Foi considerado por diferentes publicações como melhor jogo, melhor banda sonora original, melhor jogo para Playstation 2 , melhor visual e melhor jogo de aventura… Podíamos continuar a lista, mas não vale a pena, pois estamos a falar daquele que é um dos jogos mais aclamados de sempre pela crítica especializada: Shadow of the Colossus.

Originalmente lançado em 2005 nos Estados Unidos e Japão, e em 2006 na Europa, o título pensado por Fumito Ueda e desenvolvido pela Sony Interactive Entertainment – Japan Studio chega agora à Playstation 4 numa versão retrabalhada de raiz para suportar novos gráficos, a tecnologia High Dynamic Range (HDR) e definição Ultra HD quando jogado na versão Pro da consola da Sony.

No caso de um jogo como Shadow of Colossus a responsabilidade é grande, pois é necessário preservar aquilo que tornou o jogo icónico ao mesmo tempo que se lhe dá uma roupagem moderna para apelar a toda uma nova geração de jogadores. Será que a idade pesou nos colossos?

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Colosso a colosso a tristeza aumenta

Shadow of the Colossus é o exemplo perfeito de como uma narrativa simples, aliada com um trabalho artístico de alta qualidade e um gameplay diferenciador consegue fazer maravilhas.

Sobre a história de cada uma das personagens pouco sabemos, apenas que a narrativa do título decorre numa região conhecida como as ‘Terras Proibidas’, onde o protagonista Wander tem como objetivo ressuscitar a jovem Mono que terá sido sacrificada por se acreditar que o seu destino estava amaldiçoado.

Ao chegar às ‘Terras Proibidas’ na companhia do seu cavalo Agro e do corpo de Mono, Wander encontra um templo onde Dormin, um ser espiritual, lhe diz que poderá existir uma forma de devolver um espírito ao seu corpo. Para isso Wander terá que destruir os 16 ídolos presentes no templo. Cada ídolo é representado por um colosso que habita as ‘Terras Proibidas’ e que Wander deverá derrotar apenas acompanhado por Agro e usando a ‘Espada Antiga’ para se guiar.

Como em qualquer boa narrativa existe um twist, mas como não somos adeptos de spoilers o melhor é descobrir essa reviravolta num mano a mano contra os colossos.

Os primeiros dois colossos funcionam como uma espécie de tutorial, no qual vai perceber como derrotar estas criaturas de proporções épicas e qual a melhor forma para fazê-lo. Por exemplo, dependendo das características de cada colosso por vezes pode até precisar de uma ajuda preciosa de Agro. Com a chegada do terceiro colosso chega também a dificuldade, mas não se preocupe, porque Dormin está lá para lhe dar umas dicas de como dominar o gigante.

Pode não existir muito mais para lhe contar sobre a narrativa de Shadow of the Colossus, mas acredite que a tristeza e a culpa vão começar a apoderar-se de si. Colosso a colosso vai tornar-se cada vez mais difícil do ponto de vista emocional acabar com estas criaturas… É que elas estão lá, adormecidas, a proteger o mundo que lhes pertence e só acordam quando nós nos aproximámos de forma egoísta para as destruir.

Talvez seja este toque na narrativa que faz com que o jogo, 12 anos depois, continue a ser visto como um dos melhores jogos de sempre e tenha tido uma tremenda influência para a indústria do gaming tal como a conhecemos hoje em dia.

Shadow of the Colossus

 

Nem tudo é perfeito, mas está lá perto

O gameplay de Shadow of the Colossus é relativamente linear – como já dissemos anteriormente são 16 os colossos para derrotar. Para derrotar cada colosso é necessário encontrar os seus pontos fracos, que vão brilhar ao serem atingidos pela luz refletida pela ‘Espada Antiga’, depois de encontrar estes pontos é que vem a parte difícil, como subir para cima da criatura gigante e escalar pela melhor rota de forma a conseguir resistir, enquanto o colosso tenta sacudi-lo.

Wander consegue agarrar-se com alguma firmeza, mas tenha em atenção que no canto inferior direito do ecrã existe um círculo preenchido a amarelo – quanto mais pequeno for o círculo menos força tem, pelo que é importante encontrar zonas em cada colosso que lhe permitam descansar e recuperar energia.

Depois de matar o colosso o jogador volta ao início, ao templo, onde conhece o seu próximo adversário e começa a jornada para o encontrar, tudo isto multiplicado por dezasseis. Entre o templo e a localização do colosso, vai viajar com a ajuda de Agro e não vai encontrar grandes dificuldades, apenas pontes para atravessar ou montanhas para contornar.

