A história começa…

Em dezembro de 1995 apareceu um jogo de arcade de luta de nome Soul Edge, desenvolvido pela equipa Project SouI, um grupo da Namco com um gosto especial por jogos de luta. Um ano depois, este jogo foi lançado para a Playstation, tendo o nome sido alterado para Soul Blade. Devido ao sucesso e boas críticas, em 1998 foi lançado para arcade uma sequela com o nome que viria a marcar as próximas gerações, Soulcalibur.

A versão para consola foi lançada em 1999 exclusivamente para Dreamcast, sendo esta a versão que os mais antigos jogadores da série se lembram com bastante nostalgia. O jogo foi globalmente aclamado como um dos melhores jogos de luta de sempre, tendo recebido diversos prémios e várias pontuações máximas pelos críticos de videojogos da altura.

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Quase 20 anos depois, em outubro de 2018, é lançado o sétimo jogo da série, Soulcalibur VI.

Em vez de seguir a história dos jogos anteriores, a Project Soul decidiu que esta versão seria um reimaginar do primeiro Soulcalibur, mantendo sempre a sua essência e estilo de luta, incluindo as melhorias técnicas das novas gerações.

Nova arma, a mesma alma

A mecânica do jogo é semelhante à maioria dos jogos de luta. Um campo tridimensional, com dois personagens que tentam reduzir a barra de vida do seu oponente a zero, utilizando combinações dos seus diversos ataques e carregando habilidades para serem usadas nos momentos certos. Contudo, apesar dessa semelhança, Soulcalibur tem uma característica que o torna diferente dos restantes e que é a essência do jogo. Cada personagem tem uma arma que determina a força e mobilidade o que lhes confere um estilo de luta bastante próprio, não havendo dois personagens com o mesmo tipo de jogabilidade.

O jogo começa com 20 personagens desbloqueados havendo a possibilidade de desbloquear uma personagem extra caso as condições certas sejam alcançadas.

Mesmo sendo este jogo um reimaginar do original foram introduzidas duas novas personagens às já conhecidas da história, o misterioso Groh com a sua arma Aerondight, duas espadas unidas como bastão, e Azwel o novo vilão da história capaz de invocar um conjunto de armas ao seu gosto.

Foi também incluído no jogo um personagem convidado, Geralt conhecido do jogo The Witcher. Este personagem tem um estilo de luta que combina o uso das suas espadas com símbolos mágicos.

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Mesmo com o vasto conjunto de personagens já incluídos, foi anunciado que mais personagens estariam disponíveis através de conteúdos descarregáveis pagos. Apesar desta estratégia ser uma boa forma de introduzir novos personagens e garantir suporte para o jogo, o primeiro conteúdo disponibilizado no primeiro dia do jogo foi a Tira, uma personagem que, desde a sua primeira aparição em Soulcalibur III, esteve sempre disponível estando agora disponível apenas através de um novo pagamento. Sendo esta uma personagem favorita de muitos jogadores, esta decisão levantou muitas questões sobre a estratégia futura da Bandai Namco.

Um outro ponto forte da série Soulcalibur face aos restantes jogos do mesmo gênero é a ferramenta de criação de personagens. O jogador tem a possibilidade de criar até 100 novos personagens de um vasto conjunto de raças, alterando o tamanho do modelo e atribuindo uma das armas dos personagens principais. Aqui as capacidades de customização são praticamente infinitas, tendo a comunidade de fãs já dado provas da sua originalidade coletiva criando lutadores como a Marge Simpson da série televisiva Simpsons, Thanos do universo da Marvel ou até mesmo personagens de outros jogos como Mercy de Overwatch ou um Pikachu bastante musculado.

Mantendo a tradição, a jogabilidade é bastante simples de se compreender, existindo quatro ações principais que o jogador pode executar: ataque vertical, ataque horizontal, ataque físico e bloquear. Estas ações, em combinação com os botões direcionais permitem executar as diferentes combinações possíveis no jogo. Esta simplicidade que permite perceber a mecânica básica do jogo é o que o torna um ponto de entrada ideal para os iniciados nos jogos de luta.

Existe também uma barra de ataque especial que vai crescendo conforme o jogador dá e recebe dano. Após estar cheia, é possível executar um ataque especial ou colocar o personagem num modo de fúria o que aumenta, durante um período de tempo, o poder de ataque desse mesmo personagem.

