A Alcatel já tinha protagonizado uma das surpresas de 2016 quando apresentou o Alcatel Idol 4S, um equipamento de gama média-alta e que apresentava uma boa relação qualidade-preço. Como extra os consumidores ainda ganhavam uns óculos de realidade virtual.

Mas os lançamentos interessantes não ficariam por aí. Ainda antes do ano acabar, a marca detida pela TCL Communication fez chegar ao mercado um equipamento de gama média-baixa, o Alcatel Shine Lite. Mesmo sendo um segmento saturado, o Shine Lite não veio para fazer número.


Podemos dizer sem rodeios que este é dos equipamentos que apresenta uma melhor relação qualidade-preço no segmento onde está posicionado. O preço do equipamento são 200 euros, mas a verdade é que semana sim, semana não, é um smartphone que está integrado na lista de promoções dos retalhistas, um facto que não ignoramos nesta análise.

O Alcatel Shine Lite é um equipamento que tem as suas falhas e que não é um suprassumo em qualquer uma das suas especificações técnicas. O verdadeiro ponto de interesse deste smartphone está no seu valor global, como equipamento e na experiência de utilização que consegue garantir no quotidiano.

Feito para captar a atenção

Imagine que está numa loja de eletrónica à procura de um novo smartphone ou está simplesmente a conhecer as novidades do mercado. O Alcatel Shine Lite foi pensado para chamar a atenção no segmento de equipamentos no qual está inserido. Ele consegue ‘brilhar’ mesmo estando rodeado de concorrência forte. Ao contrário do que acontece noutros equipamentos de 200 euros, o Shine Lite apresenta-se como uma construção muito, muito bem conseguida.

O dispositivo combina metal nas laterais e vidro na parte traseira para garantir ao utilizador uma qualidade de construção muito acima da média. Arriscamos mesmo a dizer que o smartphone tem uma construção premium, não ao nível de um Xperia XZ Premium, mas não fica a dever muito, por exemplo, ao seu ‘irmão mais velho’ Alcatel Idol 4S.

No entanto o metal não recebeu um tratamento tão polido quanto aquele que existe noutros smartphones que usam o mesmo material, pois no Shine Lite as extremidades do equipamento são aguçadas de mais para o tato.

O aspeto também está bem conseguido, tendo a Alcatel optado por produzir um equipamento mais pequeno e que está direcionado para os utilizadores que simplesmente não gostam de smartphones gigantes. O Shine Lite é muito fácil de manusear apenas com uma mão e o estilo compacto acaba por fazer sobressair a aposta que foi feita na qualidade de construção.

Em termos de ergonomia é preciso dizer que o Alcatel Shine Lite não é dos dispositivos mais finos, nem dos mais leves. Se estes são factores que para o seu perfil de consumidor são importantes, deve ter esta análise em consideração.

O smartphone apresenta-se com um design arredondado, bastante simples e sem grandes elementos distrativos. Tirando o leitor de impressões digitais na parte traseira, o equipamento é todo ele liso e sem protuberâncias.

Se do ponto de vista estético o facto de ser ‘lisinho’ é um elemento em destaque, a verdade é que também pode apresentar os seus problemas. Quando coloca o Shine Lite em cima de uma superfície também lisa – como uma mesa -, por vezes poderá ver o smartphone a deslizar sozinho. Já nos tinha acontecido com o Sony Xperia Z5 Premium e é algo que obriga o utilizador a fazer uma vigia redobrada ao equipamento sob pena de vê-lo cair ao chão.

O modelo testado pelo FUTURE BEHIND foi o de cor dourada, o que de certa forma também acabou por contribuir para uma imagem mais requintada do dispositivo. O Shine Lite está também disponível em prateado e ainda em preto, para os que preferem dispositivos mais sóbrios.

Não basta ser bonito

O ecrã de cinco polegadas que equipa o Shine Lite é simpático. Não é dos melhores ecrãs HD que já vimos, mas gostámos do facto de ter um brilho forte e de também assegurar uma boa reprodução de cores, sobretudo na área da saturação. Destaque para o facto de assegurar bons ângulos ângulos de visão.

O ecrã consegue garantir uma boa experiência de visualização de conteúdos em redes sociais, vídeos no YouTube e também nos videojogos. Se procura uma experiência verdadeiramente rica nestas áreas, o melhor é optar por um ecrã de maiores dimensões e que garante uma maior resolução, mas convém não esquecer que isso vai implicar investir mais do que os 200 euros pedidos por este Shine Lite.

Em termos de utilização no quotidiano ficámos com sensações mistas. Nota-se claramente que este não é um equipamento potente e que está feito para lidar apenas com as tarefas mais comuns da utilização de um smartphone.

O Alcatel Shine Lite não é um torpedo na abertura de aplicações, no carregamento de páginas web ou até nos processos multitarefa – mas também não é uma arrastadeira. Por vezes nota-se um pouco mais de atraso na realização de algumas tarefas, como no carregamento de videojogos, mas não é algo significativo o suficiente para deixar o utilizador em desespero.

