Já lá vai um bom tempo desde que tive a oportunidade de jogar um jogo indie, mas para esta análise meti mãos à obra e peguei na Nintendo Switch para um Nindie. O título do jogo poderia dar uns cobres extra a Wario mas a verdade é que a ribalta deste título pertence a Robbie Swifthand.

A premissa do jogo passa por nos contar a história de um ladrão chamado Robbie Swifthand que, sem querer, encontrou o caminho para um templo abandonado que, devido a este acidente, o irá levar até algo que não deveria ser perturbado.

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Em Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries, o jogador será encontrado por uma entidade que lhe irá dizer que a humanidade está a passos de ser extinta por um espírito maligno que está encerrado no templo onde se encontra e claro que o papel do nosso ladrão passa por salvar a humanidade… A única maneira de o prender de uma vez por todas é colecionar três cristais para o aprisionar.

Mas, Robbie Swifthand, sendo um ladrão não está muito preocupado com o que poderá acontecer ao resto da Humanidade estando apenas interessado em apanhar as riquezas e metê-las no bolso… vai, certamente, precisar de ser incentivado a fazer o correto. Como forma de incentivo, o espírito (o bom, pois está claro)  diz que se o nosso ladrão o ajudar a derrotar este mal será recompensado e sai do templo como a pessoa mais rica do mundo. Pondo os pontos nos i’s, Robbie Swifthand vai ajudá-lo, mas só pelo tesouro prometido.

Ao longo do jogo, terás a possibilidade de ter diferentes caminhos para chegar ao final de cada nível. Portanto, se fores um daqueles jogadores que gosta de ter tudo a 100%, terás mais de 90 níveis para escolher. Mas se, no entanto, quiseres chegar ao fim de um mundo de forma mais rápida, poderás seguir o caminho mais direto até ao final.

Cada nível tem como principal objetivo apanhar um pequeno cristal e mandá-lo para um portal colorido para assim abrir a porta de saída, evitando as várias armadilhas espalhadas, sem morrer. Simples, certo? Para alguns níveis, sim, é relativamente simples. Mas para outros, poderás ficar preso na mesma secção de um nível por 10 ou 15 minutos. Quando estava a chegar ao fim do primeiro mundo, pouco antes do primeiro Boss, estava constantemente a morrer por causa de uns machados que não tinha ideia alguma de como os atravessar. No entanto, depois de tentar repetidamente, finalmente passei por eles. A sensação de realização foi incrível, se não um pouco curta, pois imediatamente após passar pelos machados… Uma pedra caiu do teto e esmagou-me.

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Robbie é o protagonista mais invejável que já joguei e compara-lo com o Wario da Nintendo, a ideia de jogá-lo em covas cheias de espinhos foi bastante atraente, para dizer o mínimo! Como um jogador hardcore de plataforma 2D, o facto do jogo mostrar o seu estilo com diferentes maneiras de passar as plataformas e armadilhas, antes de nos atirarmos de cabeça nele, impressionou bastante. No entanto, quanto mais níveis passarmos mais difíceis serão — Desde eixos oscilantes que exigem um timing perfeito, passando por bolas com pontas espinhosas que nos perseguem ao longo do nível, a jogabilidade vai sempre mudando, fazendo com que nunca fique aborrecido! Um toque agradável neste jogo, que reforça a sua capacidade de sobrevivência, já que o mesmo usa armadilhas antigas com as quais iremos acostumar-nos, além de introduzir novas armadilhas nos níveis mais à frente.

Não irão encontrar inimigos durante o jogo, exceto nas batalhas contra os bosses que são épicas com as suas dificuldades e gráficos. O primeiro boss que encontramos é um rosto gigantesco com dois punhos três vezes maior que Robbie! Para derrotar o boss, terão de se esquivar dos seus enormes punhos e pegar nos cristais que ele derruba.  Depois de os agarrar, terão de os atirar contra os seus olhos para os cegar temporariamente e dar uma boa dose de dano no rosto. No entanto, o boss não tem uma barra de saúde para estarem a par da vida dele, portanto terão de se safar até derrotá-lo. Cada boss tem a sua própria maneira de tentar derrotar Robbie e também tem a sua própria maneira de ser derrotado. Não vos vou dar uma ajuda para os outros bosses, isto não é um guia!

Depois de derrotar um Boss, Robbie recebe um power-up que o vai ajudar nos níveis subsequentes; os power-ups variam de uma simples habilidade de salto duplo até à capacidade de voar. Quanto mais se joga, mais usamos esses power-ups. Quer seja um salto duplo para alcançar uma nova saliência para obter os cristais, ou voar delicadamente por um corredor com um piso de lava e picos. Como o Robbie não tem nenhuma arma ou poderes próprios, estes pequenos power-ups são muito úteis mais tarde no jogo.

LUZ

Os visuais deste jogo são estranhamente lindos. O design 2D tem uma qualidade quase 3D graças à iluminação nos níveis. Às vezes, a luz reflete em Robbie de tal forma que eu ficaria ali parado e ficaria maravilhado com a forma como criaram elementos de iluminação tão perfeitos. Honestamente, para um jogo de plataformas 2D indie, alguns designers de jogos AAA podem tirar anotações e aprender com a Pixel Reign quando se trata de iluminação.

