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Artigo por: David Fialho

O mercado das placas gráficas encontra-se numa espécie de Twilight Zone. Elas existem, há novos modelos, parecem inacessíveis tanto ao nível de stock como ao nível de preços, que são altíssimos até mesmo pelos revendedores.

Com apenas duas grandes marcas a produzirem GPUs, a AMD e a NVIDIA, a segunda revela-se a mais popular (como podemos ver nos inquéritos de Hardware da Steam), por ter sido mais consistente no lançamento de novos modelos e revisões, mas esta “geração” as coisas prometem mudar.

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Com a série RX 6000, a AMD entra em jogo com um novo leque de placas, com a mesma arquitetura das consolas da nova geração, prometendo assim ser um novo player a ter em conta para quem procura construir um PC apto para correr os jogos mais recentes com bom desempenho durante muito tempo.

Um desses exemplos é a AMD RX 6700 XT, lançada em março deste ano, no meio da corrida incessante aos GPUs, como um modelo modesto e relativamente acessível, começando por cerca de 495€, segundo a página oficial da AMD.

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Esta é a placa gráfica de entrada da AMD, ou a mais fraca se assim lhe quiserem chamar, mas com força suficiente para se colocar no mesmo grupo de, por exemplo, uma RTX 3070 ou uma RTX 2080 da NVIDIA. Apesar de as suas características ao nível de memórias ou frequências não serem equivalentes, a sua promessa é muito semelhante assim como o seu desempenho no geral.

Não me considero experiente ou conhecedor das tecnologias e cálculos matemáticos para extrair o máximo de desempenho da AMD RX 6700 XT, mas tenho curiosidade em brincar com as definições de jogos, tentar optimizar manualmente os visuais até ter uma experiência sólida e semelhante aquela que temos nas consolas atuais. Por isso para esta análise, ou melhor, esta consideração, resolvi fazer algo bem simples e questionar se a promessa que a AMD tem na caixa do seu modelo de referência que nos emprestou, é de facto cumprida.

Com a arquitetura RNA 2.0, 40 unidades de computação mais 40 ray accelerators , frequência base de 2321 MHz e suporte para overclock, 13.21 Teraflops e 12GB de memória VRAM GDDR6, a AMD diz-nos que esta é a placa perfeita para um “desempenho de alto nível” em jogos com resoluções 1440p.

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E de facto, no papel há algumas conclusões que podemos já tirar, temos teraflops que cheguem para uma experiência de topo semelhante às das consolas, que na maioria dos jogos oferece uma experiência a 120 ou 60fps em resoluções inferiores a 4K, temos unidades de computação que habilitam Ray-Tracing, e muita memória para aumentar as definições mais granulares de alguns videojogos ao máximo. Mas será que é capaz? A resposta é sim.

Para o test-drive da AMD RX 6700 XT peguei em alguns dos jogos mais badalados, populares e exigentes do momento. Foi uma escolha arbitrária, de acordo com os meus gostos e do que tinha já à mão, desde jogos disponíveis na PlayStation a jogos disponíveis na Xbox e outros que são, sem dúvida, melhores no PC. Também para garantir que a placa estaria a altura de qualquer desafio, usei a RX 6700 XT, num computador com um processador Intel Core i9-10900X, 32GB de memória RAM, discos SDD M.2 e um monitor de resolução 4K, e mantive todas as opções padrão do Software Radeon.

Como se portam alguns jogos na AMD RX 6700 XT

Horizon Zero Dawn

Aquele que é um dos jogos tecnicamente mais ambicioso da PlayStation teve o ano passado um lançamento no PC, elevando a experiência visual do jogo a um novo nível. Por isso pareceu-me ser o benchmark perfeito ao colocar as definições no máximo. Tanto neste, como nos restantes jogos é desnecessário usar as definições em “Ultra” e assim se revelou. Começando com os 4K o jogo permitiu uma experiência entre os 40 e os 50FPS. Algo que não atinge os standards de fluidez moderno no PC, mas que com alguma configuração permite a criação de um modo de “qualidade” a 4K/30FPSs.

