Análise Total War: Three Kingdoms – The Romance of the Three Kingdoms

Three Kingdoms é o novo título da saga Total War e chega de uma forma triunfante, ao quebrar recordes de vendas para a saga e quantidade de jogadores em simultâneo no dia de lançamento. Com um pico de cerca de 200,000 jogadores em simultâneo, grande parte deve-se à aceitação fantástica, por parte do mercado chinês, ao jogo.

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Não é por acaso que o novo título da saga Total War teve um grande sucesso em território chinês. Nesta nova entrada, o cenário histórico escolhido passa-se na china e é conhecido por Three Kingdoms. Foi assim baptizado pois representa uma altura em que a China estava dividida em três estados, Wei, Shu e Wu. Este período começa depois da dinastia Han e prevaleceu durante a dinastia Jin. Esta época da história Chinesa é conhecida por ser a mais sangrenta de todas, e apesar dos números que existem não poderem ser 100% confiáveis, estima-se que a população Chinesa perdeu cerca de 40 milhões de indivíduos durante este período.

Trata-se do primeiro título desta saga a retratar episódios da história da China, e não podiam ter escolhido melhor. Em vez de seguirem uma abordagem historicamente correta, toda a história deste jogo é baseado no livro Romance of The Three Kingdoms de Luo Guanzhong. Creative Assembly, os criadores deste título, incorporam a história deste livro no jogo de uma forma perfeita. Com o modo “Romance” um jogador mais casual consegue abordar o jogo com uma sequência de eventos muito focada nos grandes generais e líderes de todas as facções, resultando em campanhas fáceis de digerir e que nos dão uma lição de história.

O Legado de Total War

Para quem se lembra de jogar Shogun: Total War, sabe que esta saga já tem 20 anos. Durante estas duas décadas vários título foram criados, tentando sempre inovar e criar novas mecânicas. Esta saga tenta atacar um nicho de entusiastas que gostam de se sentir como Alexandre, O Grande e serem os maiores generais e estrategas de combate. Desta forma, mudanças no jogo, de forma a torná-lo mais amigável para uma maior audiência, podiam correr mal e alienar o nicho que garante a continuidade da saga.

Em 2015, a Creative Assembly lança o primeiro jogo da saga passado num universo de fantasia, Total War: Warhammer. Uma parceria com a Games Workshop faz com que o primeiro Cross-over de Total War apareça. Com esta oportunidade, a Creative Assembly ganha alguma liberdade para mudar algumas mecânicas do jogo, torná-lo mais simples, de forma a que mais pessoas pessoas consigam desfrutar dos seus títulos. Depois de Thrones os Britânia, chega agora Three Kingdoms, e essas alterações ainda estão presentes, e fazem agora parte do core da saga.  

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Por outro lado, foi criado espaço para novas funcionalidades, e aprofundar outras que eram bastante básicas. Um bom exemplo são as mecânicas de diplomacia do jogo, que já há muito que a comunidade pedia melhoramentos.

Uma vitória diplomática

Desde o primeiro jogo desta saga, a diplomacia tornou-se uma parte importante da forma como abordamos as nossas campanhas militares. Já em 2000 com Shogun: Total War o jogador tinha a possibilidade de criar tratados de paz dando-lhe espaço de manobra para organizar melhor os seus ataques. Esta mecânica de jogo tem evoluindo ao longos dos tempos e neste último título representa uma das ferramentas mais importantes que o jogador deve usar.

Os próprios criadores do jogo, Creative Assembly, colocam o holofote sobre esta importância ao sugerir aos jogadores que comecem a sua primeira campanha com o general Cao Cao. Este não começa de forma alguma com vantagem militar ou geográfica, mas o que Cao Cao e a sua fação conseguem trazer para a mesa é uma grande e única versatilidade diplomática que nos permite colocar outras facções a lutar as nossas guerras e manipular outras facções para criar conflitos entre as alianças inimigas.

Todos os líderes têm habilidades e opções diplomáticas, e sempre que possível estão sempre disponíveis e inclinados para aceitar alianças. Isto faz com que ações diplomáticas como traçar rotas de comércio e estabelecer alianças são incrivelmente importantes para um bom sucesso militar e para o sucesso em tornar-nos Imperadores.

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Não só a diplomacia é um elemento super importante na nossa campanha, como teve grande melhoramentos em Three Kingdoms. Onde em títulos anteriores ações diplomáticas eram muito baseadas em adivinhar, e tentativa erro, agora tudo fica mais claro com um sistema novo e fácil de perceber. Um sistema transparente onde conseguimos ver o que ambas as facções estão dispostas a trocar, seja dinheiro, comida ou mesmo promessas de casamento, e saber imediatamente que condições são precisas para satisfazer ambas as partes.

As ações diplomáticas não se baseiam só em relações inter-facção, havendo também uma grande componente dentro do nosso próprio exército. Os nossos generais esperam ser promovidos, esperam receber cargos diplomáticos, e se não o fizermos eles não hesitam em abandonar o nosso exército com as suas tropas e irem lutar por outra facção. Temos de estar sempre atentos a satisfação dos generais para garantir que o seu estado de confiança e fidelidade com a nossa facção.

Os Senhores da Guerra

Como já falamos, quando decidimos começar uma campanha, fazemos a seleção pelo general, o líder que vai liderar toda a campanha. Cada um destes senhores da guerra tem diferentes níveis diferentes de legitimidade na sua tentativa de conquistar a China. Alguns são simplesmentes bandidos, mas por outro lado temos Dong Zhou, um tirano que começa a campanha com o “pequeno Imperador” como refém.

Estas várias personagens trazem-nos horas e horas de jogo com campanhas diferentes e com começos únicos. Já falamos de Cao Cao, mas temos também Liu Bei um general que tem um exército cheio de generais lendários sem qualquer território, e tem de enfrentar uma fação de rebeldes só para estabelecer a sua primeira base.

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Cada personagem tem diferentes mecânicas, que tornam a sua jogabilidade bastante diferente. Desde posições únicas diplomáticas para os seus generais, heroísmo que influencia o preço das tropas e a satisfação dos generais, até influência diplomática, como Cao Cao que todos os turnos ganha pontos que podem ser gastos para manipular e influenciar outras facções.

Este título consegue manter as campanhas dinâmicas e interessantes do início ao fim. Melhor ainda, a jornada até à conquista é sempre diferente dependendo do general que escolhemos. O equilíbrio do jogo transmite também uma boa sensação, desde a produção de comida, economia ou a felicidade da população, tudo elementos que traziam alguma frustração em títulos passados.

Considerações finais

Total War: Three Kingdoms  é o primeiro título da saga a entrar na história Chinesa, e não desilude. Como o novo modo Romance o jogo leva o jogador numa jornada história acompanhando os eventos de vários generais na conquista da China. Este título traz imensas adições e melhorias para a saga. O aprofundamento das mecânicas diplomáticas são claramente o foco, mas houve melhoramentos a nível de performance que são uma lufada de ar fresco. Já há algum tempo que a comunidade pedia melhoramentos técnicos, e este título correspondeu à expectativa.   

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Para os interessados em experimentar esta saga, este é definitivamente o título por onde começar. Facilita a aprendizagem das complexidades do jogo melhor que qualquer outro Total War até à data. Existem tutoriais, guias e vídeos dentro do próprio jogo, e todas estes componentes ajudam quem está a começar. Para os mais experientes,  e fãs da saga, Three Kingdoms é também uma experiência muito boa.

 

N.R.: A análise de Total War: Three Kingdoms foi realizada com acesso a uma cópia da versão final do jogo, para Windows PC, gentilmente cedida pela EcoPlay