Num dia está tudo bem e o negócio vai de vento em popa. No dia seguinte já os executivos estão com arrepios na espinha e a avaliar como se vão safar desta inesperada situação difícil. Que situação é essa? Muito provavelmente a Amazon fez um anúncio qualquer na área de negócio dessa empresa, o suficiente para instalar o pânico.

Este primeiro parágrafo é fictício e não diz respeito a nenhuma situação em concreto, mas provavelmente foi uma situação pela qual já passaram dezenas de empresas e respetivos executivos, sobretudo nos EUA. A Amazon está a tornar-se na preocupação número um de vários negócios e investidores. À medida que a tecnológica continua a aumentar a sua abrangência de produtos, aliado à sua já reconhecida força de mercado, a Amazon é de facto uma ameaça constante e que tem condições para tirar o sono a muitos empresários à noite.

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A situação ficou ainda mais clara depois de uma análise feita pela agência Reuters. Até ao dia 28 de julho já tinham sido realizadas 700 conferências de apresentação de resultados de empresas de diferentes sectores – o nome da Amazon foi referido com ‘urgência’ em 75 destas conferências, mais de 10% do total. E não são empresas quaisquer, são empresas que pertencem ao ranking S&P 1500.

A mesma análise revelou que o nome da Amazon foi referido duas vezes mais do que a Alphabet, a empresa-mãe da Google, e três vezes mais do que a Apple.

O que explica isto? Na prática há muitas empresas e sectores de negócio que têm medo que as mais recentes movimentações da Amazon venham a ter um impacto nos seus negócios. Além de já ser um dos maiores mercados online do mundo, onde vende virtualmente tudo o que um típico consumidor possa querer, o negócio de 14 mil milhões de dólares da Whole Foods fez despertar ainda mais o alerta – a qualquer momento a Amazon pode entrar num novo sector pois tem muito dinheiro para fazê-lo.

Segundo explica a Reuters, os investidores e analistas estão preocupados em saber em que áreas pode a Amazon investir a seguir. É como se tentassem adivinhar a localização da queda de um morteiro, para poderem estar o mais preparados possível para o forte impacto causado pela tecnológica.

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Por outro lado também há a destacar que houve questões relacionadas com a Amazon num sentido positivo, isto porque há empresas que aproveitam o forte poder de distribuição da empresa para aumentarem as vendas dos seus produtos. Estar ao lado da Amazon é bom, só não dá é para todos.

O que mais surpreende no relatório sobre a Amazon é o nome de algumas das empresas que tiveram de responder a questões mais melindrosas relacionadas com a gigante fundada por Jeff Bezos. Entre estas empresas estão outros gigantes como o McDonald’s ou a Johnson and Johnson, mas também foi mostrada preocupação sobre a influência que a Amazon podia ter junto de empresas de sistemas de ar condicionado, de equipamentos para piscinas e de sistemas de aquecimento de água.

“Isto apenas demonstra quão disruptivo é o mundo dos negócios e quão rápido se mexe”, respondeu o diretor executivo do McDonald’s, Stephen Easterbrook, de forma esquiva quando questionado se o negócio da Whole Foods teria impacto direto no desempenho da cadeia de fast-food.

“Apenas o nome [da Amazon] cria medo nem que seja apenas um rumor de que possa fazer algo no teu espaço. Estar em todos estes sectores diferentes e em todos estes espaços diferentes, não me recordo de algo semelhante”, comentou o analista Alan Lancz a propósito do crescente interesse na forma como a Amazon se movimenta no mercado.

Este efeito é de facto verdadeiro. Ao mínimo movimento que pareça colocar a Amazon noutras áreas de negócio, essas empresas sofrem logo. Quando a tecnológica anunciou a compra da Whole Foods, a cadeia de retalho Kroeger perdeu 9,2% em bolsa, a Walmart 4,7%, a Costco 7,2% e a Target 5,1%.

Mais tarde surgiram rumores de que a Amazon poderia apostar mais no retalho de eletrónica, o que fez as ações da Best Buy deslizarem 6% – só por causa de rumores. A mega-aquisição da Amazon também fez com que a entrada em bolsa da Blue Apron fosse um desastre, cortando para quase metade a valorização da startup.

Ou seja, a Amazon tem um poder tal que nem precisa de concretizar o que quer que seja para enfraquecer alguns dos seus adversários – basta fazer com que seja falada.

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“A economia nunca viu algo assim. Estamos de olhos postos na Amazon”, comentou o diretor executivo da empresa Watsco Inc., Albert Nahmad, uma empresa de distribuição de máquinas de ar condicionado.

A Amazon, que durante muito tempo foi vista ‘apenas’ como um gigante do comércio online, é agora uma empresa influente em diversos segmentos e tem presença direta ou indireta em muitos mais.

Através do Amazon Web Services é um dos maiores fornecedores de serviços cloud do mundo. O serviço de subscrição Amazon Prime já é subscrito por 70% das casas americanas. É detentora do Twitch, uma das maiores plataformas de entretenimento online. Quer torna-se numa potência nos videojogos. Tem serviços de música por streaming e um concorrente direto do Netflix. Tem uma das maiores lojas de aplicações para Android. Tem um dos gadgets mais bem sucedidos da atualidade, a Echo. Ainda tem um peso fortíssimo no segmento dos ebooks. Tem planos para revolucionar as lojas de retalho. Quer entregar encomendas com drones.

Há quem acredite que a Amazon está a transformar-se numa one-stop-shop para os consumidores, isto é, o único sítio onde precisam de ir para satisfazerem uma grande parte das suas necessidades de consumo, seja comida, filmes ou videojogos.

A Amazon é atualmente a quinta empresa mais valiosa do mundo, tendo um valor de mercado de 478,4 mil milhões de dólares – um número que aumentou 30% ao longo dos últimos 12 meses, segundo dados do site Dogs of the Dow.

Mesmo estando muito distante dos 819 mil milhões de dólares de valor de mercado da Apple, a Amazon já mostrou que é a empresa que mais rouba o sono aos seus concorrentes.

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