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Mas a promessa voltou acima da mesa quando passei para a resolução de 1440p. Conseguindo os 60FPS, sem compromissos e uma utilização do GPU na ordem dos 70%. Teste 1 – Passado.

Days Gone

O mais recente jogo da PlayStation a chegar aos PCs é outro projeto ambicioso e uma das melhores conversões, tanto pelo conteúdo que inclui, pelos ajustes que levou desde o seu lançamento original e pelas opções que apresenta para os jogadores de PC. De igual forma coloquei o jogo em 4K e, tal como o primeiro exemplo, Days Gone mostra-se um desafio para a modesta RX 6700 XT.

Mas há duas formas de atingir um desempenho ideal. Reduzir a resolução nativa para 1440p, ou usar o slider interno do jogo para ajustar a renderização da resolução para, por exemplo 70%. A experiência torna-se automaticamente fluida, orgânica e natural, novamente com a RX 6700 XT a não revelar grande esforço. Teste 2 – Passado.

Death Stranding

Ainda no mundo PlayStation vamos até à primeira grande conversão para PC dos estúdios da Sony com Death Stranding. O ambicioso jogo de Hideo Kojima é extremamente belo, cinemático e usa o mesmo motor de jogo de Horizon Zero Dawn, no entanto, dada a sua natureza mais “vazia”, Death Stranding não apresenta nenhum desafio à RX 6700 XT, correndo na perfeição até em 4K com todas as melhores opções. Teste 3 – Superado

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Forza Horizon 4

No grupo dos jogos ambiciosos, e com a sua sequela a chegar já no final do ano, fomos até à versão virtual da Grã-Bretanha em Forza Horizon 4. É um dos jogos mais belos da geração e com um nível de detalhe incrível, com aposta no fotorrealismo. Felizmente não é um jogo extremamente taxativo, por isso ignorei as opções propostas dinâmicas em troca das definições em Ultra. O resultado não foi só uma fantástica experiência a 4K/60FPS ao volante de alguns dos carros mais rápidos do mundo, com visualmente ainda se revela bem melhor do que a sua versão “definitiva” na Xbox Series S, graças a melhores efeitos de processamento, texturas e modelos geométricos. Este serviu de teste também para perceber como Forza Horizon 5 poderá comportar-se nesta placa gráfica, que será muito bem. Teste 4 – Superado.

Doom Eternal

Naquele que é provavelmente o jogo mais bem optimizado desta seleção, Doom Eternal “não surpreende” pela positiva. Sem qualquer afinação o jogo corre deliciosamente a 4K e a 60FPS sem grande esforço, mesmo nas cenas mais intensas e caóticas.

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No entanto a nova atualização do jogo, lançada a 29 de junho, já revelou um desafio interessante para a RX 6700 XT. A introdução de Ray Tracing no seu “next-gen” upgrade, fez com que Doom Eternal oferecesse uma nova opção. Enquanto que os 60fps a 4K com Ray Tracing já não são tão fáceis de alcançar, a promessa dos 1440p mantém-se, o que é uma vitória, considerando que o desempenho das novas consolas, Xbox Series X e PlayStation 5, também sacrificam resoluções e outros detalhes para atingir as altas metas de fluidez de jogo. Teste 5 – Superado.

Control

Já sabíamos que a AMD também suportaria ray-tracing nas suas placas gráficas. Mas pessoalmente, até experimentar esta RX 6700 XT, não tinha noção que o suporte estava tão presente nos jogos atuais. Por isso foi uma supresa quando vi Control a deixar usar ray-tracing para sombras, iluminação, reflexos e afins. Contudo, nem tudo funciona de forma bela nesta placa gráfica.

Control é, já por si, um jogo bastante exigente, mas nas definições padrão, sem ray-tracing comporta-se de forma exímia na RX 6700 XT com a resolução de renderização proposta, de 1440p, atingindo e ultrapassado os 60FPS sem grande esforço. A 4K já temos uma descida de desempenho na casa dos 40FPS em cenários mais caóticos e com o ray-tracing, esse já terá que ser ajustado e com sacrifícios na resolução para os 1080p. Teste 6 – Passado, com compromissos.