Quando Robbie morre, uma pequena quantidade de respingos de sangue também fica nas paredes, o que ajuda a lembrar onde estão as armadilhas escondidas. Além disso, onde o corpo de Robbie morre, um “espírito” azul permanece na área para nos lembrar de não ir a determinados lugares ou de pular alguns buracos. Os efeitos de partículas dentro do jogo são bem-feitos para um jogo de plataforma 2D. A poeira que Robbie faz ao correr e a ativação das armadilhas realmente dá a sensação que estamos numa tumba que não é explorada há milhares de anos.

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Obviamente, sendo um jogo de plataformas 2D, não esperamos a física de partículas com alta qualidade, mas o que se adquire aqui encaixa-se perfeitamente com a estética do jogo. O jogo tem uma ótima palete de cores que funciona… Os primeiros níveis são cinzentos e escuros, dando-lhe uma sensação de mau presságio que vem de mãos dadas com a exploração no fundo de um túmulo sem saída. Conforme o jogo avança, também temos vislumbres de arbustos verdes e o cenário ilumina-se um pouco para dar um toque fresco. Só para depois, então, sermos empurrados de cabeça para o que pode ser descrito apenas como o verdadeiro Inferno, cheio de lava e chamas à nossa volta. A iluminação das chamas é bastante boa; contra o pano de fundo escuro, as chamas ardentes do Inferno parecem requintadas, brindando-nos com vida.

SOM

O design de som é o que se esperaria de um jogo de plataformas hardcore de ritmo acelerado. O ritmo rápido e a urgência da música fazem com que queiramos acelerar o nosso ritmo, e se forem como eu, morrer repetidamente no processo. No entanto, quando aproveitei o meu tempo e desliguei a música por completo, descobri que era capaz de passar os níveis muito mais facilmente.

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Quando falamos de Robbie podemos dizer que a personagem principal não fala, fazendo somente um estranho grunhido ou um grito de agonia. O espírito que encontramos fala numa estranha língua que fala de trás para a frente, o que é uma escolha muito inteligente, pois nós podemos entender o que ele está a dizer… mas também existem palavras que parecem ter sido inventadas. Ao longo do jogo também iremos conhecer uma rapariga fantasma que fala com Robbie, mas ela fala com um idioma diferente; soando a uma mistura de Espanhol e Português juntos. O som ambiente são ótimos, joguei Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries através dos meus auscultadores e realmente podia ouvir todas as armadilhas que se ativavam ao meu redor nos corredores.

Controlos

Os controlos até são fáceis de usar; a esquerda é a esquerda e a direita é a direita. Ao iniciar o jogo, fiquei imediatamente preocupado porque este jogo usa o botão “B” como o seu botão principal. Se eu quisesse selecionar qualquer coisa no menu, tinha que usar “B” para selecionar e não “A”, o meu cérebro não estava preparado para isso. Pesquisei alto e baixo no menu e não consegui encontrar um lugar para alterar a seleção de botões. Tudo o que consegui encontrar foram as configurações de áudio. Para mim, como jogador Nintendo Switch, usar o “B” como o botão para saltar foi frustrante, tendo em conta que estou mais acostumado com ao “A” como o botão de salto padrão na maior parte dos jogos. Parece que foi feito intencionalmente para nos forçar a usar controlos diferentes. Mas como o jogo é difícil o suficiente de qualquer maneira, não julgo que tenha sido necessário fazer isto… O “A” como botão principal iria funcionar lindamente.

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O próprio Robbie comporta-se muito bem com os controlos. Não parece flutuar desnecessariamente quando o mandamos saltar e também não desliza sobre superfícies sólidas. Isto é exatamente o que se quer de um jogo com este estilo de jogabilidade, um personagem sólido com controlos sólidos. O único problema recorrente que tive foi que quando usava o analógico para agachar, acidentalmente pressionava um pouco e o personagem começava a gatinhar primeiro, onde algumas vezes eu não queria, quando há um machado a balançar de um lado para o outro e sem espaço para nos baixarmos.

Considerações finais

Agora, eu não sou um jogador que se lance voluntariamente  em jogos que criam raiva e estava um pouco preocupado que tivesse recebido um jogo que iria criar buracos na minha sanidade (e nas minhas paredes também). Mas, por mais hardcore que este jogo seja, não o trataria como um indutor de raiva. Sim, houve momentos em que morri pela mesma coisa, repetidamente, mas ao invés de ficar frustrado, foquei-me mais em como contornar isso. Eu não sei se é porque o personagem principal é tão desagradável ou se cresci como pessoa… deixarei essa decisão para vocês, os nossos leitores.

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Este é um ótimo jogo de plataformas 2D hardcore. É um jogo em que já registei várias horas e que sei que lhe vou voltar a pegar novamente. Para o preço, penso que é perfeito. É um ótimo jogo para se sentar e preparar-se para o que aí vem. Não envolve muita estratégia ou raciocínio difícil, podemos simplesmente arranjar um local confortável, relaxar e jogar Robbie repetidamente em covas de espinhos após o fosso de espinhos.

Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries - Visuais estranhamente lindos
Jogabilidade promissoraVisuais impressionantesTraz sempre algo inovador
Usar o botão “B” para saltar, quando uma pessoa está habituada ao "A"Pequeno problema com o analógico que em vez de o baixar, faz com que gatinhe o que leva a muitas mortesNão que fosse necessário, mas este jogo devia ter um editor de níveis
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