Quem não gosta de uma boa dose de evolução tecnológica?

A Samsung anunciou hoje os primeiros cartões Universal Flash Storage (UFS). Na prática estão a ser apresentados como a nova geração de cartões microSD. São pequenos e estendem a capacidade de armazenamento dos equipamentos. Mas as diferenças entre os UFS e os cartões microSD são enormes, com clara vantagem para o novo standard.

Imagine os cartões UFS como o equivalente aos discos solid state drive (SSD) na área dos computadores. Têm uma capacidade de leitura de dados de 530 MB por segundo e de gravação de 170 MB por segundo. Em termos comparativos são velocidades de leitura cinco vezes superiores comparativamente a alguns dos melhores microSD do mercado, enquanto as velocidades de escrita são duas vezes superiores.



A tecnologia UFS tem ainda uma grande capacidade de transmissão de dados – entradas e saídas – por segundo e de forma aleatória, cerca de 35.000 IOPS, o que ajuda a explicar os elevados níveis de desempenho em comparação com os tão populares cartões microSD.

Os cartões microSD já não cumprem bem o seu papel? Até agora têm cumprido, mas a produção de conteúdos está a ficar cada vez mais exigente. Imagens com maior qualidade, a norma do vídeo começa a assentar no Ultra HD, agora existem equipamentos móveis com capacidade de gravação em 360º e isso exige uma grande capacidade para lidar com todos os dados. Cartões mais rápidos também são um bom apoio para downloads mais rápidos – significa que a memória consegue acompanhar melhor a capacidade de download de informação.



Em comunicado a Samsung diz mesmo que os cartões UFS destinam-se neste momento para uso em câmaras fotográficas DSLR, câmaras de realidade virtual 3D, câmaras de ação e drones. A tecnológica não faz referência ao segmento dos dispositivos móveis como os smartphones, mas este é claramente um mercado para o qual o UFS também foi criado.

Um vídeo com 5GB de espaço demora apenas 10 segundos a ser lido pelos cartões UFS

Os Samsung Galaxy S6 e S6 Edge, por exemplo, já traziam de origem memória UFS, mas de forma integrada. A grande novidade acaba por estar na possibilidade de este standard, desenvolvido pela JEDEC Solid State Technology Association, ser agora amovível.

A sempre relevante autonomia

Enquanto as fabricantes de dispositivos eletrónicos vão fazendo avanços moderados na área da autonomia, pelo menos têm conseguido otimizar outros componentes para que consumam menos energia. Os novos cartões UFS são mais eficientes, querendo isto dizer que se estiver a ver um filme a partir do telemóvel, o impacto na autonomia será reduzido.

Um artigo de fevereiro da Android Authority afirmava que a tecnologia UFS desenvolvida pela Samsung conseguia mesmo reduções energéticas de 50%.

Estas memórias poderão ser vitais para projetos como o dos smartphones modulares que têm na questão da energia um dos seus problemas – sobretudo na altura de trocar módulos. Se todo um sistema operativo estiver acessível a partir de um cartão UFS, então será menos ‘guloso’ a consumir energia.

Uma questão de compatibilidade

Os cartões UFS têm muitas vantagens sobre os cartões microSD, mas há uma área onde os velhinhos cartões ganham: compatibilidade. Atualmente a maior parte dos dispositivos móveis são compatíveis com cartões microSD, mas não há qualquer smartphone ou tablet no mercado neste momento que suporte cartões UFS.

É uma situação compreensível visto que é preciso que existam cartões para que os fabricantes se sintam tentados a tirar proveito da tecnologia. O objetivo com esta questão é chamar a atenção para o tempo que vai demorar até que os cartões UFS consigam ter uma base de suporte suficientemente grande até que comecem a ser verdadeiros substitutos dos microSD.

A Samsung não apontou uma estimativa de tempo para que surjam no mercado equipamentos com suporte para cartões UFS, sendo que o primeiro passo até poderá ser dado pela tecnológica: o Galaxy Note 7 está ao virar da esquina ou então será preciso esperar mais uns quantos meses até que um novo Galaxy S seja anunciado.

Basta olhar para a parte traseira dos cartões UFS para percebermos que a disposição dos chips é totalmente diferente. Deverá acontecer relativamente o mesmo que aconteceu com a norma USB Tipo-C: foi anunciada, gerou entusiasmo, mais ainda demorou até que o standard se estabelecesse – agora é algo quase ‘obrigatório’ nos smartphones topo de gama, mas que continua a ser deixado de fora nos equipamentos mais acessíveis.

Outra questão que está por esclarecer e que será importante na democratização da tecnologia UFS é o preço dos cartões. A Samsung anunciou modelos com 32, 64, 128 e 256 gigabytes de capacidade de armazenamento, mas não lhes apontou um preço.

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