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Cyberpunk 2077

Desde o lançamento de Cyberpunk 2077, ainda sem atualizações, que havia um consenso generalizado. O PC é a melhor forma de jogar Cyberpunk 2077. Mas, como é obvio é necessário um GPU à altura para tirar partido de todos os avanços do jogo. Tal como Control, Cyberpunk 2077 comporta-se de forma exímia sem ray-tracing, até em 4K, onde se mantém consistentemente fluido. Já com essas características ligadas, são necessários sacrifícios e afinações. Mas seja como for a promessa dos 1440p em Ultra está cumprida. Teste 7 – Passado

Microsoft Flight Simulator

Com lançamento em breve na Xbox Series X, Microsoft Flight Simulator promete esmiuçar as capacidades da máquina mais recente da Microsoft e oficialmente já sabemos que irá sofrer sacrifícios, nomeadamente a nível de fluidez, que será a 30FPS.

E não é por menos, Microsoft Flight Simulator é um dos jogos mais ambiciosos de sempre, não só tem uma escala absurda, com um mapa que é a literal réplica do planeta Terra, como a tecnologia por detrás deste jogo eleva os níveis de fotorrealismo a um novo nível. Para o correr é preciso um PC bem capaz e uma máquina à altura, por isso é que resolvi introduzi-lo nesta viagem.

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Os resultados são os expectáveis e bastante positivos. Nas definições padrão, que por defeito me meteram na melhor qualidade, o jogo em resolução 4K tem bastantes dificuldades em correr decentemente em diferentes cenários, com taxas de frame-rate abaixo dos 20FPS. O mesmo não se pode dizer à resolução proposta de 1440p, onde os 30FPS são possíveis e facilmente ultrapassáveis. A experiência a 60FPS é possível com ajustes nas definições, mas para este exercício passa no teste. Teste 6 – Passado, com compromissos.

Além das promessas

Ao longo do tempo que passei com a RX 6700 XT experimentei outros jogos, nomeadamente Call of Duty: Warzone e Fortnite, que apesar de serem jogos optimizados para uma vasta gama de equipamentos, as suas tecnologias são também ambiciosas. De forma geral, estes também se comportam excecionalmente bem até em 4K

Claro que é possível aumentar a taxa de frame-rate aos 60FPS, 120FPS, 144FPS e mais além, com excelentes resoluções através de afinações e ajustes nas definições de cada jogo e dependendo dos monitores de cada um, mas quando a promessa de uma experiência de topo a 1440p é proposta e nem todos os jogadores de PC têm a paciência para esmiuçar todas as opções, a AMD RX 6700 XT revela-se uma vencedora para a experiência plug-and-play.

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Além disso convém também mencionar o Software Radeon, a ferramenta de controlo da nossa placa onde podemos fazer overclocks, procurar por dicas para optimizar o desempenho dos jogos, estudar métricas, configurar gravações e streaming, entre muitas outras opções que ajudam mesmo a tirar o máximo partido da placa gráfica, de modo seguro e simples.

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Considerações Finais

A AMD RX 6700 XT apesar de suportar ray-tracing e outras novidades nos videojogos atuais, continua a ser uma placa de entrada de gama desta geração (equiparável à média gama da geração passada) logo, não surge para puxar ou elevar a experiência visual, mas sim para oferecer uma proposta atual, competitiva, funcional e compatível com o que o mercado dos videojogos oferece.

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É capaz de tudo, com as suas limitações, lá está, mas é forte na sua promessa, por isso termino assim esta viagem com um “considerem”, pois, a AMD RX 6700 XT pode ser certamente a placa gráfica de muitos jogadores durante os próximos anos.

rating recomendado

  • É a oferta mais acessível da AMD para placas gráficas da nova geração
  • Corre qualquer jogo moderno de forma fantástica sem grandes otimizações 
  • De Fácil instalação e configuração
  • Promessa da experiência 1440p a 60FPS garantida
  • Os 12GB de VRAM suportam mais extras visuais em jogos do que a concorrência direta
  • Suporte da AMD e de parceiros a longo prazo bastante promissor

N.R.: A análise ao GPU AMD RX 6700 XT foi realizada com acesso a uma unidade de teste cedida pela AMD.