Para muitos aficionados do género de luta, o periférico favorito para jogar é o fighting stick, uma caixa com seis a oito botões de ação e uma alavanca, popularmente conhecido em sistemas de arcadas. Este tipo de comando é capaz de oferecer um tempo de resposta muito superior a um comando tradicional além de dar muito mais satisfação ao jogador, quando este efetua os seus combos. No entanto, devido ao seu tamanho e volume acaba por ser complicado o seu transporte, seja para um fim de semana em casa de amigos ou para o levar para um torneio. Além disso, devido à sua especificidade e aspeto, pode acabar por intimidar os jogadores mais novatos que queiram elevar a sua experiência no campo dos jogos de luta.

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Por sua vez, os comandos tradicionais têm um conjunto de vantagens face aos fighting sticks. Em primeiro lugar estes são muito mais acessíveis dado estarem incluídos com a consola, acabando por ser mais baratos. Adicionalmente, dado serem construídos para serem confortáveis para qualquer tipo de jogo, são muito mais versáteis. Além disso, devido ao seu tamanho, são mais fáceis de transportar, ocupando muito pouco espaço e sendo muito mais leves. Mesmo sendo possível um jogador tornar-se eficiente em jogos de lutas com um comando tradicional, o nível de dificuldade é mais elevado e nem sempre a resposta dos botões é a melhor.

Devido a esta dualidade, a Razer decidiu criar um comando que esteja entre estas duas opções, oferecendo a satisfação e resposta de um fighting stick com o tamanho e portabilidade de um comando tradicional. E assim criou o Razer Raion, um comando dedicado a jogos de luta, para Playstation 4 e PC. Mas será que consegue cumprir aquilo que promete?

Características

Razer

Razer Raion



Peso: 275 g

Conectividade: Cabo USB

Comprimento do cabo: 3 m

D-Pad: Razer Mecha-Tactile de 8 direções


Layout: 6 botões de ação

Tipo de botões: Razer Yellow Switch

Plataformas: PlayStation 4 e PC

Audio: Porta analógica 3.5 mm

Tipo de botões: Óticos

P.V.P.: € 109,99

O Razer Raion é um comando com ligação USB feito a pensar na comunidade de jogos de luta. Com um layout de 6 botões, à semelhança dos utilizados nos fighting sticks, com um maior tamanho e um posicionamento que oferece a possibilidade dos jogadores utilizarem o polegar ou os três dedos em estilo de “garra”.

Os botões utilizam switchs mecânicos que garantem uma atuação instantânea assim como um tempo de vida superior aos botões tradicionais. Os botões direcionais utilizam a tecnologia Razer Mecha-tactile, o que permite a execução de comandos de oito direções com uma elevada precisão e oferecendo um feedback táctil bastante satisfatório e semelhante ao de um fighting stick.

Tal como o Dualshock 4, o Razer Raion tem uma porta de áudio analógica, permitindo ligar qualquer dispositivo de áudio, seja para ouvir ou falar durante o jogo, e um touchpad permitindo uma maior compatibilidade com jogos de Playstation 4 que necessitem de o utilizar. Conta ainda com um interruptor que permite alterar a sua compatibilidade entre Playstation 4 e PC, no entanto, a porta de áudio e touchpad não são suportados neste último modo.

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O comando conta ainda com o modo de torneio que bloqueia todos os botões desnecessários para o jogo de modo a evitar que acidentalmente um jogador salte para o menu da consola.

Um comando para bater!

Apesar da minha baixa performance no género, os jogos de luta são um dos meus tipos de jogo favoritos e um dos que mais horas terei dedicado nos últimos anos. Dessas horas, as primeiras foram passadas com um Dualshock 4. Apesar do gozo que tinha a jogar, ao fim de meia hora o polegar esquerdo começava a doer, devido à forma como o D-Pad tinha de ser utilizado para fazer os diferentes combos. Além disso, não era incomum falhar vários inputs por não conseguir executar os comandos direcionais devidamente, devido ao calor do momento.

Após ter decidido investir num fighting stick, não só a minha performance como também o meu gosto por jogos de luta aumentou. Continuando a não ser um jogador genial (por minha culpa), conseguia efetuar combos mais complexos e com bastante menos falhas, para não falar na satisfação que tinha quando sentia os clicks dos inputs durante os intensos combates. Nesse momento apercebi-me que nunca mais conseguiria voltar a usar um comando tradicional para este género de jogos. Mesmo assim, apesar de ser clara a minha preferência ao nível de comandos, os pontos negativos dos fighting sticks são notórios quando queremos um pouco mais de flexibilidade para o transportar.

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Quando me foi dada a hipótese de experimentar o Razer Raion, fiquei bastante curioso com a sua promessa de ser um ponto intermédio entre os dois extremos. A primeira coisa que se nota ao utilizar o comando é a sensação dos botões. Ao contrário dos comandos tradicionais onde tanto o D-Pad como os botões de ação tem um toque suave, estes têm uma sensação muito responsiva, tal como num fighting stick, sendo imediatamente notória a satisfação de carregar neles.

