Mais um ano, mais um período de grandes novidades tecnológicas. Os últimos 12 meses trouxeram a afirmação de várias tecnologias que durante muitos anos pareciam ser simples promessas. Definitivamente 2017 foi um ano de concretização e de afirmação.

Em termos de grandes temas o blockchain, a inteligência artificial, as criptomoedas, a segurança informática, a realidade aumentada e a condução autónoma estiveram entre as principais tendências do ano. O mais provável é que em 2018 continuemos a sentir uma grande influência destes temas, que provavelmente serão acompanhados de novos desenvolvimento em áreas como a realidade virtual e a computação quântica.

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No início de 2017 publicámos um artigo com o título “Escolhemos 12 empresas para manter debaixo de olho em 2017 e dizemos-lhe porquê”. Agora que o ano está a chegar ao fim é altura de olharmos para tudo o que aconteceu ao longo dos últimos 12 meses e perceber se todas as expectativas foram cumpridas ou se houve empresas que ficaram muito abaixo daquilo que era esperado.

Softbank

Uma boa alcunha para a tecnológica japonesa teria sido o ‘gigante adormecido’. Já ninguém duvida da influência que a Softbank vai representar no mundo tecnológico ao longo dos próximos anos, com 2017 a representar o ano em que a empresa consolidou as bases para o seu futuro.

Se em 2016 o grande movimento foi a aquisição milionária da ARM, em 2017 a empresa diversificou muito mais os seus investimentos, tendo gastado ainda mais dinheiro. Segundo contas da publicação TechCrunch, a Softbank investiu 30 mil milhões de dólares em 44 rondas de financiamento através do Vision Fund.

WeWork, Uber, Nvidia, Didi Chuxing, Slack, Lemonade, Ola, Improbable e Plenty são apenas alguns dos nomes mais conhecidos nos quais a Softbank investiu e que lhe garantem uma posição em mercados muito distintos – desde ferramentas de produtividade, passando pela mobilidade, videojogos e até agricultura.

Em janeiro escrevemos que “a Softbank quer estar em todas” e a atividade da empresa em 2017 veio provar isso mesmo. Pelo dinheiro que ainda tem em caixa e pelos investimentos que fez recentemente, a Softbank será um nome para acompanhar novamente em 2018 – a publicação The Information até escolheu o diretor executivo da Softbank, Masayoshi Son, como o homem do ano para 2018.

Virgin Galactic

A empresa do britânico Richard Branson passou todo o ano a realizar testes – depois do desastre que aconteceu em 2014, a tecnológica precisa de atenções redobradas antes de enviar novamente a sua aeronave para um voo suborbital.

Foram feitos testes de voo, seis testes de planagem e também já foi realizado pelo menos um teste com os depósitos de combustível cheios. Um dos elementos mais aguardados, o de um possível teste com os propulsores ligados, acabou por não acontecer em 2017.

Nota-se claramente que a Virgin Galactic prefere atrasar as suas ambições de voltar a fazer voos suborbitais e garantir que tudo é executado de forma perfeita – um novo desaire ainda antes do início dos voos comerciais pode perfeitamente ditar o fim das ambições de Richard Branson. Esta cautela extra tem permitido que algumas das empresas rivais, como a Blue Origin, estejam a ganhar cada vez mais protagonismo.

Mesmo não cumprindo todas as expectativas, a empresa terminou o ano de forma positiva: recebeu um investimento de mil milhões de dólares da Arábia Saudita e fechou um acordo de colaboração com a Agência Espacial Italiana.

Samsung

Mais um ano em grande para a Samsung. Havia muita pressão em torno da imagem da empresa depois dos incidentes com o Galaxy Note 7, mas a tecnológica não só conseguiu limpar bem a sua imagem, como conseguiu fazer com que tudo ficasse rapidamente para trás com dois dos melhores smartphones do ano.

