Vivemos num mundo em que os dispositivos móveis assumiram uma grande preponderância nas nossas vidas. Para milhões de consumidores em todo o mundo, o smartphone é um gadget indispensável e em torno do qual está concentrada grande parte das suas vidas digitais.

Mais de metade das pesquisas do Google são feitas em dispositivos móveis. No final de 2016 mais de 90% dos utilizadores mensais do Facebook acediam através do smartphone. Dos 1,5 mil milhões de utilizadores registados que o YouTube recebe todos os meses, a média de consumo de vídeo num dispositivo móvel é de uma hora por dia. Estes são apenas alguns números, de alguns dos maiores serviços digitais do mundo, que revelam a importância do segmento mobile.

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Dez anos depois da chegada do smartphone moderno e já numa fase em que o mercado apresenta um elevado nível de maturidade, os smartphones continuam a vender a grande ritmo. Em todo o mundo foram vendidos 689 milhões de smartphones no primeiro semestre do ano, de acordo com valores da IDC. Um valor que em Portugal foi de 1,23 milhões para o mesmo período.

Uma última prova do domínio que os smartphones têm na cabeça dos consumidores. “Entre os dez gadgets mais pesquisados do ano em Portugal, as atenções são dominadas pelos telefones inteligentes. Não há lugar para um computador, para um relógio inteligente, nem para uma consola”, escrevemos relativamente ao resultado dos gadgets mais pesquisados em Portugal no ano de 2016, segundo dados da Google.

Apesar deste domínio do smartphone, existem outros gadgets que continuam a ter um papel preponderante na vida das pessoas – o computador é um dos melhores exemplos. Sim, as pessoas podem já não passar tanto tempo ao computador como passavam antigamente, sobretudo nas tarefas mais básicas como a navegação na internet.

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Mas o computador continua a ser a principal companhia daqueles que têm um trabalho ‘informatizado’ ou cujas atividades de lazer passam por tarefas que exigem um bom nível de resposta multitasking ou um grande poder de processamento – como o gaming por exemplo.

O ‘efeito smartphone’ sentiu-se de forma dura no mercado dos computadores: já lá vão cinco anos consecutivos em que as vendas de computadores estão em quebra. Quebra não significa no entanto que tenham desaparecido por completo.

O computador enquanto equipamento de eletrónica está a evoluir mais como um equipamento de utilidade, isto é, dura cada vez mais anos e os ciclos de renovação já não acontecem tão frequentemente, um pouco como já acontece com os televisores. Em Portugal e nos primeiros seis meses do ano foram comercializados 182 mil computadores, segundo valores adiantados pela IDC ao FUTURE BEHIND.

Além deste número significativo, há também uma boa notícia nesta área: em comparação com os primeiros seis meses de 2016, as vendas de computadores em Portugal aumentaram 16,1%, uma recuperação fulgurosa. Estes são números relativos apenas ao mercado de consumo, não contemplando por isso os valores gerados pelo mercado empresarial.

De acordo com a análise da IDC, estas são as marcas que atualmente mais vendem em Portugal.

Notamos em primeiro lugar que a distribuição de vendas do mercado português é muito distinta da do mercado a nível global. A HP, que é líder a nível mundial, em Portugal aparece na segunda posição. A Lenovo, que é número dois a nível global, em Portugal ocupa apenas a quarta posição. A Asus, que a nível mundial vai discutindo a entrada no top 5 com a Acer, em Portugal é a marca que mais vende. Já a Dell, que é a número três a nível mundial, em Portugal nem sequer tem uma unidade de consumo, ainda que os seus portáteis possam ser comprados em revendedores de canal.

Olhando para os resultados portugueses, a HP, a Acer e a Apple são claramente as marcas a destacar no primeiro semestre do ano por terem registado todas crescimentos muito saudáveis – o lugar de destaque vai mesmo para a Acer que conseguiu crescer 63%.

