O Android é o maior sistema operativo móvel do mundo. De acordo com os últimos dados oficiais da Google já marca presença em 1,4 mil milhões de dispositivos. Os últimos dados das consultoras dizem que tem 86% de quota de mercado. Estes são motivos mais do que suficientes para que seja prestada especial atenção à nova versão do sistema operativo.

Já tínhamos falado das novidades do Android 7.0 ‘Nougat’ num outro artigo, mas percebê-las e usá-las é algo completamente diferente.



Ao fim de uma semana a usar o Android 7.0 num smartphone Nexus 6P – cedido ao FUTURE BEHIND pela Huawei – fica a sensação de que esta é uma atualização um pouco quebrada, isto é, traz boas novidades, mas não são novidades que serão aproveitadas por todos os utilizadores ou que terão um impacto visível no quotidiano.

A maior de todas é, sem dúvida, a existência de um ‘verdadeiro’ modo de funcionamento multitarefa. Na prática todos os smartphones já são multitasking no sentido em que mantêm as aplicações a executar em segundo plano, mas com o Android 7.0 o utilizador pode ter duas aplicações lado a lado: na vertical ou na horizontal.

Para isso o utilizador apenas precisa de pressionar a tecla de Separador que a janela que está em exibição encolhe automaticamente para ocupar apenas meio ecrã. O utilizador pode depois escolher qual a segunda aplicação que quer ter também no ecrã e reajustar os tamanhos se for caso disso.

Este modo multitarefa funciona bem e é rápido na forma como adapta os conteúdos. Também nos agradou o facto de não ter qualquer impacto visível no desempenho do smartphone já que a experiência continuou fluída.

Modo vertical

Modo horizontalAnálise Review Android 7.0 Nougat

Mas existem dois problemas associados. O primeiro é a falta de aplicações compatíveis. Além das aplicações proprietárias da Google – como o YouTube e o Chrome – ainda não existem muitas apps que suportem este modo multitarefa. Ou seja, há todo um novo mundo para explorar, só não existem é muitas ferramentas para fazê-lo.

É expectável que com o tempo seja algo que venha a melhorar, mas por agora é o estado da situação.

Por outro lado há também a destacar a questão do hábito. Apenas dei por mim a experimentar o modo multitarefa quando realmente quis perceber melhor como funcionava. Ao fim de tantos anos a usar apenas uma aplicação no ecrã principal, as experiências de utilização adaptaram-se a este paradigma.

Use-se ou não, dependendo do perfil de utilização, o modo multitarefa já começava a ser obrigatório chegar ao Android. A Google ‘alimenta’ aqueles que são alguns dos smartphones com os maiores ecrãs do mercado, pelo que estava na hora de explorar esta vertente mais prática e conveniente de utilização. O sistema multitarefa certamente ganhará um significado muito maior para os utilizadores de tablets do que para quem usa apenas o smartphone.

Esta funcionalidade é algo que a Samsung e a LG, por exemplo, já aplicavam nas suas versões proprietárias do Android, e que a rival Apple também já tem desde o iOS 9, ainda que em dispositivos limitados.

Mas se como utilizador ainda não estou ‘educado’ para tirar um maior proveito do modo multijanelas, há uma outra funcionalidade à qual me habituei rapidamente: a possibilidade de trocar entre a aplicação atual e a última aplicação executada apenas com um duplo toque.

Os toques têm de ser dados no botão de Separador, sendo este um bom exemplo de como as boas evoluções não precisam de ser tecnologicamente muito trabalhadas. É simples, funciona bem e ‘pegou’ logo à primeira.

A segunda maior alteração – e provavelmente aquela que os utilizadores vão receber melhor – é o sistema de notificações do Android. Está mais completo, está visualmente mais rico e está mais trabalhado em termos de funcionalidades.

Agora é possível usar as notificações para responder diretamente às pessoas – no caso de ser uma mensagem por exemplo. As notificações passam a estar agrupadas também de forma diferente e é possível definir o grau de prioridade que devem ter – para isto basta pressionar a notificação que do lado direito vai surgir um ícone que garante acesso a essas opções.

No geral gostei da forma como a Google arrumou as notificações. Numa altura em que os utilizadores já têm um número significativo de apps instaladas nos smartphones e a gerar um grande número de notificações, era importante que algo viesse colocar alguma ordem nesta torrente. A Google decidiu que o melhor era assumir essa função de forma nativa no Android e o resultado está bem conseguido.

A barra de atalhos rápidos, aquela que permite gerir as ligações Wi-Fi, plano de dados, Bluetooth e outras opções básicas do smartphone, também está diferente e também para melhor.

Agora quando o utilizador puxa, por exemplo, a gaveta para ver as notificações, fica com uma pequena barra na parte superior onde estão os cinco principais itens da sua lista. Se puxar a gaveta totalmente para baixo então vai ter a opção de editar, ali mesmo, quais os elementos que quer em destaque e em que posições.

É mais um pequena adição ao Android 7.0 ‘Nougat’, mas é outra que faz sentido e que traz uma maior flexibilidade na gestão do dispositivo.