Os Galaxy S8 e Galaxy Note 8 são dos equipamentos mais bonitos, mais potentes e mais desejados do ano. O facto de cada vez mais equipamentos apostarem em ecrãs com um formato de 18:9 deve-se à Samsung e ao sucesso do Galaxy S8, que mostrou claramente ser aquele o próximo passo que os utilizadores queriam em termos de design e experiência de utilização.

Se ao nível dos dispositivos móveis a Samsung dominou, já no campo da realidade virtual, um para o qual tínhamos chamado a atenção no início do ano, a empresa passou um pouco despercebida. Sim, foi lançada uma versão melhorada dos Gear VR e a Samsung também decidiu suportar o ecossistema Google Daydream, mas a tecnológica ainda não anunciou qual a sua posição estratégica relativamente ao facto de a Oculus, o seu principal parceiro neste sector, lançar um equipamento que pode diminuir o interesse nos Gear VR.

O ano também não correu tão bem na área da inteligência artificial. Havia grandes expectativas para a integração do assistente Viv nos equipamentos da Samsung, tendo a empresa optado por avançar antes com o Bixby, um assistente de voz que está longe de ser tão versátil como o Google Assistant ou a Alexa.

Microsoft

Em termos de realidade aumentada o ano foi morno para a Microsoft, que pouco mais fez do que disponibilizar os óculos HoloLens em mais mercados. Já na área da realidade virtual vimos esforços interessantes da empresa e dos seus parceiros, mas o impacto acaba por ser nulo em muitos países, como é o caso de Portugal.

Ficam por isso por confirmar os planos da empresa na criação de um ecossistema forte em conteúdos de AR e VR, suportado no sistema operativo Windows. As ferramentas já estão todas no mercado, mas falta conhecer indicadores que provem que os utilizadores estão a tirar partido destas funcionalidades.

Numa análise claramente negativa, a empresa desistiu finalmente do sistema operativo Windows 10 para smartphones, o que nesta fase acaba por ser apenas uma derrota moral e sem grande impacto financeiro nas contas da empresa. Por outro lado a Microsoft voltou a ser um destaque no segmento do hardware, muito graças ao lançamento do novo Surface Pro e sobretudo do Surface Laptop.

A tecnológica de Redmond esteve longe de cumprir todas as expectativas para este ano, mas fez o suficiente para pelo menos não desiludir.

Snap Inc.

Tudo apontava para um ano em grande para a Snap Inc., algo que acabou por não acontecer: 2017 foi provavelmente um dos períodos mais difíceis para a empresa liderada por Evan Spiegel.

A entrada na bolsa de valores até começou bem, mas rapidamente as ações da Snap Inc. perderam valor e nos meses seguintes estiveram quase sempre abaixo dos 17 dólares com que foi iniciada a Oferta Pública Inicial. À hora de publicação deste artigo cada ação valia 15 dólares.

Além disso, os Spectacles passaram de gadget-surpresa a um dos grandes flops do ano. A empresa não foi célere no lançamento dos óculos em mais mercados, a euforia da fase inicial passou e atualmente a Snap Inc. tem “centenas de milhares” de óculos encostados num armazém na China, de acordo com uma reportagem da publicação The Information.

Para piorar tudo, as Instagram Stories estão a ser um sucesso, o Facebook copiou a funcionalidade para outros serviços como a própria rede social e a aplicação WhatsApp, e há cada vez mais pressão sobre aquilo que a Snap Inc. precisa de fazer para assegurar um futuro saudável.

Neste ano atribulado salvam-se as iniciativas de realidade aumentada da empresa e a vontade de querer separar o lado social da vertente de distribuição de conteúdos na sua plataforma.

Uber

Outra tecnológica que parecia estar encaminhada para um ano em grande e que acabou por viver em 2017 um dos períodos mais agitados da sua história. Na área dos veículos autónomos, uma na qual a Uber prometida dar cartas, a empresa viu os seus esforços ‘congelarem’ um pouco por via de um processo judicial movido pela Waymo e que promete fazer correr muita tinta.