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O comando tem seis botões de ação, os tradicionais quatro presentes no Dualshock e dois extra para R1 e R2. De forma a garantir compatibilidade máxima com a Playstation 4, o Raion tem ainda presente os botões de Home, Options e Share, assim como do touchpad que é utilizado em muitos jogos de luta como atalho fazer reset nos modos de treino. Estão ainda presentes dois botões extra que permitem desativar o microfone e áudio caso o jogador esteja a utilizar dispositivos auscultadores. Estes botões têm ainda a função de ativar o modo de torneio onde botões como Home ou Options são desativados de forma a prevenir toques acidentais que iriam interromper os combates. Os gatilhos têm um feedback mais imediato ao contrário do feedback mais esponjoso do Dualshock 4, permitindo que o utilizador perceba quando carregou efetivamente neles.

Onde estão os analógicos?

De forma a colmatar a ausência de controlos analógicos, o Raion tem um pequeno interruptor na sua base que permite alterar a função do D-Pad entre três modos: D-Pad (DP), Analógico Esquerdo (LS) e Analógico Direito (RS). Isto permite que este seja utilizado em jogos que não suportem o D-Pad não permitindo, no entanto, controlar os dois analógicos ao mesmo tempo.

Uma função extra, presente no Razer Raion, é a possibilidade de trocar os gatilhos L1 e L2 por L3 e R3. Isto permite não só aceder aos botões L3 e R3 nos jogos que necessitem deles, como também desativar eventuais toques acidentais que possam ocorrer com a mão esquerda, nos momentos mais intensos de um combate. Estando este modo selecionado, os botões R1 e R2 passam a ser L1 e L2, enquanto que o R1 e R2 estão disponíveis nos botões faciais. Podendo ser questionável a utilidade desta função, não deixa de ser algo que permite um pouco mais de personalização do comando de forma a adaptar-se ao estilo do jogador.

Ao contrário da maioria dos produtos da Razer, o Raion não tem qualquer tipo de RGB, sendo a única luz presente um pequeno led verde que indica que o comando está ligado, tornando-se branco quando o modo de torneio está selecionado. Apesar de muitos utilizadores poderem ter gostado de ter vários milhões de cores no comando, não é algo que afete a sua utilização e reduz os motivos de distração. Algo que também não está presente é a capacidade de vibrar que mesmo sendo algo dispensável, seria interessante de se ter incluído mesmo com uma opção de o desativar.

No que diz respeito à performance, o Raion é efetivamente uma evolução considerável face a um Dualshock 4. O principal ponto de diferença é o D-Pad que, para além de ser muito mais confortável, é mais eficiente no input dos comandos. Em jogos onde se utilizam muitos inputs diagonais a diferença é ainda mais notória, nunca tendo falhado com o Raion enquanto que no Dualshock 4 era algo bastante frequente.

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Os botões de ação tem uma sensação muito semelhante aos de um fighting stick, tendo dado vontade de os utilizar em modo de “garra”. No entanto, no meu caso, os botões são pequenos demais para isso, sendo preferível utilizar com o polegar. Mas os jogadores com maior destreza terão a opção de optar pelo modo que lhes seja mais confortável.

Considerações Finais

O Razer Raion é um comando peculiar, criado com um género de jogo específico. É inegável a sua elevada qualidade e superioridade para jogos de luta face a um Dualshock 4. Os switchs mecânicos dos botões dão uma agradável sensação quando pressionados, sendo um dos pontos fortes de quando são utilizados em  fighting sticks.

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Qualquer jogador do género de luta que queira passar ao nível seguinte, mas não tenha a confiança de avançar para um fighting stick ficará bastante bem servido com este periférico. O único ponto que poderá demover o utilizador disso é o seu preço, situando-se muito próximo do preço de fighting sticks de gama de entrada. Além disso, estes tem ainda a possibilidade de trocar componentes por versões melhoradas, permitindo que o jogador evolua o seu controlador de acordo com a sua dedicação e vontade, não sendo necessário investir de início num fighting stick bom em que o custo é significativamente superior. Este facto é capaz de não facilitar na resolução do dilema dos jogadores que ainda não tenham decidido quais dos comandos preferem.

No final, um fighting stick continua a ser uma melhor opção, oferecendo um maior conforto e uma maior personalização. No entanto, nem todos se sentem à vontade a utilizar um fighting stick, seja pela necessidade de o transportarem frequentemente ou por preferirem um comando mais pequeno. Para esses casos, o Razer Raion é uma fantástica opção que cumpre a sua promessa de oferecer a satisfação de um fighting stick com a flexibilidade de um comando tradicional.

N.R.: A análise ao Razer Raion foi realizada com acesso a uma unidade do periférico, gentilmente cedida pela Razer.

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