Quando vimos o trailer de A Plague Tale – Innocence ficamos imediatamente colados ao ecrã com o que prometia. Uma história de cortar a respiração onde dois irmãos tentam desesperadamente fugir da Inquisição enquanto se encontram rodeados pela Peste Negra.

O estúdio Asobo Studio conhecidos por títulos como The Crew 1 e 2, Quantum Break  e alguns jogos da Disney Pixar, traz-nos agora um título de um gênero novo para eles. Um jogo que se agarra a uma narrativa forte, composto por uma história e personagens tão reais que conseguiram deixar-nos colados ao ecrã durante horas a fio.

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Este estúdio Francês trabalha de forma independente mas no passado teve uma forte colaboração com a Microsoft ao desenvolver jogos como Quantum Break e 3 dos 7 títulos de lançamento dos Microsoft HoloLens. Atualmente este estudio dedicou-se a trabalhar em títulos originais, onde A Plague Tale – Innocence é o primeiro resultado e é publicado com a colaboração da Focus Home Interactive, uma editora francesa. Este estúdio está atualmente a trabalhar em outros títulos originais ainda não anunciados, mas com A Plague Tale – Innocence elevaram bastante a fasquia para o futuro.

Uma peste que nos persegue

Este título traz-nos uma história cativante que prende o jogador desde o primeiro momento. Numa França medieval no século XVI vamos acompanhar Amicia e o seu pequeno irmão Hugo numa aventura de ficar com o coração a palpitar. Estamos nas horas mais negras da história da Europa onde a peste negra afeta e mata milhares de pessoas e como se não fosse suficiente, temos a Inquisição atrás dos dois irmãos.

Hugo é apenas uma criança e foi diagnosticado com uma doença considerada contagiosa, por isso é isolado da família. A nossa história começa com Amicia a ter o primeiro contacto com o irmão, e devido a uma série de eventos é forçada a entrar numa aventura com ele, onde irá conhece-lo e criar grandes laços de confiança. Juntos vão ter de colaborar o melhor que conseguem para conseguir fugir da Inquisição e também de uma ameaça constante da Peste que os persegue. Será que Amicia e Hugo vão conseguir sobreviver contra todas as probabilidades num mundo brutal e sem misericórdia?

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Amicia é uma jovem adolescente ainda muito ingênua, mas ao longo desta jornada ela irá tornar-se uma adulta bastante madura. Hugo sendo uma criança, vai começar a correr para ver algo que lhe chama à atenção. Amicia vai ter de tomar conta dele e balancear tudo o que está acontecer com um pequeno rapaz curioso, que na sua inocência vai atrapalhando a nossa aventura. Estes pormenores tornam o jogo ainda mais imersivo, o jogador sente a evolução das personagens. Todas estas emoções que as personagens sentem são transmitidas de uma forma crua fazendo com que se crie uma ligação com as mesmas. Sentimos a frustração de Amicia quando Hugo desata a correr para ir brincar com qualquer coisa, sorrimos quando Hugo faz um comentário completamente inocente sobre uma zona ou algo que aconteceu. O jogador torna-se parte da aventura.

Quando dizemos que é uma história de deixar o coração a palpitar não é um exagero, pois cria-se realmente uma ligação com as personagens, e a aventura é uma montanha russa de emoções. Os acontecimentos desta jornada vão moldar as nossas personagens.

E o óscar vai para…

Jogar este título foi como ler um bom livro, ou ver um bom filme. A história é apresentada de tal forma que não conseguimos largar o comando por horas a fio para saber o que acontecia a seguir. Este título consegue juntar uma aventura cativante, com drama e horror sangrento. Quando começamos a jogar A Plague Tale – Innocence pensámos que ia ser mais uma aventura sem-sal, onde dois irmãos tem um objectivo concreto. Mas bem, como estávamos enganados…

Este título não tem medo de mostrar sangue, corpos, e todo um drama e devastação deixada pela Peste. Foi “delicioso” ver este nível de maturidade num jogo, pois ajudou a trazer a narrativa e toda imersividade do mesmo para outro patamar. A primeira vez que o jogador se depara com esta abordagem no jogo é quando tem de atravessar um campo de batalha, após uma batalha, onde a relva é substituída por corpos, mas isso é só a ponta do icebergue… não vamos revelar mais para quem quiser jogar e sentir os arrepios na espinha quando se deparar pela primeira vez com tais cenários.