A Uber é acusada de contratar funcionários que roubaram segredos industriais à Waymo e que alegadamente terão permitido desenvolver a tecnologia de veículos autónomos que a empresa tem atualmente.

Este foi também o ano em que surgiram várias polémicas relacionadas com a Uber, como os esquemas para enganar as autoridades e até a própria Apple, como o ambiente machista que se vivia na empresa e até um ataque informático de larga escala que foi escondido de tudo e de todos. A turbulência foi tanta que a Uber perdeu o seu fundador e diretor executivo, Travis Kalanick, que acabou por sair pela porta pequena, depois de ter sido forçado pelos investidores a abrir mão da sua posição.

A Uber continua a ser a empresa que está a mudar a forma como as pessoas pensam a mobilidade dentro das grandes cidades – será que o ano de 2018 será menos espinhoso ou teremos novas revelações que poderão colocar em causa o futuro da empresa?

Nintendo

Enquanto algumas tecnológicas passaram maus momentos em 2017, o caso da Nintendo é completamente diferente. A gigante japonesa passou os últimos quatro anos a ‘levar nas orelhas’ devido do fracasso da Wii U – apesar de ter produzido jogos de grande qualidade para a consola – e tinha terminado o ano de 2016 com uma promessa de que tudo iria mudar.

De facto mudou: a Nintendo Switch é um sucesso de vendas ao ponto de ter sido difícil encontrá-la durante várias semanas após o lançamento, a Nintendo lançou aqueles que são alguns dos melhores videojogos do ano e os lançamentos mobile da tecnológica mesmo não sendo sucessos estrondosos, também não comprometeram e alargaram a audiência da empresa.

Nintendo Switch

 

 

Para muitos a Nintendo Switch é o gadget do ano e The Legend of Zelda: Breath of the Wild é o melhor jogo do ano e um dos melhores de sempre – que mais poderia querer uma empresa de videojogos?

Nokia

Ponto assente: nunca vamos ter de volta a Nokia de antigamente. Os telemóveis mudaram, os níveis de exigência dos consumidores mudaram e a própria Nokia, enquanto marca, mudou. Outro ponto assente: apesar disto tudo, a marca Nokia continua a ser muito querida junto dos consumidores.

A HMD Global, a empresa que agora detém os direitos de exploração da marca Nokia, até conseguiu provocar algum impacto com os seus dispositivos, tendo apresentando equipamentos com uma boa relação qualidade-preço. A questão é que quando o hype do regresso da Nokia desaparecer, a empresa precisa de garantir um trabalho acima da média ou então dificilmente vai conseguir manter relevância perante as marcas que já estão estabelecidas.

Ainda assim a Nokia deu-nos um dos grandes momentos do ano: o regresso do Nokia 3310. A nova versão do telemóvel retém algumas características que de facto lembram o modelo original, mas em bom rigor não é um herdeiro digno do mito da telefonia móvel no qual o Nokia 3310 original se transformou.

Nokia 3310

Em resumo, 2017 acabou por revelar-se um bom ano de regresso para a Nokia, resta saber se terá sido um momento passageiro ou se a história da marca se prolonga por mais uns anos.

GoPro

A GoPro tinha passado um mau bocado em 2016, tanto numa perspetiva financeira, como numa perspetiva de produto. Tudo indicava que 2017 seria um ano de grande pressão, mas a tecnológica parece ter conseguido pelo menos equilibrar o barco.

A empresa lá conseguiu colocar no mercado o drone Karma depois de uma falsa partida para este equipamento. A boa receção das GoPro Hero 5 e a continuidade dada pelas GoPro Hero 6 acabaram por ajudar a diminuir, pelo menos, o número de artigos e notícias que questionavam o futuro da GoPro.

Aquilo que dissemos no início do ano mantém-se no entanto inalterado: “A qualidade das câmaras GoPro é inquestionável, mas o mercado está a ficar mais preenchido e com concorrentes à altura”. Ou seja, a GoPro ainda é a referência, mas ser a referência é algo que interessa cada vez menos para alguns consumidores, pois as alternativas são fiáveis e com boa relação qualidade-preço.