Outro pormenor do qual gostei foi do facto de quando entramos no menu de opções do sistema operativo, agora o Android faz ‘recomendações’ ao utilizador. Para algumas pessoas pode ser algo acessório, mas aqueles que prestam de facto atenção ao desempenho e ao comportamento dos seus equipamentos vão gostar de saber que o sistema operativo está a tomar conta de nós.

E claro, há novos emojis: atualização que é atualização tem de trazer novos emojis.

E é aqui que terminam as alterações visuais. Existe um grande grupo de alterações que é suposto terem um grande impacto, mas uma semana não foi tempo suficiente para tomarmos o gosto a essas ferramentas e perceber se de facto melhoram a experiência geral com o dispositivo.

Uma dessas alterações é o Doze on the Go que coloca o smartphone num baixo nível de consumo energético quando deteta que o smartphone está no bolso ou na mala – isto acontece pois percebe que o utilizador está a andar e não existem ações no smartphone.

Com o Nexus 6P conseguimos em média um dia de autonomia. É verdade que não demos muito descanso ao smartphone, mas se existem algumas poupanças é apenas de alguns ‘pozinhos’ e não de 15 ou 20%, por exemplo. A menos que seja uma pessoa que passa muito tempo a andar, então não será esta funcionalidade que vai trazer uma grande diferença à autonomia do equipamento.

Outra funcionalidade que foi implementada chama-se Data Saver e impede que as aplicações tenham acesso ao plano de dados quando o limite predefinido é excedido.

No entanto há outras melhorias associadas ao Android 7.0 ‘Nougat’ que simplesmente podem não estar acessíveis. O sistema operativo da Google agora suporta nativamente o Vulkan API, um interface de desenvolvimento que permite que os videojogos tenham um desempenho gráfico muito superior. O Nexus 6P é um dos dispositivos que suportam a Vulkan API, mas não sentimos grandes diferenças.  Outros modelos de smartphones simplesmente podem não ser compatíveis com a API.

Análise Review Android 7.0 Nougat

A Google também prometeu que o Android 7.0 vai ser a casa de uma nova experiência de realidade virtual, mas ainda não existe sinal desta aposta. O mais provável de acontecer é que seja feita uma atualização ao software quando for revelado em definitivo todos os pormenores do Project Daydream. Ou seja, aquela que para nós à partida até seria a maior das novidades do Android, não está lá ainda.

Existem outras adições de baixo impacto, mas que poderão ser bem recebidas pelos utilizadores: possibilidade de instalar temas no teclado predefinido do Android e maior rapidez no download e instalação das aplicações. O Direct Boot também vai fazer diferença sobretudo quando começar a receber as atualizações mensais de segurança da Google – isto faz com que aquela adaptação das aplicações às novidades enquanto o smartphone inicia [20/50 apps atualizadas, por exemplo] já não exista mais.

Em resumo o Android 7.0 ‘Nougat’ traz, de facto, melhorias importantes sobretudo ao nível da usabilidade. Não existem grandes alterações visuais nem de interface de utilizador. Quem usa o Android Marshmallow vai sentir poucas diferenças nesta atualização, mas quem vier de versões anteriores aí sim já vai sentir um impacto maior.

O novo modo de funcionamento multitarefa e o novo sistema de notificações são as duas grandes adições do sistema operativo. Falta chegar a parte que vai tornar o Android numa plataforma de realidade virtual, mas quando for o momento voltaremos ao tema.

O Android 7.0 ‘Nougat’ parece ser o polimento final que o Android estava a precisar nesta sua nova vida que começou com o Material Design no Android 5.0 Lollipop. Talvez a Google consiga ‘esticar’ este Android por mais um ano – é o melhor e mais completo de todos, mas há sempre algo a melhorar -, mas o Nougat também já nos parece indicar que em breve será necessária uma mudança maior para entusiasmar os utilizadores.

Talvez há alguns anos este não tivesse sido apelidado de uma nova versão do Android e fosse antes colocado como o Android 6.2. As diferenças não são de facto muitas para o Marshmallow. E são os dispositivos Marshmallow aqueles que vão atualizar para o Android 7.0 ‘Nougat’.

Quem ler, por exemplo, a análise do Android Authority sobre o novo Android vai ficar com uma maior sensação de novidade. A questão é que a nossa análise é feita numa perspetiva de utilização no dia a dia, e não tanto na perspetiva de ir verificar todas as novidades só porque sim.

Quais têm verdadeiramente impacto? Aquelas que dissemos. Quais sentimos mais falta? Aquelas que dissemos e que achamos que se estivessem podiam fazer uma diferença maior.

O Android está melhor, sem dúvida. Mas esta é uma atualização de impacto moderado na utilização quotidiana.

Android 7.0
Modo multi-janelaNotificações mais ricasDuplo toque para trocar de appEstabilidade do sistema
Ainda sem Android DaydreamEfeitos de algumas novidades não são totalmente sentidosPoucas diferenças para o Android 6.0
3.5Em 5
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