Em contrapartida as marcas que ficam fora deste top 5 apresentaram um decréscimo nas vendas superior a 25%, o que significa que os consumidores têm sido atraídos por equipamentos de marcas que além de terem uma longa tradição neste segmento, estão entre as marcas que têm revelado de facto as máquinas mais bonitas e ambiciosas em termos de qualidade.

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Depois de serem conhecidas as marcas que mais vendem, questionámos as respetivas empresas sobre os modelos de computadores mais comercializados em Portugal. Além de ser um factor de análise que permite perceber quais são as tendências de consumo atuais, é também um elemento que nos dá alguns indicadores sobre o perfil do consumidor português de computadores.

Nota: Alguns dos modelos referidos pelas marcas têm mais do que uma configuração e preço disponíveis. Os modelos abaixo são apenas um exemplo representativo do que pode encontrar nessa gama. A Apple não respondeu ao pedido de informação do FUTURE BEHIND.

Asus Zenbook UX330

ROG STRIX GL553VW

Asus Vivobook MAX

 

HP 15

HP Pavillion 15

HP Omen 15

Acer Swift 3

Acer Spin 5

Acer Switch 10E

Lenovo IdeaPad 100S

Lenovo Miix 310

Lenovo Yoga 510

Considerações

Olhando para os modelos mais populares junto dos consumidores portugueses, que conclusões podemos tirar?

A primeira conclusão está relacionada com o formato dos computadores – o portátil ainda é rei e senhor no mercado. Não há qualquer desktop entre os três modelos mais vendidos por marca e mesmo as opções de portabilidade mais flexíveis – 2-em-1 e convertíveis – ainda não chegam para ser a opção mais vendida.

Numa outra perspetiva continua a haver um apetite muito grande por computadores com ecrãs de dimensões generosas. A esmagadora maioria desta lista é composta por modelos de 14 ou mais polegadas, sendo que o ‘velhinho’ formato de 15,6 polegadas ainda parece ser o mais procurado.

Um terceiro destaque vai para o facto de existirem dois computadores de submarcas de gaming – ROG da Asus e Omen da HP – nesta lista. Se dúvidas havia sobre a crescente popularidade do gaming em Portugal, estes exemplos deitam essas dúvidas por terra. O gaming continua a ser um segmento de nicho, como é óbvio, mas o tamanho do nicho está a expandir rapidamente.

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Para uma quarta conclusão podemos falar em diversidade. Não tanto no formato dos computadores, como já vimos, mas sim nos níveis de preço das máquinas mais populares. Como referimos antes da enumeração da lista, alguns modelos destes computadores têm mais do que uma configuração técnica e por isso os preços variam bastante.

Os três modelos mais vendidos por marca acabam no entanto por estar em sintonia: encontramos um modelo abaixo dos 400 euros; encontramos um modelo de gama média entre os 700 e os mil euros; e encontramos também um modelo mais topo de gama e acima dos mil euros.

Este perfil de compra, por assim dizer, mostra quão importante é para as marcas terem um portfólio de produtos que seja equilibrado também ao nível de preço. Por exemplo, apesar de a HP estar a assumir um pendor claramente mais topo de gama para os seus computadores portáteis, a empresa continua a ter no mercado vários modelos de entrada de gama, pois sabe que há sempre uma franja do mercado que vai optar pelas soluções mais baratas.

Por último destaque para a tecnologia de ecrã multitoque. Apesar de vivermos na era dos dispositivos móveis, os consumidores continuam a comprar acima de tudo computadores cujos ecrãs não são sensíveis ao toque. Ainda que as vendas de equipamentos híbridos tenha aumentado ao longo dos últimos anos, parece que os consumidores portugueses privilegiam uma experiência mais ‘purista’.

Se tivermos em conta os equipamentos touch desta lista, então também percebemos que apesar de já terem uma boa popularidade, continuam a ser equipamentos com níveis de preço mais baixos. Quando os consumidores compram um computador mais caro é acima de tudo pelas suas especificações que garantem desempenho e não tanto pelo facto de garantirem ou não uma experiência touch.

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