A GoPro aguentou  mais um ano com a cabeça fora de água, o que acaba por ser um indicador positivo para enfrentar os desafios que o ano de 2018 lhe pode reservar.

Nvidia

Lembra-se de termos dito acima que a Softbank investiu na Nvidia? Foram quatro mil milhões de dólares e este podia ser, por si só, um sinal da boa fase que a fabricante de placas gráficas tem atravessado.

A procura por sistemas de alto débito de computação está a aumentar: seja por causa dos videojogos, seja por causa da inteligência artificial, seja por causa dos veículos autónomos. Além disso 2017 trouxe uma surpresa inesperada: uma maior procura por GPU dedicadas para a mineração de criptomoedas.

A Nvidia tem sabido responder de forma muito certeira a todas estas necessidades. Veja-se o exemplo da Titan V, uma unidade de processamento gráfico que consegue atingir 110 teraflops de processamento – é um equipamento desenhado para investigações nas áreas de machine e de deep learning.

Mais do que nunca, quando pensamos em processamento gráfico, independentemente da sua finalidade, pensamos em Nvidia. E isso é um indicador muito positivo sobre o futuro da empresa e é o resultado de um trabalho muito bom que foi executado não só ao longo dos últimos 12 meses, mas que acabou por ser mais visível neste período.

Magic Leap

No início do ano escrevemos que “o segmento da realidade aumentada vai evoluir bastante em 2017 e a Magic Leap não pode simplesmente continuar na sombra a fazer promessas”. Os indicadores de mercado apontavam todos neste sentido e o lançamento de iniciativas como o ARKit e outras ferramentas de realidade aumentada vieram comprovar isso.

O desconfiança que existia relativamente à Magic Leap no início do ano acabou por adensar-se ao longo dos meses. Tudo indicava que iríamos escrever uns parágrafos sobre como 2017 tinha sido difícil para a empresa…

E foi de facto. Muitas críticas, algumas polémicas e uma teimosia em não mostrar o produto podiam ter deitado por terra um bom trabalho de marketing que a tecnológica soube construir desde o primeiro momento. Valeu à empresa a revelação dos óculos Magic Leap One na semana passada, o que ajudou a terminar o ano na mó de cima.

Por culpa de um 2017 maioritariamente negativo, a margem de manobra para a empresa em 2018 será muito menor: as pessoas já sabem o que esperar de experiências de realidade aumentada de qualidade e a Magic Leap terá de saber corresponder às expectativas ou pode ter de enfrentar o lado amargo da realidade.

Amazon

Se tivéssemos de escolher a tecnológica do ano, provavelmente o prémio seria disputado entre a Nintendo e a Amazon. A ‘Big N’ teve um ano quase perfeito, mas a Amazon também esteve em grande forma. De forma resumida, a empresa conseguiu estender ainda mais a sua influência na vida de consumo digital das pessoas.

O negócio de cloud continua a crescer, as colunas Amazon Echo e a assistente Alexa são mais populares do que nunca, a tecnológica aumentou o seu portfólio de hardware, está a consolidar a sua estratégia de omnicanal e é, na prática, a empresa que todas as outras temem.

Amazon Echo Dot

A Amazon tem uma presença direta ou indireta em quase todos os grandes negócios do sector digital, seja videojogos, música, filmes, séries, aplicações… é só dizer. Se os indicadores baterem certo, então em 2018 teremos uma plataforma dedicada da Amazon em Portugal e provavelmente noutros mercados do mundo, o que só aumentará a ‘pegada’ da empresa.

A Amazon transpira saúde e está mais sólida do que nunca. Definitivamente este foi um bom ano para a tecnológica liderada por Jeff Bezos, que graças ao momento fulgurante da sua criação chegou mesmo a ser o homem mais rico do mundo.

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