A LG quase cumpria a missão de construir um smartphone de gama média que conseguisse servir como barómetro sempre que os consumidores avaliam um equipamento na relação qualidade-preço. Um pouco como a Motorola fez com o Moto G e a Asus mais tarde com o Zenfone 2.

A verdade é que com o LG K10 acabamos por ter um equipamento que deixando boas indicações em alguns aspetos, compromete noutros. Sobretudo na vertente de software, não há uma boa otimização e isso faz com que o equipamento fique em desvantagem relativamente a alguns equipamentos da concorrência.



O melhor smartphone com relação qualidade-preço não é aquele que apresenta, por exemplo, chip de oito núcleos e um sensor de 15 megapíxeis por 200 euros. O melhor smartphone na relação qualidade-preço é aquele que apresenta um desempenho quase irrepreensível, apesar de as especificações técnicas não serem muito ambiciosas.

Não é o caso. O K10 é um dispositivo que mesmo sendo agradável, por vezes deixa o utilizador a olhar para o ecrã à espera que as aplicações iniciem ou que seja feita uma troca entre apps.

Mas seria injusto da nossa parte passar uma imagem negativa do LG K10. O smartphone tem bons apontamentos, como o ecrã de boas cores e a câmara fotográfica muito capaz, mas no fim resume-se tudo a um balanço de preferências.

Um smartphone neutro

O design do LG K10 é generalista. Apesar de apresentar-se com linhas arredondadas ao estilo do seu irmão mais velho e topo de gama LG G4 – e que a tecnológica acabou por seguir no seu sucessor, o LG G5 – a verdade é que o equipamento não tem em si um elemento que o faça distinguir.

A cobertura oleofóbica do ecrã confere-lhe um brilho diferente, é um facto, e a traseira texturizada é muito bem-vinda sobretudo por não atrair impressões digitais e por ajudar a agarrar o smartphone.

É confortável na mão e não chega a ser nem muito pesado, nem muito grosso. Mas mesmo assim também não tem nada que o torne mais apelativo que outros equipamentos – a construção é toda ela em plástico e o único elemento em metal que existe pertence ao auscultador superior.

Saberíamos que é um equipamento LG pois na parte traseira é onde estão os botões físicos – tanto o de energia como os de volume. Essa combinação é inconfundível – ainda que já não seja apenas um exclusivo de smartphones LG – e continua a ser uma das melhores soluções para equipamentos de tamanho grande.

Mas falta-lhe apelo. Não há um elemento de design que seja ‘guerreiro’ e que ajude a diferenciar este equipamento de outros no mesmo segmento de preço dos 215 euros [valor pode variar de retalhista para retalhista].

Ecrã cumpridor

O LG K10 apresenta-se com um ecrã de 5,3 polegadas e resolução HD, mas não é na quantidade de píxeis que está o seu principal destaque: é nas cores. O dispositivo apresenta tons muito vibrantes e nada exagerados, o que é agradável no consumo de conteúdos multimédia.

Por outro lado é um ecrã que não tem níveis de brilho muito elevados e sob forte luz solar pode ser um problema conseguir navegar nas redes sociais ou navegar na Internet.

A resolução é suficiente e mesmo sendo apenas HD nunca passa a ideia de conteúdos desfocados ou com pouca resolução. Quanto aos ângulos de visão não são totalmente perfeitos, mas são bastante generosos – quem estiver a olhar inclinado para o equipamento não vai notar uma grande degradação nas cores.

Fotografia, o melhor do dispositivo

O sensor de 13 megapíxeis do LG K10 é bom e devolve resultados muito superiores aos da média de outros smartphones com câmaras de 13 megapíxeis. Este tem sido aliás um apanágio em equipamentos da fabricante sul-coreana: mesmo não tendo tradição na área da fotografia como a Sony ou a Samsung, a LG tem conseguido desenvolver sensores de imagem de boa qualidade.

Partilhamos aqui alguns exemplos para que possa também o leitor atestar os bons recortes dos elementos, a boa captação de tonalidades e também a boa resposta aos diferentes contrastes das composições.

