Em abril de 2016 o diretor da plataforma Facebook Messenger, David Marcus, deu uma entrevista à publicação The Verge na qual abordava o arranque tremido daquela que era uma das novas grandes apostas da empresa: bots.

Os bots são ferramentas de comunicação e interação automáticas e que no caso do Facebook estão disponíveis no seu serviço de mensagens instantâneas. Para o caso de ainda não conhecer muitos bots no Facebook Messenger, temos aqui uma lista para si.

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Acontece que antes de o Facebook iniciar a tendência dos bots – a par da Microsoft -, a própria rede social já tinha criado um assistente digital. Chamava-se M e os primeiros relatos de desenvolvimento desta ferramenta remontam a julho de 2015, quando ainda tinha o nome de código ‘Moneypenny’.

O objetivo do Facebook era criar um assistente que fosse pró-ativo e que ajudasse os utilizadores sempre que estes necessitassem. Utilizando técnicas de inteligência artificial e de reconhecimento de texto, o M conseguia antecipar situações em que uma ajuda externa era bem-vinda – como marcar uma reserva num restaurante quando na conversa estava a ser planeada uma saída para sexta-feira à noite.

O conceito parecia promissor, mas andou durante muito tempo longe da ribalta. O Facebook M apenas foi disponibilizado a um pequeno conjunto de utilizadores, em formato beta, e na prática nunca foi assumido como um produto de proa do Facebook – no entanto a empresa também nunca desistiu dele.

Pelo caminho o Facebook apercebeu-se da necessidade de inverter a estratégia. Antes de começar pelo lançamento massificado do M, a empresa precisava de colocar ferramentas nas mãos dos programadores que lhes permitissem desenvolver bots, muitos bots. Quantos mais bots existissem no Messenger a conversar com as pessoas, mais inteligentes e precisos ficariam os algoritmos da empresa.

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Em abril de 2017 o Facebook anunciou que já tinham sido desenvolvidos 100 mil bots para o Messenger. São muitos robôs a conversar com humanos, o que acabou por ajudar na concretização do seu plano. Não é por isso de estranhar que nessa mesma altura o Facebook tenha anunciado o ‘regresso’ do assistente digital M num formato renovado, muito mais capacitado e disponibilizado para todos os utilizadores dos EUA.

A nova vida do M já trazia alguma água na fervura do passado. Na entrevista que deu ao The Verge, David Marcus dissera que seriam necessários anos até que o Facebook pudesse disponibilizar de forma mais alargada esta sua ferramenta.

“Temos dois objetivos com isto [projeto Facebook M]. Um é tornar o produto em algo incrível e isso vai demorar anos até que todos tenham acesso a ele [M]. E depois construir ferramentas para que todo o ecossistema de tarefas possa ser construído à sua volta”.

Eis-nos a 10 de outubro de 2017, sensivelmente meio ano após o relançamento do produto e o M já cá canta.

Lançamento faseado

A empresa anunciou ao final da tarde de hoje que o assistente digital Facebook M está agora disponível em Portugal e no Brasil. A ferramenta vai estar integrada no Facebook Messenger, não requerendo por isso qualquer instalação à parte. Na informação divulgada é ainda dito que o lançamento vai ser feito de forma faseada, pelo que se não tiver acesso imediato ao M, essa é uma situação que deverá mudar ao longo dos próximos dias.

Devido à dimensão do mercado português – a última contagem oficial apontava para 5,8 milhões de utilizadores do Facebook em Portugal -, é provável que o lançamento neste lado do Atlântico tenha sido influenciado pelo grande potencial do mercado brasileiro. Segundo a plataforma Statista, o Brasil é o terceiro maior mercado do Facebook com 139 milhões de utilizadores. E claro, há sempre a hipótese de Hugo Barra ter contribuído para este desfecho.

Vale a pena salientar desde já que apesar de ser um indicador positivo o lançamento do M em Portugal, querendo isto dizer que o assistente do Facebook já percebe português ao ponto de a tecnológica arriscar uma disponibilização alargada, o M que está disponível em português não tem as mesmas funcionalidades e níveis de integração do Facebook M norte-americano.

No caso de Portugal e do Brasil o M vai fazer sugestões nas conversas se detetar alguma das seguintes situações:

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As funcionalidades que agora estão disponíveis nestes dois mercados são exatamente as mesmas funcionalidades lançadas em abril nos EUA. A questão é que entretanto o M evolui de forma significativa para os norte-americanos.

Nos EUA o M já sugere a partilha de GIF, sugere respostas automáticas às mensagens que o utilizador recebe, permite guardar conteúdos para ver mais tarde e também requisitar um veículo através de serviços de mobilidade partilhada.

Recuperar terreno para a concorrência

Ao bom estilo dos sistemas de machine learning e inteligência artificial, o M fica mais astuto quanto mais for usado. Visto que é uma ferramenta pró-ativa, que faz sugestões sem que lhe sejam pedidas especificamente, o Facebook permite que as sugestões feitas pelo assistente possam ser ignoradas ou que o próprio M possa ser desativado por completo.

“Desde que lançámos as Sugestões do M em abril, o M ficou muito mais personalizado, aprendendo mais funções e idiomas à medida que as pessoas desfrutavam e interagiam com as suas sugestões. Agora que o M fala português estamos entusiasmados por disponibilizar as Sugestões do M para os utilizadores do Messenger em Portugal e no Brasil, e ver o M evoluir ainda mais”, referiu em comunicado o gestor de produto do M, Laurent Landowski.

Por agora o Facebook M apenas funciona à base de texto, não tendo por isso as mesmas capacidades de interpretação linguísticas de uma Siri, de uma Cortana ou de um Google Assistant.

O Google Assistant acaba por ser um bom ponto de comparação sobre como o M funciona. Quando a Google lançou a sua mais recente aplicação de messaging, o Allo, o grande elemento diferenciador da plataforma era justamente o assistente digital pró-ativo.

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Apesar de o M ainda não ter capacidades vocais, talvez esse não seja um cenário que esteja assim tão distante de ser concretizado.

Uma notícia da Bloomberg de agosto revelou que o Facebook está a desenvolver uma coluna de som com assistente digital, à semelhança de uma Google Home ou uma Amazon Echo Dot, e estava também a recrutar engenheiros da Apple – talvez da divisão HomePod? – para concretizar os seus planos. É pouco provável que a materialização desta informação aconteça ainda em 2017, sendo mais provável a sua apresentação durante a conferência de programadores F8, no próximo ano.

Até lá pode sempre ir falando com o M.

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