“A arte permite que nos encontremos e que nos percamos ao mesmo tempo”, já dizia o escritor do século XX Thomas Merton. Foi um pouco isso que sentimos na biblioteca Europeana pelos meandros de mais de 52 milhões de obras de arte, artefactos, livros, vídeos e ficheiros áudio. Tudo isto em formato digital, naturalmente, numa viagem que nos permitiu apreciar os encantos de trabalhos como Femmes de Tahiti, de Paul Gauguin, Las Meninas, de Diego Velázquez, ou Le jardin de l’artiste à Giverny, da autoria de Claude Monet – sem sair de casa.

O recente lançamento da campanha Europeana 280 inaugurou, em simultâneo, um ‘museu’ digital de coleções de arte acessível a todos e que pretende, sobretudo, despertar os europeus para aquilo que é a sua herança cultural. Neste espaço encontrámos 280 obras de arte – dez de cada um dos 28 Estados-Membros – que deram escala ao movimento artístico europeu, bem como uma agenda recheada que oferece exposições virtuais, como a Faces of Europe, mas também uma série de eventos digitais públicos, tais como o #BigArtRide e o Jumping Jacks, que irão decorrer em diferentes cidades europeias – mas a estes já lá vamos.

Créditos: Giuseppe Arcimboldi | Rudolph II as Vertumnus

Antes disso, venha daí conhecer mais detalhes sobre algumas das mais importantes obras de arte do Velho Continente, abertas ao público e à distância de alguns cliques. Decidimos ir até França, mais concretamente Paris, e fazer um tour pelo famoso Museu do Louvre onde nos deparámos, por exemplo, com duas conceituadas pinturas a óleo: La Liberté guidant le peuple, de Eugène Delacroix, espelho da Revolução de Julho em 1831 – que, de resto, culminou na queda de Carlos X – e Embarquement pour Cythère, uma celebração do amor durante a “fête galante” (termo que designa um estilo de pintura criado por Antoine Watteau) com cupidos e três casais, de Antoine Watteau.

Não resistimos em dar também um ‘pulinho’ ao Museu de Orsay e observar não só a paisagem impressionista Le jardin de l’artiste à Giverny (ano de 1900), da autoria de Claude Monet e que, como o título indica, retrata o jardim do artista em Giverny, mas também a pintura a óleo Femmes de Tahiti, assinada por Paul Gauguin em 1891, na qual se podem ver duas mulheres sentadas na praia.

Ainda houve tempo para ver algumas figuras da monarquia espanhola, durante o reinado de Filipe IV, no quadro Las Meninas de Diego Velázquez, o principal artista do Século de Ouro espanhol que também consta nesta pintura realizada num dos quartos em Alcázar, na cidade de Madrid.

Menu cultural à la carte

Ao compilar todas estas informações sobre obras de arte do Velho Continente – cujas imagens estão disponíveis para download –, o motor que move o projecto Europeana tem o intuito de apoiar a ‘movimentação’ das instituições culturais europeias no meio digital a dois tempos: para que cheguem a novos mercados, mas também no sentido de promover a reutilização de conteúdos culturais de uma forma criativa.

Damos um exemplo: 155 peças de arte escolhidas por museus, bibliotecas e galerias de arte, partilhadas no Europeana 280, possuem, agora, licenças que permitem a sua reutilização, quer seja para fins de investigação, educativos ou desenvolvimento de novos designs, aplicações e serviços ou, simplesmente, desfrutar da arte.



Qualquer um pode, por isso, explorar livremente todos estes recursos digitais – também através das apps DailyArt e ArtStack -, mas não só. O Europeana 280 tem na manga uma série de eventos especiais que vão permitir a todos os apreciadores de arte estar em cima do acontecimento. Falamos, por exemplo, da exposição virtual Faces of Europe, que agrega obras icónicas de artistas como Goya e Mantegna, sem esquecer grandes trabalhos desenvolvidos por nomes menos sonantes, como os de Leis Malle ou Hanna Pauli.

Está preparado para: uma viagem de 500 anos, com ‘paragens’ nos pioneiros medievais da pintura e perspetiva durante o período gótico e renascentista?; experimentar o drama da arte barroca?; espreitar os desenhos que marcaram o iluminismo e os ateliers em Paris onde os artistas romperam a tradição académica para pintar a vida moderna? Então, esta exposição é para si.

“Enquanto a maioria dos amantes da arte estão familiarizados com artistas como Rembrandt ou Munch, o que é que conhecem sobre o impressionismo dinamarquês ou Gótico Boémio? Ou sobre as mulheres que ganhavam a vida através da pintura nos séculos XVI e XVII?” in Faces of Europe.

Vai um ‘passeio’ de bicicleta?

Os amantes de experiências mais radicais, por seu turno, podem já começar a colocar os óculos e preparar-se para uma aventura no mundo da realidade virtual. Através do #BigArtRide é possível pedalar – sem sair do lugar – e dar um passeio por uma cidade virtual apreciando, claro, obras de arte. O pontapé de saída foi dado em Hague e Bruxelas, mas o evento vai também estar por Amesterdão durante 12 semanas – até 25 de Junho -, passando por outras sete cidades europeias, onde se incluem, entre outras, Roma, Praga, Londres e Paris.

Para este verão está, ainda, planeado o Jumping Jacks, uma instalação, a ter lugar em vários eventos culturais, que irá juntar arte proveniente de todos os cantos da Europa a tecnologia interativa e a corpos humanos dinâmicos. Quer isto dizer que os participantes vão poder ver os seus corpos projetados numa parede, mas transformados por recortes de obras de arte relevantes – “a cabeça [do participante] pode ser um lobo” ou “o braço direito ser uma figura de uma obra-prima de Caravaggio”, explica o Europeana 280 na apresentação da iniciativa. À medida que a pessoa se move ou dança, por exemplo, o mesmo acontece com a sua figura Jumping Jack, tornando este num momento de diversão.

Se não puder estar presente em nenhum destes eventos, pode sempre fazer parte deste projecto e melhorar os seus conhecimentos a nível cultural, quer seja através das Coleções Europeana, das apps disponíveis, bem como através das redes sociais Twitter, Facebook ou Pinterest.



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