Nesta nova versão foi também introduzida uma nova mecânica de jogo conhecida como Reversal Edge, que permite ao jogador contra-atacar o oponente num momento cinemático em câmera lenta. Neste modo ambos os jogadores podem introduzir um comando de ação. As diferentes ações, atacar, agarrar e defender, funcionam num sistema de pedra-papel-tesoura o que, caso os dois jogadores sejam humanos dá origem a jogos mentais bastante interessantes, tornam-se um pouco aleatórios quando estamos a jogar contra um computador sem personalidade.  

Que posso eu fazer?

A maioria dos jogos de luta são feitos a pensar na vertente competitiva. O modo de um jogador é muitas vezes descurado e baseia-se na existência da possibilidade de se ter lutas sequenciais contra o computador. Mesmo assim, Soulcalibur tem o cuidado de dar bastante conteúdo para aqueles que preferem saborear o jogo sem se focar em memorizar padrões e combinações elaboradas ou quem simplesmente prefere jogar sozinho. Para além dos tradicionais modos de Arcade, Versus e Treino, foram incluídos dois modos de história completamente distintos.

O primeiro, Libra of Soul é um novo modo onde o jogador terá de criar um personagem que, conforme for progredindo na história, vai ganhando níveis, colecionando itens e adquirindo novas armas para se tornar mais forte. No desenrolar da história o jogador é confrontado com diversas escolhas que irão fazer a balança da alma do seu personagem tender para o lado do bem ou do mal o que, por sua vez, irá influenciar a performance da arma escolhida caso estejam de acordo com o alinhamento da arma.

Este modo aproxima-se mais de um role-playing game que de um jogo de luta e teria todo o potencial para ser bastante interessante. No entanto a história é exposta através de longos textos, sem qualquer voz e com algumas imagens dos personagens que estão a falar. O uso de cutscenes é bastante reduzido e teriam sido uma excelente opção para tornar a visualização da história mais interessante para o jogador. Mas como tal não foi o caso é provável que este modo acabe por aborrecer a maioria dos jogadores.

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O segundo modo, Soul Chronicle, segue uma estrutura mais tradicional dos jogos Soulcalibur, contando a nova versão da história original. Aqui é apresentado um conjunto de linhas temporais para cada personagem que contam a aventura do mesmo e qual o seu papel na história global. À semelhança do outro modo a história é apresentada com imagens, como se de pinturas de um livro se tratasse, no entanto aqui as cenas são todas vocalizadas. Apesar da qualidade de algumas performances poder não agradar a todos, são boas o suficiente para tornar este modo bastante mais interessante e cativante, ajudando a perceber a história de cada personagem.

Considerações finais

Soulcalibur VI é sem dúvida um fantástico jogo de luta. Mesmo não tendo o mais vasto conjunto de personagens o facto de cada um ter o seu estilo próprio dá uma grande variedade ao jogo. Adicionando isso ao facto de ser possível criar uma infinidade de personagens, torna o jogo uma experiência única para cada jogador.

Cada combate é fluído, rápido e com mecânicas simples o suficiente para qualquer pessoa aprender a jogar rapidamente e profundas o suficiente para os jogadores mais experientes poderem desafiar as suas capacidades. Nunca alguma vez o jogo deu problemas de performance, mantendo-se sólido do início ao final do combate.

O belíssimo sistema de luta é, no entanto, prejudicado pelas restantes opções do jogo. Mesmo tendo um monte de conteúdo, os modos de história são bastante simplistas e pouco cativantes para as normas dos jogos atuais. O modo Libra of Soul tinha bastante potencial para ser mais que aquilo que se mostrou ser e o Soul Chronicle contou a história da mesma forma que era contada em jogos de 1998, podendo ter usado cutscenes para uma história mais absorvente.

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Adicionalmente, a estratégia de retirar personagens recorrentes da série para as colocar como conteúdo descarregável pago logo no primeiro dia do lançamento é uma prática demasiado recorrente na indústria e que levanta questões sobre a forma como a Bandai Namco vê os fans da série.

Mesmo com estes pontos negativos, Soulcalibur VI é um jogo bastante divertido e com um dos melhores e mais amigáveis sistemas de luta que poderá servir como ponto de entrada para o mundo dos jogos de luta.

N.R.: A análise a Soulcalibur VI  foi realizada com acesso a uma cópia da versão final do jogo para PlayStation 4, gentilmente cedida pela Ecofirma

Soulcalibur VI
Sistema de luta rápido, fluído e fácil de compreenderSistema de criação de personagens bastante completoMuito conteúdo para explorar
Modos de história pouco cativantesPersonagens retiradas para serem vendidas como DLCNova mecânica de combate com componente aleatória
8EM 10
Votação do Leitor 1 Voto
7.5
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