Nesta altura é pouco provável que ainda não tenha ouvido falar do jogo PlayerUnknown’s Battlegrounds, mais conhecido na gíria como PUBG [lê-se pub-gi]. Não só foi um dos jogos revelação em 2017, como conseguiu atingir números fora de série: atualmente detém o recorde de videojogo do Steam com mais sessões em simultâneo, tendo registado 3.106.358 utilizadores a 29 de dezembro do ano passado.

Há vários elementos que tornam PUBG num jogo muito especial. O sucesso que atingiu num curto espaço de tempo é um deles, sendo que o outro está de alguma forma relacionado – o jogo foi lançado inacabado em março e a primeira versão completa só chegou ao mercado em dezembro.

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Pelo caminho PUBG vendeu mais de 20 milhões de licenças, tornando-se num dos maiores lançamentos dos últimos anos – e nunca é de mais reforçar, sem que o jogo estivesse completo.

A pergunta que muitos fazem é por que razão é este jogo tão popular? O que tem de especial PlayerUnknown’s Battlegrounds para bater recordes de utilizadores e de vendas mesmo sem ter sido concluído? Qual a razão que torna PUBG num jogo que um dia mais tarde vai ter um lugar reservado no Olimpo dos videojogos?

A resposta está no conceito em si. PlayerUnknown’s Battlegrounds é um jogo de ação que coloca até 100 jogadores na mesma arena e na qual todos são inimigos. O objetivo é ser o único jogador vivo no final de cada ronda, sendo que cada uma demora em média 30 minutos.

No início os jogadores são largados na arena de jogo pelo ar através de paraquedas e todos começam em pé de igualdade, desprovidos de qualquer equipamento. Só depois de estarem no solo é que começa a definição da estratégia – é possível encontrar proteção, armas, munições e até veículos que vão ajudá-lo a ser o the last man standing.

O jogo também está desenhado por forma a evitar estratégias demasiado passivas – a arena de jogo diminui de tamanho com o desenrolar da ação e quem não estiver dentro da área definida, vai começar a perder vida até ser eliminado do jogo ou até entrar dentro do perímetro correto. Há outros elementos a ter em conta, como o facto de existirem bombardeamentos casuais em áreas específicas do jogo – ou seja, na prática até a própria arena de jogo trabalha para reduzir o número de utilizadores vivos.

Pode não parecer o conceito mais revolucionário de sempre, mas a verdade é que tem funcionado bastante bem. Este estilo de jogo, definido como Battle Royale em honra a um filme japonês do ano 2000, é o segredo do sucesso de PUBG e é a fórmula que está a atrair mais estúdios de videojogos. O Battle Royale é a próxima ‘next big thing’ nos videojogos, no sentido em que não só vai ajudar ao aparecimento de novos jogos, como vai ajudar a trazer nova vida para franquias já bastante populares.

O conceito não foi inventado por PUBG, mas sem dúvida que foi popularizado pela mão deste título. PlayerUnknown’s Battlegrounds mostrou que por vezes para ter sucesso basta fazer um produto que é simples, divertido e competitivo, algo que acaba por fazer com que os jogadores perdoem os erros técnicos que ainda assolam o jogo e que tantas vezes tornam blockbusters em verdadeiros flops.

Um estilo em crescimento

Apesar de ser um grande sucesso, o jogo PlayerUnknown’s Battlegrounds ainda deixou muita margem por explorar: o título foi pensado acima de tudo para PC, só recentemente chegou à Xbox One e segundo o próprio criador do jogo, Brendan ‘Playerunknown’ Greene, está difícil lançá-lo na PlayStation 4 devido às exigências de qualidade da Sony Interactive Entertainment.

Percebendo que o estilo Battle Royale estava a ganhar popularidade, a Epic Games, responsável pelo motor de desenvolvimento gráfico Unreal Engine, decidiu antecipar-se a PUBG e agarrar o mercado das consolas o quanto antes. Foi assim que nasceu Fortnite Battle Royale, um título que coloca 100 jogadores a lutarem entre si numa arena. Parece-lhe familiar o conceito?

Fortnite foi lançado em julho de 2017 e desde então já conseguiu chegar até 30 milhões de jogadores e já teve picos em que reuniu em simultâneo 1,3 milhões de jogadores.

Uma jogada muito inteligente por parte da Epic Games, que mesmo não tendo conseguido esvaziar por completo o sucesso de PUBG, pelo menos foi rápida a capitalizar com esta nova tendência no universo dos videojogos.
Perante o sucesso de PUBG e os resultados muito positivos do movimento astuto da Epic Games, o formato Battle Royale promete tornar-se num estilo ainda mais popular ao longo de 2018 nos jogos que apostam muito na vertente multijogador.

O jogo Call of Duty Online, desenvolvido pela Tencent a pensar no mercado chinês, vai ter um modo de jogo denominado Battle Royale e que vai colocar 18 jogadores numa arena ao estilo PUBG, sendo necessário cada jogador encontrar as suas armas e os recursos para poder sobreviver aos inimigos.

Já o estúdio Outpost Games está a criar um jogo ao estilo Battle Royale, mas com um ainda maior foco no entretenimento. SOS é um título com alguns traços de reality show, já que cada um dos 16 jogadores terá uma apresentação própria, que serve tanto para os rivais ficarem a conhecer quem é quem, como ajudará a criar maior empatia com a audiência. O jogo será ainda capaz de criar vídeos que vão destacar possíveis encontros passados entre os jogadores de cada rodada. Os jogadores são depois largados numa ilha e têm 30 minutos para resolver desafios e encontrar um de três objetos especiais que lhes garantem a saída da arena de jogo.

Também o já conhecido Dying Light vai adicionar um modo PvP [player vs players], como uma expansão, na qual seis jogadores terão de fugir de um determinado local cheio de zombies e terão de fazê-lo antes do anoitecer. Este é um exemplo de como o conceito de Battle Royale pode e vai ser adaptado às diferentes realidades de cada título – em Dying Light, um jogo mais focado em terror, faz mais sentido apostar num modo PvP com menos pessoas, mas que possa ser mais envolvente.

Há até rumores de que a Valve pode estar a preparar um modo Battle Royale para o já velhinho, mas ainda muito jogado, CS:GO – e enquanto a versão oficial da Valve não chega, já houve quem metesse mãos à obra e criasse a sua própria versão Battle Royale de Counter Strike chamada de Go 4 Kill.

Também já começaram a circular informações de que o próximo jogo da Riot Games, o estúdio por trás do enorme sucesso League of Legends, também poderá ser um título que vai apostar no conceito de Battley Royale. A acontecer não seria uma total surpresa, pois é um espaço no qual a sua empresa-mãe, a Tencent, já tem experiência.

Sejam jogos novos ou expansões para jogos já existentes, aquilo que muitos acreditam que vai acontecer é uma popularização do formato Battle Royale ao longo deste ano, como um dos principais modos de jogabilidade online com vários utilizadores.

Será igualmente interessante ver como vai ser a evolução dos dois principais concorrentes nesta área atualmente – PlayerUnknown’s Battlegrounds e Fortnite -, sendo que existindo ainda espaço para crescer, terão de começar a atuar de forma diferente à medida que este espaço for encolhendo com a entrada de novos jogos. Battle Royaleception?

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