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Toda esta história incrível ganha vida com uma qualidade gráfica bastante boa, mas esperada num título como este e na fase final de vida desta geração de consolas. Aqui deve-se mencionar o cuidado notório que os artistas tiveram com os cenários. Não há um único momento que o jogador não esteja complementamente imerso na TV, seja quando está a andar calmamente por a calçada molhada de sangue numa vila medieval francesa, ou quando está numa masmorra abandonada pelo tempo apenas com uma pequena tocha para iluminar o caminho. Estes in-game printscreens falam por si.

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Ao longo da nossa jornada os nossos irmãos, Amicia e Hugo, vão conhecendo outros personagens que os ajudam assim como novos inimigos. Todos eles ganham um carisma pessoal tendo atores a dar-lhes voz e uma característica interessante é o sotaque (notório) francês, quando falam em inglês. Este pequenos pormenores ajudam a criar todo um ambiente que coloca o jogador vidrado na TV.

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Quando recebemos este título para análise, pensamos que iria ter uma componente forte de narrativa, tendo em conta os trailers mas um gameplay muito linear sem mecânicas complexas. Para nossa surpresa, este título tem todas as componentes que os jogos mais recentes precisam. É dado ao jogador a possibilidade de abordar as várias zonas de uma forma furtiva, ou tentar usar cabeça e pensar na forma mais inteligente de usar as ferramentas à nossa disposição para eliminar os inimigos.

A arma de eleição de Amicia é a sua fiel fisga, e inicialmente apenas podemos lançar pedras. Quando avançamos ganhamos a habilidade de criar diferentes tipos de projéteis que podemos usar na nossa fisga, onde cada um tem uma funcionalidade específica. Em zonas mais avançadas temos de abordar cada encontro pensando onde e quando temos de usar os diferentes projéteis, e há encontros onde temos de usar vários tipos diferentes.

Para além deste tipo de progressão que vai acontecendo ao longo da história, existe todo uma componente de melhoramentos ao nosso equipamento. Desde melhorar a fisga para ser mais rápida e precisa, até aumentar a nossa bolsa para conseguir carregar mais materiais.  Sim, materiais, ao longo da nossa aventura, há sempre motivação para explorar as zonas à procura de materiais. Estes são precisos para criar projéteis especiais para a nossa fisga, assim como materiais para melhorar o nosso equipamento. Como se isto não fosse suficiente, há bastantes objetos colecionáveis escondidos, que depois podem ser consultados através do menu.  

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Considerações finais

A Plague Tale – Innocence  é um título que surpreende. Para além de executar bem o que um jogo deste gênero precisa para ser incrível, consegue ir mais longe e dar mais. Composto de uma história cativante num período medieval, onde o jogador sente que está a viver as horas mais negras da Europa, este jogo traz à vida personagens que criam uma ligação com o jogador.

A cada segundo que passa parece que passamos de uma paisagem digna de um printscreen  para outra. O cuidado notório que este estúdio teve a produzir os vários níveis/zona por onde vamos passando na nossa aventura, dá ao jogador uma sensação de imersividade naquele ambiente.

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As mecânicas de gameplay deste jogo são bastante rudimentares e simples, quando comparado com jogos de aventura como a saga Uncharted  ou o último título God of War. No entanto, são mais que suficientes para um jogo onde se nota que o foco é claro, a narrativa. Nota-se alguma falta de fluidez, e opções disponíveis apenas no último nível, no culminar da história, quando a dificuldade chega ao seu máximo, mas tirando esse momento, toda a experiência de jogo é bastante agradável e sem frustrações.

Para jogadores que gostam de uma boa história, que gostam de se deixar levar pela narrativa e ficar imersos num universo de fantasia onde por momento estamos na pele dos nosso heróis, este título é altamente recomendado.

A Plague Tale – Innocence, está disponível para Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One.

N.R.: A análise de A Plague Tale – Innocence foi realizada numa PlayStation 4 Pro com acesso a uma cópia da versão final do jogo cedida pela EcoPlay

A Plague Tale: Innocence
Narrativa intensa e cativanteCenários desenhados ao pormenor Personagens fortes que criam uma ligação com o jogador Puzzles / Enigmas Sistema de crafting e colecionáveis
Na fase final do jogo, o sistema simples de combate torna-se um pouco frustrante Checkpoints unto espaçados obrigam o jogador a ter de repetir secções ou rever cutscenes
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