Tendo em conta o preço do equipamento, o desempenho está em linha com o esperado. É cumpridor e vai ser suficiente para a maior parte das tarefas do dia-a-dia dos utilizadores que não são muito exigentes. No caso específico dos jogos experimentámos títulos como Super Mario Run, Sling Kong, Hill Climb 2 e Tap Hero, sem que qualquer um destes tivesse apresentado problemas de desempenho.

Um outro elemento que também cumpriu de acordo com as expectativas foi a bateria. O Shine Lite apresenta uma autonomia que em utilização normal deverá garantir perto de um dia e meio sem necessitar de um carregamento. Se puxar pelo equipamento e se ‘abusar’ um pouco dos videojogos a autonomia continua a garantir-lhe um dia de utilização, mas o mais provável é que vá necessitar de carregá-lo antes de ir para a cama.

Do lado dos elementos que menos gostámos destacamos o som do smartphone. Consegue atingir níveis de volume bastante altos, mas nota-se que é um som pobre e sem corpo. Este é um aspeto que fica mais claro quando vemos, por exemplo, um vídeo no YouTube. Dificilmente será uma característica através da qual o utilizador decida se compra ou não com este smartphone, mas é de facto um dos elementos negativos.

Outro elemento que esteve longe de encher as medidas foi a câmara fotográfica. O sensor de 13 megapíxeis é inferior quando comparado com outros sensores de 13 megapíxeis que são utilizados em smartphones e com preços não muito superiores.

Alcatel Shine Lite

A fotografia está a assumir-se cada vez mais como o elemento central dos smartphones pois é a área onde os diferentes equipamentos continuam a apresentar comportamentos muito distintos. Enquanto os ecrãs e os processadores são relativamente semelhantes em diferentes smartphones com a mesma etiqueta de preço, a câmara fotográfica pode ser o elemento que o consumidor escolhe para fazer o ‘desempate’.

No caso do Shine Lite, as fotografias até apresentam algum recorte, mas as cores não são muito ricas e não existe uma boa gestão dos contrastes. Qualquer perda de iluminação no ambiente vai resultar numa perda significativa de qualidade na fotografia, isto porque o sensor produz resultados com ruído quando a luz natural não é abundante.

Para compensar existe um LED de dois tons que ajuda a trazer algum equilíbrio à qualidade da fotografia em ambientes de baixa luminosidade, mas sem fazer ‘milagres’.

O próprio software fotográfico do Alcatel Shine Lite é demasiado simplista e apesar de incluir uma opção para a captação de imagem em HDR, a verdade é que nem neste modo os resultados são convincentes.

Sabendo que no Alcatel Idol 4S a marca fez um brilharete na área da fotografia, essa expectativa acaba por passar para os restantes equipamentos da marca, ainda que sejam de gamas inferiores. Neste caso especifico a expectativa não foi cumprida.

Considerações finais

O Alcatel Shine Lite é um clássico exemplo de um gadget onde o exterior é mais valioso do que o interior. O equipamento tem um design e uma construção que por norma só vemos em dispositivos que são significativamente mais caros. Esta é uma das mensagens mais fortes que um smartphone pode passar a um consumidor e nesta área o Shine Lite é uma verdadeira preciosidade.

Nos restantes aspetos o Shine Lite já se comporta mais em linha com um equipamento de gama média-baixa: desempenho modesto, longe de ser rápido, mas cumpridor. A autonomia é razoável, assim como a qualidade do ecrã.

Por outro lado a qualidade pouco entusiasmante da câmara fotográfica acaba por ser um forte ponto negativo, pois é justamente este o elemento que cada vez mais ajuda a diferenciar os smartphones entre si.

Colocando o Shine Lite na balança, o smartphone da Alcatel apresenta-se como um dispositivo equilibrado e que será certamente uma aquisição interessante para pessoas que não querem e não gostam de gastar muito num smartphone, mas também não gostam de vir desiludidas para casa. Afinal, ainda levam um dispositivo com 16GB de armazenamento, 2GB de memória RAM, suporte para redes 4G e Android 6.0 ‘Marshmallow’.

Pelo preço de 200 euros, o smartphone é competitivo. Pelo preço psicológico de 150 euros, fruto das constantes promoções, o smartphone torna-se um forte candidato a melhor equipamento dentro dessa franja de mercado.

A aposta num tamanho compacto também foi bem jogada por parte da Alcatel pois é um segmento que recebe cada vez menos atenção dos outros fabricantes.

A Alcatel tem aqui muita margem para melhorar e este pode ser o ponto de partida para ganhar um equipamento que cria tradição no segmento de gama média-baixa. Na prática o Alcatel Shine Lite é um diamante por lapidar, basta escolher as ferramentas certas para fazê-lo.

Alcatel Shine Lite
Qualidade de construção premiumEcrã brilhante e de cores vivasPreço muito competitivo
Para 13MP, o sensor desiludeSom com pouco 'corpo'Smartphone é escorregadio
7.3EM 10
Design e construção9
Ecrã7
Fotografia6
Performance7
Autonomia8
Software7
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