Parece aborrecido? Talvez fosse, mas é preciso ter em conta que a cada viagem vai passar por paisagens maravilhosas. E se estas paisagens já eram algo de surpreendente na PlayStation 2 e mais tarde em HD na PlayStation 3, imagine numa PlayStation 4 Pro em mono ‘cinematic’… São algo do outro mundo.

O nível de detalhe em cada paisagem é impressionante, desde as montanhas, aos lagos com estruturas abandonadas ou até mesmo quando tem que cavalgar pelo deserto. Uma viagem que poderia parecer um pouco aborrecida acaba por ser uma possibilidade para contemplar o encanto único das ‘Terras Proibidas’.

Num título produzido em 2005 e que já vai na terceira geração de consolas não deverá ser fácil encontrar erros grosseiros, mas nem tudo é perfeito neste Shadow of the Colossus. Os controlos são simples de perceber e dominar o que devia tornar algo como explorar o mapa ou escalar um dos colossos uma tarefa sem grandes complicações, mas a verdade é que em ambas as tarefas encontrámos algumas dificuldades. Ao explorar o mapa com a ajuda de Agro por vezes ficámos presos em zonas sem obstáculos e nem sempre é fácil controlar o nosso amigo de quatro patas, pois a câmara não é fixa e isso pode levar-nos para direções não desejadas.

Ao escalar um colosso o problema mantém-se com a câmara, que não sendo fixa roda sempre para a posição original e acabamos por ficar com visibilidade reduzida e sem conseguirmos continuar a escalada. Também aqui por vezes ficámos presos em zonas que não deveriam apresentar qualquer obstáculo. São erros que facilmente esquecemos quando estamos envolvidos no jogo, mas a verdade e que esperávamos que 12 anos depois estas situações tivessem sido ajustadas.

Shadow of the Colossus

 

Banda sonora cativante

São 42 temas em cerca de 75 minutos que ajudam a intensificar todas as emoções que Shadow of the Colossus desperta em nós. Composta por Kō Ōtani, a banda sonora é em parte responsável pelos bons momentos que passámos a apreciar as extensas paisagens que o título da SIE – Japan Studio nos oferece, mas ao mesmo tempo também é responsável por aquele sentimento de culpa do qual falámos anteriormente.

A banda sonora está sempre lá, nos bons e maus momentos, e acaba por ser a nossa companhia ao longo de toda a narrativa. 

Feita à medida para o estilo inconfundível de Shadow of the Colossus, a obra do compositor japonês acaba por dar mais sentido à narrativa, ajudando cada jogador a sentir-se mas ligado ao jogo, o que resulta num nível de imersão surpreendente, principalmente em batalha.

Shadow of the Colossus

 

Considerações finais

Deveria ser simples saber se este jogo é para si ou não, as contas não são complicadas. Basta responder a esta questão: já alguma vez jogou Shadow of the Colossus?

– Se respondeu sim, então volte a pegar no jogo, pois todas as alterações deste remake ajudaram a criar um Shadow of the Colossus ainda melhor;

– Se respondeu não, então está na hora de redimir-se dessa falha que é nunca ter viajado pelas ‘Terras Proibidas’;

Viu? As contas parecem fáceis… mas não são. É verdade que a narrativa é a mesma e que a nova versão para a PlayStation 4 não acrescenta conteúdo novo – algo que pode ser pouco apelativo para quem já jogou Shadow of the Colossus de fio a pavio. Mas acredite quando lhe dizemos que a transformação visual de Shadow of the Colossus fazem deste título um ‘must have’ mesmo para aqueles que já jogaram as versões anteriores.

É difícil prever o sucesso do título na mais recente consola da Sony, mas podemos afirmar que Shadow of the Colossus arrisca-se a ser, novamente, um dos exclusivos mais icónicos da PlayStation. O jogo fica disponível a 7 de fevereiro.

 

N.R.: Shadow of the Colossus foi analisado com uma cópia do jogo disponibilizada pela Sony Interactive Entertainment PortugalBanner Patreon Future Behind

Shadow of the Colossus
Narrativa envolventeGraficos de topoBanda sonora de qualidade
Câmara inconstante Pouca emoção entre cada colossoPersonagem fica presa em zonas sem obstáculos
8.5EM 10
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