Entrando na torre…

Dungeon crawlers é um daqueles gêneros de jogo que sempre me transmitiu uma enorme sensação de fascínio. Fico sempre intrigado em descobrir o que está escondido na sala ao lado, que passagens secretas me teriam falhado ou qual a próxima criatura que me poderia aparecer à frente. A sensação de mistério e aventura é algo comum neste género de jogos e este não foi excepção.

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Vaporum é um dungeon crawler com uma temática steampunk, desenvolvido pela Fatbot Games, onde o jogador explora uma misteriosa torre abandonada, que apareceu no meio do mar, a fim de desvendar segredos nela escondidos. Este jogo foi inicialmente lançado para Windows PC em setembro de 2017, tendo saído a sua versão de consola em abril de 2019.

Vou sozinho, mas bem equipado!

Ao contrário do que é normal neste género, aqui não controlamos uma equipa de vários personagens, cada um com as suas características especiais, mas sim um único aventureiro que decidiu explorar a torre. Contudo, a possibilidade de se personalizar a jogabilidade não foi retirada, sendo possível equipar o personagem com fatos e habilidades que permitem tornar o personagem mais próximo do estilo de jogo que o jogador pretende. Isto altera algumas características como força de ataque ou velocidade e também as habilidades passivas que permitem que o personagem seja mais resistente a certos tipos de ataques ou armadilhas.

A jogabilidade é o esperado do gênero crawler, assemelhando os movimentos aos de um jogo de tabuleiro onde o personagem avança quadrícula a quadrícula. Conforme se avança no mapa, é possível encontrar-se itens espalhados pelo chão ou dentro de baús, interagir com o ambiente através interruptores e alavancas e lutar com as variadas criaturas que habitam na torre.

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O combate funciona em tempo real, havendo um pequeno tempo de espera depois de cada ataque onde, durante esse tempo de espera, o jogador poderá usar as suas habilidades especiais ou mover-se para outra quadrícula. Apesar de esta dinâmica fazer com que o combate pareça um rápido jogo de xadrez, em que cada jogada é feita a uma determinada batida de ritmo, após o jogador tornar-se habituado ao sistema de combate as batalhas acabam por ser aborrecidas, principalmente nos inimigos que tem bastantes pontos de vida. Nestes casos o combate acaba por ser o jogador, a deslocar-se de quadrícula para quadrícula, após ter dado o dano ao inimigo, enquanto aguarda a oportunidade de voltar a atacar e fugindo dos ataques.

A nível de quebra-cabeças Vaporum consegue atingir um equilíbrio que é incomum, tendo uma boa variedade de desafios que nunca se tornam aborrecidos por serem demasiado fáceis nem frustrantes por não fazerem sentido. Alguns dos quebra-cabeças obrigam a gastar uns minutos a perceber, mas com a exploração certa o jogador acaba por conseguir perceber o seu funcionamento e rapidamente chega à sua solução. Todas as soluções fazem sentido não havendo situações em que a solução é uma questão de sorte.

E que tal o aspecto?

Em termos gráficos, Vaporum é um jogo bastante interessante, estando montado de forma a lembrar uma masmorra antiga com uma pintura de steampunk. Todo o ambiente faz sentido, mostrando que foi construído de forma a afastar os curiosos do segredo que lá está guardado. Contudo, essa uniformidade do ambiente acaba por prejudicar um pouco a sensação de progressão do jogo, havendo momentos em que o jogador poderá ter a sensação que continua na mesma zona do mapa não sabendo se está a progredir ou não. Esta sensação só não é mais acentuada pois, conforme se vai avançando na torre, a quantidade e dificuldade das criaturas vai aumentando e as armadilhas vão-se tornando cada vez mais mortais. Adicionalmente, as criaturas que vão aparecendo tornam-se cada vez mais bizarras, sem nunca parecerem que não pertencem ao mundo do jogo, o que ajuda a colmatar a sensação de falta de progressão.

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Apesar deste jogo ter tudo para ser um bom jogo, existe um ponto que, para mim, me dificultou bastante a jogabilidade tornando-o quase impossível de jogar em alguns dias, que foi o texto e os menus. Este é um problema que não se irá apresentar da mesma forma para todos os jogadores e está relacionado com as origens do jogo, sendo notório que a interface é a mesma que é utilizada na versão de PC onde o jogador está bastante próximo do monitor. No entanto, quem tiver a consola instalada na sala, com a televisão a uma certa distância, torna-se quase impossível ler o texto apresentado arruinando completamente a experiência do jogo.

Contudo, aqueles que jogarem numa configuração semelhante ao de um PC não deverão ter esses problemas conseguindo aproveitar o jogo. Mas dado que uma grande parte dos jogadores deverá ter uma configuração tradicional de sala, Vaporum torna-se uma experiência desagradável e muito pouco cativante.

A Fatbot Games já informou no seu blog que iriam tratar do problema do texto numa atualização futura, não tendo a mesma estado disponível durante esta análise.

Imaginem-se a tentar ler o texto presente na imagem enquanto jogam na TV da sala

E no final…

Vaporum é um jogo que, quando me foi apresentado, me levantou bastante o interesse. Pertence a um gênero de jogo que não é muito popular, mas que se torna viciante caso o jogador dê o tempo necessário para isso. E este jogo tinha tudo para ser um bom jogo que poderia causar esse vício.

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Contudo, a fraca adaptação à versão de consola, nomeadamente no tamanho do texto, torna o jogo difícil de se aproveitar quando a configuração do monitor não é adequada. Este ponto grave associado aos pontos menos positivos do jogo acabam por o prejudicar bastante. Para aqueles que possam jogar a versão de PC terão um bom jogo, interessante e com muito mapa para explorar. No entanto, se o quiserem jogar na sala ou quarto é difícil recomendar a versão de consola, pelo menos enquanto o problema do texto não for resolvido.

 

N.R.: Análise feita numa PlayStation 4 Pro com acesso a uma  cópia do título gentilmente cedida pela Evolve PR

Vaporum - Um bom jogo que não é para todos
Gênero de jogo interessanteTemática steampunk bem aplicadaBom equilibro de quebra-cabeça
A interface não está adaptada para consolasCombate aborrecidoPouca sensação de progressão no mapa
3.0EM 5
Votação do Leitor 2 Votos
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