Foi em 2007 que a Naughty Dog deu a conhecer ao mundo Nathan Drake e a saga Uncharted, na altura para a Playstation 3. A crítica foi unânime, um grande jogo com gráficos de topo e uma história fantástica. Quem também foi unânime foi o público, que premiou o título exclusivo para a consola da Sony com vendas superiores a 2,5 milhões de cópias em dois anos. Agora, 10 anos depois, temos o primeiro título da saga sem ligação direta a Nathan Drake. Será este o fim do franchise ou o início de algo novo?

Uncharted: O Legado Perdido foi pensado originalmente como um DLC (downloadable content) para Uncharted 4: O Fim de um Ladrão, mas depressa cresceu para além disso e transformou-se no primeiro jogo que não está ligado diretamente à grande personagem da franquia, Nathan Drake. Fazendo deste novo jogo um teste ao poder da saga perante os fãs, será que vamos assistir à continuação de Uncharted pela mão de outras figuras?

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As duas personagens principais deste novo título, Nadine Ross e Chloe Frazer, já nos tinham sido apresentadas em jogos anteriores, mas é em Uncharted: O Legado Perdido que assumem uma relevância muito maior, dividindo entre si o cargo de protagonistas.

Nadine Ross foi-nos apresentada em Uncharted: O Fim de um Ladrão como uma mercenária líder da Shoreline, uma organização paramilitar contratada por Rafe Adler para ajudar a encontrar a colónia pirata de Libertalia. Nadine que teve o papel de antagonista secundário em Uncharted 4 surge agora com uma postura diferente e com uma importância acrescida.

A personagem principal do jogo O Legado Perdido é Chloe Frazer, uma caçadora de tesouros que foi-nos apresentada ainda nos tempos de Uncharted 2, tendo por isso já alguma experiência como uma personagem central e sempre foi vista como uma das pessoas mais importantes para Nathan Drake. Teve também passagens por Uncharted 3 e foi apenas referenciada em Uncharted 4. 

Esta parceria improvável entre Nadine e Chloe explica-se pelo facto de terem um objetivo comum e que é o mote para esta nova aventura do mundo de Uncharted: encontrar a Presa de Ganesh, uma relíquia de grande valor histórico e, nas mãos certas, comercial.

Uma narrativa única e a jogabilidade de sempre

Uncharted: O Legado Perdido transporta-nos para a Índia, onde temos como missão ajudar as nossas protagonistas na procura da Presa de Ganesh, um artefacto da cultura Hindu que muitos já procuraram, mas que nunca foi encontrado. Como já é apanágio das aventuras de Uncharted, Nadine e Chloe terão que passar por diferentes puzzles e contam com a nossa ajuda para resolver os quebra-cabeças que nos vão sendo apresentados nas diferentes etapas do jogo.

Para além destes puzzles temos ainda que ultrapassar um verdadeiro exército. Nesta nova demanda o antagonista é Asav, também ele um mercenário que entra na corrida para encontrar a Presa de Ganesh, o que acabou por nos trazer batalhas de cortar a respiração e alguns momentos de verdadeiro stress.

Tal como nos jogos passados da franquia, somos levados para cenários exóticos cheios de ruínas de antigas civilizações, o que nos mostra que a fórmula usada em Uncharted 4 funcionou e continua a funcionar para a Naughty Dog. 

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A forma de abrir portas trancadas ou arcas é bastante semelhante e até a tipologia de puzzles é bastante parecida com os que encontrámos nos outros títulos da franquia. A grande alteração que notámos, tendo como comparação Uncharted 4, foi o modo de luta. Dado que já não contamos com a força de Nathan ou Sam Drake é possível perceber que a luta corpo-a-corpo é mais tática e menos agressiva por parte de Chloe Frazer.

A jogabilidade deste novo título não sofre grandes alterações, o que seria de esperar dado que, embora de forma isolada, este jogo é uma expansão de Uncharted 4: O Fim de um Ladrão e não uma sequela do mesmo. Aqui a Naughty Dog podia ter sido mais ambiciosa e ter dado algo de novo aos fãs. Compreendemos que o jogo se trata de uma expansão, mas ao mesmo tempo é algo completamente independente de Uncharted 4: O Fim de um Ladrão, pelo que se poderia pedir e esperar algo mais para além da nova narrativa.

Algo que notámos no desenrolar deste jogo foi a facilidade com que os diferentes puzzles eram concluídos, talvez por já estarmos habituados ao universo Uncharted, mas como também grande parte dos outros jogadores vão estar habituados, teria sido bom ver algo novo neste campo.

Uma última referência aos puzzles puxa-nos para o que pode ser visto com um dos únicos aspectos negativos do mais recente título exclusivo para consola da Sony: ao passar uma sala cheia de armadilhas que nos podem tirar a vida deixamos caminho aberto para que a nossa companheira passe essa mesma sala sem ativar nenhuma das armadilhas, o que é que podemos concluir com isto? Ou somos os primeiros humanos a passar por aquela sala ou então estamos perante algo que poderia ter sido mais polido por parte da Naughty Dog.