Fica no entanto claro que consoante a luminosidade natural vai baixando, o smartphone tem mais dificuldade em lidar com os diferentes elementos da fotografia, talvez mais dificuldade do que seria de esperar olhando para os resultados que é possível obter durante o dia.

Os ‘desapontamentos’

Se até aqui tínhamos um smartphone razoavelmente interessante, existem dois pontos que durante os nossos testes fizeram vacilar a análise: desempenho do software e autonomia.

O software apesar de ser fluído nas operações mais básicas, como navegar nos menus, aceder às fotografias ou visitar o Instagram, mostra alguns engasgos quando tenta puxar mais pelo equipamento. E isto significa tentar trocar duas aplicações de forma rápida ou aceder a uma aplicação mais ‘pesada’ e que vai automaticamente gerar um período de arranque de alguns segundos.

Não é que seja um equipamento mau, mas não entrega a mesma simplicidade e fluidez que um Moto G ou um Zenfone 2 entregavam no seu tempo, por exemplo. É um dispositivo que serve perfeitamente para o dia a dia se não for um utilizador exigente, mas se é mais exigente ao nível da fluidez talvez deva considerar outras opções.

Nos testes da Antutu saiu-se com um resultado de 20.360 pontos, o que o coloca mais ou menos a meio da tabela. Consegue executar jogos recentes como o Mekorama sem grandes problemas, apesar de a gráfica Mali 306 ser relativamente modesta. Mas isso é agora e nas primeiras semanas de vida. Como será daqui a uns meses? Não temos uma previsão científica, mas a tendência é para que o dispositivo venha a ficar gradualmente mais lento e tenha dificuldade em suportar novas aplicações. Mas este não é só um problema do LG K10, é um problema da maior parte dos smartphones de média gama – são pensados para o agora e por vezes mostram-se maus investimentos para o amanhã.

O hardware do K10 é decente – processador Snapdragon 410 de quatro núcleos a 1,2Ghz, 1,5 GB de RAM, armazenamento de 16 GB – e o Android 5.1.1 que vem de origem pode até receber no futuro uma atualização de software que o torne mais eficiente.

E eficiência é de facto outra área que precisa de ser melhorada. O LG K10 tem uma bateria de 2.300 mAh, mas se fizer uma utilização intensiva do smartphone ele não vai chegar para um dia. Uma utilização moderada só lhe vai chegar para um dia completo e pouco mais. E já vimos por outros equipamentos, como o Alcatel Onetouch Go Play, que mesmo telemóveis mais baratos conseguem apresentar uma autonomia superior a um dia.

Talvez seja o ecrã de cores vibrantes que faz a bateria esgotar-se mais depressa. Talvez seja o software pouco otimizado e que obriga o equipamento a iniciar e repetir mais processos. Talvez seja. Mas o que sabemos é que a autonomia podia e devia ser melhor para um equipamento deste segmento.

Para finalizar

A LG quis fazer um smartphone mediano e que pudesse lutar neste segmento que é tão popular no mercado português. A missão podemos considerá-la concretizada. Agora a questão é: terá sido bem concretizada?

A nossa opinião é que a LG podia ter ido um pouco mais além com o K10. O smartphone consegue ser bom em dois dos elementos mais importantes – ecrã e câmara fotográfica -, mas depois fica aquém das expectativas ao nível do desempenho e da autonomia. Para equipamento mediano, ficou-se por aí mesmo.

Temos visto o LG K10 constantemente listado nas promoções dos retalhistas de eletrónica e o preço do equipamento está muitas vezes nos 175 euros. Para os 215 pedidos ‘normalmente’ é uma diferença considerável. E já é uma diferença que pode também ajudar o consumidor a fechar os olhos às qualidades menos interessantes do equipamento.

O LG K10 é um smartphone que cumpre bem, mas não é memorável – sobretudo sabendo que a tecnológica sul-coreana está agora a fazer uma aposta muito diversificada nos equipamentos de gama média.



LG K10
Ecrã de cores vibrantesEcrã de tamanho generosoBoas fotografias
Design de baixo impactoSoftware inconsistenteAutonomia devia ser melhor
6.7Em 10
Design e construção7
Ecrã7
Fotografia8
Performance6
Autonomia6
Software6
Votação do Leitor 5 Votos
7.4