Não há volta a dar: há um mundo antes e outro depois de Pokémon. O seu sucesso é transversal a todas as plataformas onde a saga mete o pé e a sua longevidade prova que há ainda um longo caminho a percorrer aos seus competidores, embora seja mais ou menos do senso comum de que dominam por completo o negócio dos jogos de colecionistas.

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Eis que na primeira década dos anos 2000 surge a saga de animação Bakugan, com os seus animais futuristas e um mundo repleto de batalhas. Depois de diversas entradas no mundo dos videojogos, surge Bakugan: Champions of Vestoria, que pretende dar um novo fôlego à franquia, provando que batalhas a sério são para ser travadas com monstros saídos de um scifi feito para os mais pequenos e não com criaturas fofinhas. Sairá a obra da WayForward vencedora ou mais valia ter ficado debaixo da pedra onde tem andado desde 2011?

Escolho-te a ti… Bakugan???

As semelhanças estão lá. Seja a intenção de homenagear o mundo Pokémon, ou de trilhar um caminho próprio, Bakugan: Champions of Vestoria tem um início já visto e revisto: criação de uma personagem que rapidamente passa de um perfeito desconhecido para ser um mestre na arte de capturar e combater com estas míticas criaturas. A trama da estória não é explícita. Sabemos apenas que o jogador encontra um Bakugan à saída da escola, sedento de batalhar. Existem uns inexplicáveis terramotos que têm uma origem desconhecida e que têm de ser investigados e no meio dessas investigações, temos batalhas com amigos que não se conheciam, inimigos de quem nunca se ouviu falar e torneios contra os melhores. Tudo isto acontece numa sociedade com muita cor e aparente vida. Aparente porque não há grande interação com o cenário e todo ele dá aquela sensação de vazio. Por vezes faz lembrar um grande cenário de Hollywood reciclado de um outro mundo cinematográfico. Bonito, mas desprovido de conteúdo.

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Vamos sabendo das novidades através de vídeos que são feitos por um grupo pelos vistos famoso no mundo Bakugan, mas tudo fica assim no ar, dando a ideia de que o foco aqui não será na estória em si, mas na captura dos monstros e nas batalhas. É compreensível, tendo em conta que o foco desta saga sempre foi  centrada nesses dois aspetos, mas tudo o que não esteja relacionado com isso parece genérico e simplista. O mesmo acontecendo com as missões secundárias, que para além de consistirem muitas vezes em fazer recados a NPC’s, são limitadas e repetitivas, acrescentando pouco à experiência.

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Batalhas descoloridas

Este é o aspeto que mais deveria brilhar em Bakugan: Champions of Vestoria. O início é até interessante: batalhas entre equipas de até três Bakugans que nos vão sendo oferecidos de recompensa pelas missões efetuadas com sucesso. Cada monstro tem quatro habilidades, cada uma com o seu efeito devastador ou apenas regenerativo. Mas para que essas habilidades possam ser lançadas contra o adversário, o jogador tem que correr constantemente pela arena de combate na busca incessante de Bakucores, que são quadrados de energia espalhados pelo chão. E é aqui que a frustração começa. Os Bakugans esperam ansiosamente que os ataques sejam carregados e há aqui uma sensação anticlimática, uma espera desesperante.

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E o combate em si, a estratégia envolvida? Podem prolongar-se, mas não pelo fulgor da escolha do ataque certo. Depois de carregar o ataque pretendido, somos brindados com animações repetidas, que tiram espetacularidade ao que devia ser o centro da obra. E a própria estratégia? Não compensa. Há que carregar o movimento mais poderoso, mesmo que demore mais tempo, mas acabará sempre por compensar. É claramente insatisfatório.

Considerações finais

Bakugan: Champions of Vestoria é no fim de contas uma aventura com prazo de validade. Para uma faixa etária mais jovem, o apelo da cor e dos incríveis monstros colecionáveis pode ser suficiente para justificar a compra. Mas para um jogador mais experiente, não deve chegar. A estória leve de conteúdo e desenvolvimento, os poucos monstros para colecionar, a cidade vazia de missões que parecem feitas para QI’s baixos, os combates que rapidamente se tornam tediosos… Tudo parece aqui enfiado simplesmente com o intuito de prolongar a extensão do jogo sem a existência de um fio condutor. Há por aqui mais do que razões para o jogador mais exigente não capturar este título nas lojas.

nota 2

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Bakugan: Champions of Vestoria tenta apanhar a onda Pokémon que apanhou meio mundo, mas sem sucesso. Repetitivo na história e no combate e com um mundo desprovido de vida, o jogo apelará apenas a fãs acérrimos da série de animação.

+ Cor e animações bem conseguidas

+ Delícia para os mais novos colecionistas

– Combate básico e desinteressante

– Mundo com cor, mas sem vida

– Poucos Bakugans

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N.R.: A análise a Bakugan: Champions of Vestoria foi realizada numa Nintendo Switch com uma cópia do jogo, gentilmente cedida pela Upload Distribution.

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