A nível das ferramentas que temos disponíveis para a progressão no jogo basta dizer que continuam iguais a Uncharted 4. Por exemplo, a corda que nos permite saltar longas distâncias ou mesmo chegar a locais que seriam inalcançáveis sem ela, apresentada no título anterior, continua disponível nesta expansão.

Um novo item foi implementado em Uncharted: O Legado Perdido – um smartphone. A inclusão de smartphones em jogos não é algo novo, exemplos como Watch Dogs mostram-nos que o smartphone pode ser uma ferramenta bastante útil também em ambiente de videojogo. Em Uncharted o smartphone é bastante básico e tem a simples função de tirar fotografias que depois estão disponíveis para serem visualizadas durante ou no final do jogo. Com Uncharted 4: O Fim de um Ladrão a ser um jogo bastante nostálgico, será esta a forma da nossa protagonista criar memórias para o futuro?

Novo smartphone que nos permite fotografar certos momentos do jogo. #Crédito: Future Behind

Relativamente ao ambiente em si, a viagem das nossas protagonistas pela Índia traz-nos cenários maravilhosos que em tudo nos fazem lembrar os cenários do título passado – há inclusive uma perseguição automóvel que parece uma fotocópia da existente em O Fim de um Ladrão. Quer saber mais sobre a nova narrativa de Uncharted? Preferimos fazer uma análise sem grandes spoilers e que permita aos jogadores aproveitarem cada uma das surpresas que vão sendo apresentadas – a boa notícia é que não será preciso esperar muito mais, o jogo fica disponível já no dia 23 de agosto.

Grafismo? O mesmo!

Uncharted: O Legado Perdido tem uma narrativa de classe, como a Naughty Dog já nos habituou, mas é essa a única novidade do jogo. A nível gráfico nada foi alterado, as paisagens continuam a ser maravilhosas e com uma gama de cores fantástica. Continuamos a ter o modo de fotografia que nos permite captar imagens perfeitas dado que podemos alterar desde o nível de contraste à profundidade de campo da imagem – arriscamos a dizer que temos um verdadeiro editor de imagens dentro do jogo.

A melhor forma de perceber o nível de exigência gráfica deste jogo será mesmo jogá-lo, mas enquanto não o faz fique com a nossa galeria de imagens [Imagens captadas através do modo fotografia numa Playstation 4 Pro]:

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Considerações finais

O novo título tem tudo para ser um sucesso de vendas. Tem a jogabilidade e o trabalho gráfico que os fãs da saga já estão habituados, lado a lado com uma nova história que promete deixar saudades. As novas protagonistas de Uncharted estão à altura dos acontecimentos e conseguiram, sem dúvida alguma, fazer esquecer os irmãos Drake por grande parte das sete horas que nos levou a terminar este título. 

Como referimos no parágrafo anterior, as novas protagonistas estão à altura dos acontecimentos, e até conseguiram trazer uma positiva lufada de ar fresco a saga Uncharted, mas serão elas o que a Naughty Dog precisa para dar continuidade a saga? Serão o suficiente?

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Ter personagens femininas como protagonistas de videojogos é um factor de diversidade positivo e cada vez mais comum na indústria do gaming, mas não basta ter algo novo para agarrar os jogadores. É necessário ter uma personagem forte, carismática e que seja fácil de se gostar. Chloe Frazer tem isto tudo e conta com uma grande ajuda, a narrativa de topo que os fãs de Uncharted já estão habituados. Por isso sim, Chloe e Nadine poderão ser o que a Naughty Dog precisa para dar continuidade ao franchise Uncharted, mas não o farão sozinhas… Precisarão sempre de ter uma história forte a apoiá-las, daquelas que nos deixa colados ao ecrã.

Jogámos Uncharted: O Legado Perdido do princípio ao fim numa Playstation 4 Pro, o que nos permitiu tirar o máximo do trabalho gráfico do jogo, mas acreditamos que mesmo na Playstation 4 o jogo apresentará uma qualidade acima da média, o que coloca este título lado a lado com jogos como Horizon Zero Dawn, um dos mais aclamados pela crítica especializada tendo em conta o seu aspeto visual.

Resta-nos saber: será este o começar de um novo legado para a saga Uncharted ou apenas um adeus em forma de agradecimento que a Naughty Dog deixa aos fãs? 

N.R.: A versão testada de Uncharted: O Legado Perdido foi cedida pela Sony Interactive Entertainment Portugal

Uncharted: O Legado Perdido
Gráficos brilhantesNarrativa envolventeJogabilidade intuitiva
História pouco desenvolvidaPuzzles demasiado simplesPaisagens muito parecidas a Uncharted 4
9EM 10
Design10
Jogabilidade9
Narrativa8
Sonoridade9
Votação do Leitor 5 Votos
6.9
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