Conduzir uma mota tem os seus perigos inerentes. Ao introduzirmos uma vertente competitiva, o perigo aumenta exponencialmente. Juntamos-lhe muitos cavalos, todo um circo de publicidade e prémios chorudos em circuitos rodeados de medidas de segurança, e o perigo é ainda mais real.

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E se nada disso existisse? E se milhares de pessoas se deslocassem até às ilhas britânicas para assistirem a poderosas motos conduzidas por verdadeiros kamikazes, que serpenteiam percursos que incluem árvores, edifícios, animais, tudo isto alcançando médias de 160 quilómetros horários e onde já morreram mais de duzentos participantes? Esta é a premissa de TT Isle of Man: Ride on the Edge 2, produzido pela Kylotonn, conseguindo demonstrar na perfeição a loucura e a velocidade deste ícone do mundo motorizado.

Coloquem o capacete, calcem as luvas e preparem-se para ensopar o vosso comando em suor, tal é a concentração e os níveis de ansiedade pré-queda!

A velocidade é real, a cara no asfalto também

É algo que nos agarra a este jogo desde o tutorial que cumprimos: a sensação de velocidade. O ponteiro chega rapidamente a números elevados e a visão de túnel intensifica essa experiência, envolvendo-nos ainda mais no percurso. Mas de seguida vêm as curvas, os malfadados pedaços de estrada que nos encurtam caminhos. Estas transições fazem com que seja realmente complicado manter o equilíbrio da mota, tentando colocar o monstro furioso de galopar no sítio correto para abordar a curva de forma a que a consigamos superar sem que sejamos cuspidos. E acreditem, isso vai acontecer muitas vezes. A tentação de procurar fazer as curvas a altas velocidades na procura do adversário que nos remete para o segundo lugar da prova em questão é alta, e o jogo é realista e não perdoa. Toque em árvore, queda. Toque em passeio, queda. Toque nas barreiras de segurança, queda. O equilíbrio é chave, fazendo desta experiência algo que pode frustrar o jogador mais casual.

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Há vários níveis de dificuldade que podem ser ajustados, bem como uma série de ajudas que podemos ligar ou desligar, para tornar a experiência mais adequada ao nível do jogador.

Existem como habitualmente vários ângulos de visão, que podem tornar o jogo mais ou menos imersivo. O ângulo que nos coloca como se estivéssemos realmente a conduzir este cavalo, com muitos cavalos dentro, provoca-nos um misto de entusiasmo, pupilas dilatadas, náuseas e transpiração abundante que parece colocar-nos lá, na prova motorizada mais perigosa do mundo. Depois de poder causar leves taquicardias, satisfaz ver que se fez uma porção de estrada excecionalmente bem, para que na próxima curva o entusiasmo tolde a concentração e se volte a sair disparado da mota. O desafio é constante.

Profissão: louco em duas rodas

A grande atração de TT Isle of Man: Ride on the Edge 22 é o seu Modo Carreira. Depois de uma primeira corrida de teste, surge o convite de algumas equipas para fazer uma panóplia de corridas introdutórias para aquela que dá o título ao jogo. Existe um calendário com diversas corridas, com maior ou menor extensão. O sucesso nestas provas trará dinheiro, que servirá para apetrechar a mota de melhores peças que nos tornarão mais competitivo, e a seu tempo, passaremos por tipos de motas diferentes: Supersport, Clássicas e Superbikes. Ao ser criado um percurso vitorioso ao longo do exigente calendário, outras equipas poderão abordar-nos, que nos darão seguramente melhores condições para enfrentarmos o último desafio, a prova na ilha de Man.

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E que desafio é esta corrida. Quatro voltas num percurso com mais de quarenta quilómetros, fielmente recriado. Pode demorar mais de uma hora a efetuar, sem tempo para pestanejar, acabando por meter em perspetiva tudo aquilo a que os pilotos se propõem numa corrida destas na realidade. As outras pistas são fruto da imaginação da equipa de devs, centrando ainda mais a atenção na corrida final.

Como fatores menos positivos neste modo e no próprio jogo, temos a música, que é aberrante, naquele rock pastilhado que retira intensidade em vez de servir de ímpeto, e de alguns bugs ocasionais que podem condicionar momentaneamente a nossa condução e levar a mais uma queda.

Multiplayer a baixas rotações

A experiência a solo foi claramente posta em lugar de destaque neste jogo, investindo tudo no Modo Carreira e no Free Roam, que pode ser desbloqueado depois de algumas corridas bem sucedidas no primeiro modo, onde podemos escolher as pistas que pretendemos explorar. Assim sendo, é natural que se fique com um aroma a pneu queimado quando nos é apresentado um modo online tão fraco e despojado da maioria dos segmentos apresentados no jogo. Esta teria sido a oportunidade perfeita para aumentar a longevidade deste título, que é algo que pode preocupar quem pondera investir na sua aquisição. Há a limitação a apenas nove percursos e a novidade passa depressa. De facto, com a competitividade que o título poderia proporcionar neste campo, deixa realmente um pouco a desejar e a sensação de uma oportunidade perdida em criar uma verdadeira comunidade no multiplayer desta prova mítica.

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Considerações finais

Com um Modo Carreira que nos precipita para uma prova louca no fim, onde a velocidade e o erro são uma constante, TT Isle of Man: Ride on the Edge 2 conquista assim o seu espaço entre os simuladores motorizados com uma abordagem diferente, sendo claramente mais um sim do que um título arcade. E sabemos que isso pode dividir o público fã das duas rodas. Ainda assim, acaba por ter motivos para ser visitado por ambas as facções, haja tempo e paciência para lidar com algumas frustrações. E todos concordarão que é uma bela homenagem à prova sensação que acontece todos os anos nas estradas municipais inglesas e irlandesas.

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TT Isle of Man: Ride on the Edge 2 já se encontra disponível para Xbox One, Windows PC e PlayStation 4.

N.R.: A análise a TT Isle of Man: Ride on the Edge 2  foi realizada numa PlayStation 4 com uma cópia do jogo, gentilmente cedida pelo Upload Distribution

TT Isle of Man: Ride on the Edge 2 - Veloz e desafiante
Sensação de velocidadeEmulação perfeita da prova Modo Carreira
AI inconstanteMultiplayer fracoElementos fora da pista pouco polidos
4.0Valor Total
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