Se é um programador ou um utilizador avançado e aventureiro, então a partir de hoje já pode experimentar a próxima versão do Android: por agora é apenas designada como ‘O’, não estando ainda definido o nome do doce que vai batizar o futuro do ecossistema móvel da Google. A versão de pré-visualização pode ser descarregada aqui.

À semelhança do que já tinha feito no ano passado, a Google decidiu disponibilizar o quanto antes uma nova versão do seu sistema operativo móvel. “Temos tentado melhorar os nossos processos de engenharia para que possamos partilhar o nosso trabalho antecipadamente e de forma mais aberta com os nossos parceiros”, escreveu o vice-presidente de engenharia da Google, Dave Burke, na publicação onde anuncia o novo Android O.

Todos sabem como é que este plano correu no ano passado, certo?




Mas o mais importante no Android O nesta fase é perceber quais as mudanças que estão a caminho. Pelo que a Google dá a entender, o Android O vai ser mais uma versão de otimização e de melhorias, do que propriamente uma versão de grandes transformações no design e na experiência de utilizador.

A Google listou as principais mudanças que já podem ser experimentadas na versão preview e nós selecionamos as sete que de facto poderão vir a ter um maior impacto no modo de utilização dos smartphones e tablets equipados com o sistema operativo.

Limitar aplicações em segundo plano

A Google diz que o novo Android será capaz de limitar a utilização das aplicações em segundo plano, o que ajudará a prolongar a autonomia dos smartphones e tablets. A gigante norte-americana ainda é um pouco vaga sobre o que significam mesmo estas limitações, mas diz que serão aplicadas em três grandes áreas: transmissões implícitas [apps de streaming?], serviços em segundo plano e atualização da localização.

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Ao colocar novos requisitos no desenvolvimento das aplicações, a Google estará a garantir que as apps vão ter um menor impacto no consumo energético. O sistema operativo Android continua assim o seu trabalho numa maior otimização energética, depois de nas últimas duas versões – 6.0 ‘Marshmallow’ e 7.0 ‘Nougat’ – já ter introduzido a funcionalidade Snooze que ajudou a aumentar o rendimento das baterias.

Canais de notificações

As explicações da Google dão a entender que as notificações dos utilizadores passarão a estar agregadas por tipologia – notícias, redes sociais, atualizações, messaging, etc. Cada um destes grandes grupos será definido como um canal. A partir do momento em que as notificações estão agregadas a um canal, os utilizadores vão poder definir parâmetros distintos entre os diferentes canais.

Ou seja, aqui o objetivo é permitir uma maior personalização na gestão das notificações, em vez de ter que definir um parâmetro que se aplique a todos os grupos de notificações do smarpthone. Por exemplo, será possível silenciar as notificações de notícias, mas ter um perfil simultâneo e diferente para as notificações das redes sociais.

Android O

Picture-in-Picture

A possibilidade de ter janelas de vídeo a ‘pairar’ sobre todas as outras atividades que estão a ser executadas no smartphone passa a ser uma funcionalidade central do Android O e de todos os dispositivos, smartphones e tablets’, que o receberem.

A Google diz que será possível especificar qual o tamanho desta janela e ainda associar alguns botões de controlo – iniciar/colocar em pausa, por exemplo. A tecnológica diz que este modelo é vantajoso para os utilizadores que estão sempre a consumir conteúdos em vídeo e que gostam de fazer esta atividade em multitasking.

Outra novidade interessante é o suporte para multi-ecrãs. A Google não adianta muito sobre este ponto, mas dá a entender que será possível passar a imagem do smartphone para um ecrã remoto – possivelmente mimicando a funcionalidade Continuum que já existe no Windows 10 e que diz-se que vai integrar o novo Galaxy S8.

Integração de ferramentas de preenchimento automático

Se é um utilizador que valoriza a capacidade de preenchimento automático dos navegadores de internet, vai gostar de saber que esta funcionalidade vai estar integrada de raiz no Android O. Na prática o sistema operativo da Google vai permitir que aplicações dedicadas para esta tarefa possam comunicar com as restantes aplicações instaladas no smartphone.

O objetivo da Google é fazer com que as ferramentas de preenchimento automático possam funcionar de forma tão simples como as aplicações de teclado – o utilizador escolhe aquela que é da sua preferência e confiança, sem que o sistema operativo seja uma barreira para as suas totais capacidades.

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Isto fará com que as principais informações – nome, email, nome de utilizador em redes sociais, entre outras – estejam sempre disponíveis quando está a registar-se ou a preencher campos de texto em múltiplas situações.

Ícones adaptativos

A Google vai permitir que os programadores possam definir diferentes ícones para a mesma aplicação. Dependendo depois da versão do Android que o utilizador tiver instalado no smartphone, esse ícone pode variar.

Por exemplo, o ícone da aplicação do Instagram pode ser diferente num smartphone da Samsung do ícone num smartphone da LG. Haverá ainda novas animações de interação com os ícones que os programadores vão poder explorar.

Android O

Melhores codecs de áudio

A Google quer tornar os smartphones Android em equipamentos que podem ser usados para consumir música com grande qualidade. Para isso introduz suporte para codecs de áudio Bluetooth de alta qualidade, como o LDAC.

Comunicação automática entre dispositivos

Escondida nas entrelinhas está uma funcionalidade que pode resultar em serviços interessantes, caso seja explorada pelos programadores. Chama-se Wi-Fi Aware e permite que diferentes dispositivos e aplicações comuniquem entre si sem que exista acesso à internet. Por exemplo, duas pessoas serão capazes de comunicar pelo Hangouts desde que estejam dentro do raio de alcance do Wi-Fi dos seus dispositivos.

Na prática funcionará como uma rede ad hoc que pode colocar em sintonia smartphones, tablets, computadores e outros gadgets conectados que venham a suportar este novo standard. A Google revela que está a trabalhar com diferentes parceiros de hardware para que esta funcionalidade chegue aos equipamentos o mais rápido possível.

Mais novidades

A própria Google admite que estas não são todas as novidades que vão caracterizar o Android O. A empresa pretende fazer um tour mais detalhado sobre o que os utilizadores podem esperar do novo sistema operativo durante a conferência de programadores Google I/O, que acontece dentro de dois meses.

Até lá a Google alerta para o facto de a versão de experimentação do Android O não ser estável. A tecnológica diz que tenciona criar uma versão beta do novo software numa fase mais adiantada, o que também permitirá que os consumidores experimentem o Android O antes de começar a ser distribuído oficialmente pelos fabricantes de smartphones.

Nesta fase inicial estes são os únicos equipamentos compatíveis com o Android O: Nexus 5X, Nexus 6P, Nexus Player, Pixel, Pixel XL e Pixel C.

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