegada sólida no segmento de hardware, mas apenas tem-no conseguido em equipamentos marginais como os eReaders, boxes para televisores e colunas de som.

Aquilo que a Alexa fez no CES – estava literalmente em todo o lado – é aquilo que a Amazon quer que ela faça agora em todo o mundo. Agora, querer é uma coisa, a concorrência permitir – incluindo a Samsung e a Google – é outra totalmente diferente.

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