A Amazon anunciou hoje a sua intenção de compra da Whole Foods Market, uma cadeia norte-americana de supermercados e uma das primeiras a apostar no conceito de comida orgânica. A gigante do retalho online vai pagar 13,7 mil milhões de dólares pela Whole Foods, um valor que serve para comprar a dívida da empresa e dá 42 dólares por ação aos seus acionistas.

O acordo está agora dependente da aprovação dos acionistas da Whole Foods Market e também dos reguladores. Não se prevendo qualquer cenário em contrário, as duas empresas deverão estar em sintonia ainda antes do final de 2017.

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A empresa de Jeff Bezos já fez saber que pretende manter a marca Whole Foods e que o atual diretor executivo da cadeia de supermercados, John MacKey, vai continuar a liderar a empresa.

Esta podia não ser uma compra óbvia, mas à primeira vista é um negócio que faz sentido por ambas as partes. Como reportou recentemente o The New York Times, a Whoe Foods Market está a passar um momento menos positivo, pelo que esta aquisição por parte da Amazon vai dar-lhe condições para enfrentar os seus problemas.

Já para a Amazon a compra da Whole Foods representa uma oportunidade em vários sentidos: a empresa aumenta a sua pegada no segmento da comida fresca, um que tem perseguido desde 2007; mas acima de tudo, reforça a sua estratégia omnicanal. A Amazon, o gigante do retalho online, está cada vez mais interessada no mundo offline.

Brick and mortar

Este é o conceito utilizado pelos norte-americanos para descrever as lojas físicas. E há bastantes notícias que têm surgido nos últimos meses sobre o forte interesse da Amazon justamente pela área do brick and mortar.

Tudo começou com a abertura de uma loja de livros. Vinte anos depois de ter iniciado a venda online de livros e de ter potenciado o mercado dos ebooks como nenhuma outra empresa, a tecnológica decidiu que precisava de uma presença física.

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A primeira loja abriu em novembro de 2015 em Seattle. Desde então já abriram mais sete lojas e outras cinco estão planeadas, de acordo com a informação da própria tecnológica. Estas lojas de livros utilizam a analítica digital da Amazon para preencher as prateleiras – juntamente com a curadoria dos seus trabalhadores.

Além disso, as lojas também têm disponíveis alguns gadgets da empresa, ainda que o sentido não seja criar um retalhista misto – estas lojas são acima de tudo lojas de livros. Ponto.

Mais recentemente a Amazon revelou o conceito Amazon Go, uma loja onde os utilizadores entram, fazem as suas compras e nem precisam de pegar na carteira para que o pagamento seja concretizado. Aliás, estas lojas estão programadas para ter um número muito baixo de funcionários.

Depois da apresentação da Amazon Go, o The Wall Street Journal revelou em reportagem que a tecnológica teria o objetivo de abrir lojas físicas em duas mil localizações – são muitas lojas físicas para quem sempre fez vida das vendas online.

Entretanto foram inauguradas duas lojas Amazon Fresh Pickup, que permite aos utilizadores comprar produtos frescos online e levantá-los em loja – e é neste conceito que pode estar uma grande dica do interesse da Amazon na Whole Foods Market.

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Com a aquisição da Whole Foods Market parece claro, de uma vez por todas, que a Amazon não pretende apenas contemplar o digital na sua estratégia. Também quer ter uma forte presença física, pois numa altura em que a concorrência começa a ficar mais forte ao nível do online – caso Alibaba por exemplo -, a presença física pode fazer diferença a médio prazo.

Aumentar a conveniência e a rede de distribuição

Ainda que a Amazon seja uma empresa ligada ao digital, já tem uma forte pegada de presença física. Basta pensar por exemplo nos múltiplos centros de distribuição que tem espalhados um pouco por todo o mundo.

Nesta primeira fase as intenções ‘offline’ da Amazon deverão ficar circunscritas aos EUA, onde a tecnológica tem uma grande presença. Estima-se que 60% das casas nos EUA sejam subscritoras do serviço Amazon Prime, que entre várias vantagens, disponibiliza entregas superrápidas.

É na rapidez das entregas que as lojas poderão ajudar à Amazon. Não é por ter uma presença física que os clientes vão deixar de comprar online – na prática a Amazon pode implementar uma política de ‘compre online, levante em loja’.

Com a aquisição da Whole Foods Market a Amazon ganha automaticamente 460 lojas nos EUA, Canadá e Reino Unido. Quer isto dizer que passa a ter mais 400 canais para a distribuição das vendas online. Será que estas lojas também poderão funcionar como aeroportos para drones de entrega? Muito provavelmente.

Além de ter mais pontos de distribuição para fazer chegar os produtos a casa dos consumidores de forma mais rápida, a Amazon pode até vir a poupar – fazer com que seja os consumidores a ir até à loja levantar as suas encomendas.

Esta chegada em peso da Amazon ao offline já está a ter impacto noutros retalhistas – as ações da Wall-Mart chegaram a desvalorizar 8%, as da Kroger baixaram 17% e as da Costco baixaram 6%, segundo a Bloomberg e o SeattleTimes. Quer maior sinal daquilo que este negócio pode representar?

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