Ao longo do dia de hoje, 31 de dezembro de 2016, muitos indivíduos por este mundo fora vão estar com a atenção dividida entre os fogos de artifício que vão rebentando, celebrando o novo ano, e o valor do Bitcoin. A divisa digital teve um ano espetacular, não só pela grande valorização que sofreu, mas pela forma como isso foi conseguido.

À hora de publicação deste artigo um bitcoin valia 935,20 dólares ou 905,74 euros. Significa isto que desde o dia 1 de janeiro de 2016 a criptomoeda valorizou uns assombrosos 120%.




Há anos que o Bitcoin não tinha um valor de mercado tão alto. Melhor mesmo só no mítico mês de novembro de 2013 em que a moeda ultrapassou os mil dólares de valorização. Mas agora é tudo muito diferente dessa altura. Em 2013 o Bitcoin triplicou de valor apenas no mês de novembro, agora em 2016 a escalada foi contínua.

Conclusão? Estabilidade. Pode parecer uma palavra difícil de atribuir a uma moeda que não está regulamentada e que já nos deu vários episódios de ‘pânico’, mas é justamente por isso que o ano de 2016 é especial. Este foi o ano em que a moeda parece finalmente ter provado que consegue ser ‘adulta’ e sem crises de humor.

Bitcoin 2016

Evolução do valor do Bitcoin em 2016. #Crédito: Coindesk

Neste último dia de 2016 a única expectativa que existe relativamente ao Bitcoin é se conseguirá terminar o ano a valer mil dólares. Não que isso importe muito, seria apenas um valor simbólico para coroar o bom momento que a divisa digital tem vivido.

Meu querido mês de abril

Até ao mês de abril o valor do Bitcoin manteve-se relativamente estável nos 420, 430 dólares. A partir de abril foi quando o ano da moeda começou a ganhar uma nova dinâmica.

No início desse mês começaram a surgir rumores de que o criador do Bitcoin, de pseudónimo Satoshi Nakamoto, iria finalmente dar a cara. O australiano Craig Wright era apontado por algumas publicações como o nome a ter em conta.

Poucas semanas depois aconteceu aquilo que estava previsto: Craig Wright veio a público alegar que era o criador do Bitcoin. Sim, alegar. Pois a verdade é que apesar de haver indícios que corroboram a narrativa de Wright, também é verdade que ficaram por desfazer muitas dúvidas.

Aquele que era um dos maiores mistérios modernos tinha sido alegadamente desvendado, mas ninguém ficou satisfeito. Porquê? As justificações apresentadas por Craig Wright estavam longe de ser satisfatórias, sobretudo junto da comunidade ligada ao bitcoin e é como se a paternidade da criptomoeda nunca tivesse sido reclamada. Para todos os efeitos, o Bitcoin continua sem um pai.

O mês de abril trouxe também um desenvolvimento interessante na afirmação da moeda como um método de transação mais fiável. O Luxemburgo aprovou a atividade do mercado Bitstamp no país. As implicações vão no entanto muito além – sendo o Luxemburgo um país da União Europeia, a validação do mercado estende-se também aos restantes países da UE.

Não se trata de uma regulamentação, mas de um atestado de confiança. Na prática o Bitstamp passou a ser o primeiro mercado de bitcoins com licença válida também a operar em Portugal.

A partir de abril foi quando o valor do Bitcoin começou a escalar de forma relativamente estável. Nada livrou a moeda de alguns tombos repentinos, mas nenhum em 2016 foi suficientemente forte para gerar nova onda de desconfiança relativamente à moeda.

O surgimento de muitas startups que estão a trabalhar soluções para facilitar a utilização e introdução do Bitcoin na vida das pessoas e também a aceitação da moeda por parte de cada vez mais negócios, estão a cimentar a posição do Bitcoin como a divisa digital do mundo.

A própria base tecnológica do Bitcoin, o Blockchain, está a ser aplicada a cada vez mais sectores de atividade, incluindo a banca tradicional, o que de certa forma ajuda a atestar a qualidade do sistema da moeda digital.

Um caso recente e que mostra que as atenções vão continuar centradas no Bitcoin: quando o fundador do Airbnb perguntou qual a ‘funcionalidade’ que os seus utilizadores mais queriam ver implementada no ano de 2017, o vencedor foi a integração do Bitcoin como um sistema de pagamento.

Efeito EUA e China

A desvalorização que o dólar sofreu ao longo do ano e a força que o yuan foi conquistando também ajudam a explicar parte do sucesso que o Bitcoin conheceu este ano. Na prática alguns investidores decidiram salvaguardar os seus investimentos na divisa digital.

O ‘aquecimento’ da relação entre os EUA e a China também está a fazer com que mais pessoas, um pouco por todo o mundo, olhem para o Bitcoin como um lugar de refúgio. É que neste momento a moeda só tem a ganhar: se a tensão escalar entre os países, será de esperar que o Bitcoin continue a aumentar o valor.

Parte do segredo do Bitcoin em 2016 foi justamente este. Quem investiu não está a disposto a largar a moeda no curto prazo. As pessoas sabem que o Bitcoin ainda está longe de atingir o seu verdadeiro potencial e que poderá ser uma questão de horas ou de dias até que esteja acima dos mil dólares.

Quando o Bitcoin ultrapassar os mil dólares, volta a ficar um pouco no limbo. O valor é simbólico, mas também traz alguma pressão, a pressão de manter-se acima dessa linha de água.

A barreira dos mil dólares é igualmente importante pois é a meta mais próxima que todos conseguem ver. Depois dos mil dólares ninguém sabe se o Bitcoin conseguirá chegar aos 1.300, aos 1.500 ou até aos dois mil dólares de forma estável.

Esta incerteza, ao contrário de outras incertezas que já afetaram a divisa no passado, tem um efeito positivo. É como se em 2016 tudo tivesse corrido bem ao Bitcoin. Mas a questão amanhã, será a mesma de sempre: até quando vai manter-se a onda positiva?

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