Na semana passada a Google realizou o I/O, a sua conferência anual para programadores onde, habitualmente, apresenta novidades sobre a nova versão do sistema operativo Android. De facto, o Android O, o sucessor do Android 7.0 ‘Nougat’, foi disponibilizado pela primeira vez para os utilizadores beta, mas não foi esta a única novidade relacionada com o universo Android.

Uma outra novidade dá pelo nome de Android Go, uma designação que não é oficial, mas sim o nome interno do projeto. O objetivo é que esta versão seja distribuída em smartphones com especificações modestas e, principalmente, em mercados emergentes. A Google prevê que chegue a esses mercados ainda não especificados em 2018.




Mas o que é exatamente o Android Go? Sameer Samat, vice-presidente da área de gestão de produto do Android e a pessoa que apresentou em palco este Android Go, explicou ao Gadgets 360 que “a maneira como isto trabalha é que o Android tem uma configuração quando o dispositivo é construído na fábrica e estamos a colocar efetivamente a configuração do Go”. Isto significa que quando o smartphone tem pouca memória RAM, o dispositivo já terá, à partida, a configuração Go.

“Não é algo que o utilizador vá decidir, é algo que o OEM decide na fábrica e o que estamos a dizer é que se o utilizador vai comprar um dispositivo com 1GB ou menos [de RAM], então deve comprar com a configuração Android Go”.

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Um dos pontos a favor do Android Go é que estes dispositivos têm as aplicações – pelo menos as da própria Google – otimizadas para o hardware em questão. Por exemplo, o YouTube Go é uma versão mais ‘leve’ e que utiliza menos dados, para além de dar aos utilizadores maior controlo sobre o plano de dados e a forma como o vão utilizar. O Google Play também vai mostrar no ecrã inicial as aplicações que estão otimizadas para os dispositivos Android Go, algo que pode ser benéfico para as aplicações que têm como foco os mercados onde o acesso à internet é mais escasso.

Android Go

Assim será a página inicial do Google Play para os dispositivos equipados com Android Go. #Crédito: Google

Apesar deste pormenor, o Google Play para os equipamentos Android Go vai dar acesso a todas e quaisquer aplicações que estão disponíveis para o sistema operativo Android, exceto se o programador disser o contrário.

Além das otimizações que existem ao nível das aplicações, o próprio sistema operativo conta com otimizações no sistema de interface e no kernel para que o Android O, na sua configuração Go, tenha um desempenho fluído. Sameer Samat confirmou também que todas as futuras versões do Android vão ter uma configuração disponível para os equipamentos mais modestos.

Esta nova configuração do sistema operativo faz lembrar um programa semelhante que a Google introduziu em setembro de 2014 e que ainda não teve um grande impacto: o Android One. O objetivo do projeto era simples: telemóveis com um hardware menos capaz recebiam uma atenção especial da Google, que assegurava ela própria as atualizações para as novas versões do Android durante dois anos.

O Android One e o Android Go são dois programas diferentes e vão coexistir

A questão das atualizações era mesmo o grande factor de diferenciação do Android One, visto que o sistema operativo em si era semelhante ao que podia ser encontrado noutros equipamentos com hardware superior. Com o Android Go a Google corrige esse problema – sabe que o próprio sistema operativo e as suas aplicações nucleares têm de ser menos exigentes para o hardware. Por outro lado, a Google não vai dar o mesmo suporte dedicado de atualizações aos smartphones Android Go.

A ideia do Android One, que no papel era atrativa, ainda tem que provar o seu valor através de números: poucos foram os smartphones apresentados para este programa. Portugal só teve direito a um equipamento deste programa, o Aquaris A4.5 da BQ, e em 2017, no Mobile World Congress, só foi anunciado um dispositivo pertencente ao Android One: o General Mobile GM6.

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De acordo com a publicação Android Authority o “Android Go não é uma substituição do Android One” isto porque o Android One está mais focado nos dispositivos de gama média, ao contrário do Android Go que está totalmente direcionado para os smartphone de entrada de gama.

No mesmo artigo, é explicado que o diretor executivo da Google, Sundar Pichai, afirmou que a Google “não vê o Android Go como uma substituição do Android One, mas sim dois produtos que existem em simultâneo dentro do ecossistema Android”.

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