Análise por – Paulo Tavares

Quando penso neste horror game que completa quase uma década, agora lançado para a consola da Nintendo, apenas uma memória me vem ao pensamento: Pewdiepie alcançava reconhecimento na plataforma Youtube com os hoje icónicos Let´s Play deste jogo. Foi a partir das suas reações desmesuradas e aparentemente exageradas a este título que a sua carreira disparou para níveis estratosféricos…

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Quase dez anos e cem milhões de fãs depois, calhou-me agora enfrentar este clássico da Frictional Games. Terá Pewdiepie razão? Ou não passa apenas de hype?

Terror de algibeira

Não sou consumidor de terror. Nunca o fui. Sempre associei o género a algo falso. Muito sangue, tripas e gritos de jovens incautas, sempre no sítio errado à hora errada, que parecia viver de clichés, argumentos batidos. É um destes clichés que dá início à nossa história em Amnesia: The Dark Descent.

Alguém com amnésia acorda num castelo, para se ver perseguido por sombras de luz e trevas. Somos impelidos a seguir umas gotas de algo viscoso que se encontram no chão. Nada nos é dito. Inferimos o que se segue. E é justamente aqui que terminam todas as comparações e pontos em comum com outros jogos deste género. Como muitas vezes na vida, somos incapazes de lutar; neste caso contra as criaturas que nos perseguem ao longo de salas e corredores mal iluminados. Fugir e esconder são mesmo as únicas opções que temos, refugiando-nos num armário que abrimos, a medo, na esperança que a alma perseguidora tenha desaparecido.

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Mas aqui não há jumpscares que podemos ver a quilómetros de distância. A imagem e o som envolvente brincam com os nossos sentidos, criando uma sensação de impotência raramente vista em algo que foi criado essencialmente para nos divertirmos… Ou não. Não temos barra de vida, nem escudos protetores. Somos nós e a nossa mente, que se vai distorcendo na presença dos maus da fita ou na imensidão do escuro. A nossa sanidade mental deteriora-se, levando-nos a desmaiar, ficando à mercê de quem nos persegue avidamente.

Salvo pela luz

Os poucos momentos de alguma paz ocorrem nalguns puzzles, em que a mecânica da luz é usada para criar desafios de moderada dificuldade, numa espécie de pausa para uma mente inquieta.

Mas não se habituem. A busca incessante de velas, para que os monstros não se aproximem, e a coleção de entradas de diário, que ajudam a perceber um pouco melhor quem é este ser humano e o que lhe aconteceu para estar aqui, não deixa descansar. Desconfiem do escuro. Tenham cuidado com silêncio. E, acima de tudo, corram sem olhar para trás, porque eles vão apanhar-vos, antes ou depois de vocês enlouquecerem.

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O menos bom

Se são os típicos fãs da cultura gore, que adora violência gratuita… Esta coleção não é para vocês. A ansiedade mental chega para criar algumas palpitações, com descargas de adrenalina causadas, por vezes, apenas por um semicerrar de uma porta. Precisamos de alguma bravura de espírito, nem que seja para suportar os gráficos datados desta experiência, apesar deste port ser bastante fluído, mesmo em modo portátil.

Para tornar esta experiência mais imersiva, aconselham-se uns bons headphones, e deixem-se ir até às profundezas do vosso subconsciente.

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Apesar de a história ser contada com a qualidade de um filme B-rated, com emoções pouco expressivas e que não convencem, a palete de efeitos sonoros do jogo compensa, sendo mais um elemento fundamental na criação deste mundo de horror.

Também os controlos são ligeiramente irritantes e pouco responsivos numa ou noutra situação. Enquanto que na exploração tudo parece correr bem, quando temos que fugir e refugiar-nos em qualquer local que nos forneça abrigo, a utilização do ZR para abrir e fechar as portas, torna essa tarefa quase impossível de fazer com precisão, tendo em conta que provavelmente estaremos a fugir de algo e a tensão acumulada já nos faz falhar mais do que costumamos. É um pequeno pormenor, mas que pode tornar esta experiência um pouco traumática…

Considerações finais

Amnesia Collection reúne também o DLC Justine, que com a sua permadeath nos obriga a fazer escolhas moralmente duvidosas, e ainda a sequela A Machine for Pigs, que sente menos os anos do que o original, sendo uma experiência de terror bem mais comum e linear, apostando mais no storytelling e num mundo maior e menos claustrofóbico. São verdadeiramente três jogos num pacote, três experiências que têm tantas diferenças entre si, mas que acabam por se complementar.

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Se estavam debaixo duma pedra quando este jogo saiu originalmente para o PC, agora é a altura indicada para o descobrirem e terem uma experiência verdadeiramente diferente, juntando a isso os outros dois títulos. É uma oportunidade a não perder. Até onde irá o vosso medo…?

N.R.: A análise a Amnesia Collection foi realizada numa Nintendo Switch com acesso a uma cópia do jogo, gentilmente cedida pela EvolvePR.

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Amnesia Collection - Até onde irá o vosso medo...?
A trilogia corre lindamente na SwitchMedo para além do sangueExploração / “Stealth”
Vozes pouco expressivas- Gráficos datadosControlos pouco eficazes
4.0Valor Total
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