A Faraday Future tem sido apelidada de ‘rival da Tesla‘ e se neste ano de 2016 apresentou o FFZERO1, um conceito para um carro elétrico, a empresa promete apresentar o seu primeiro veículo de produção nos primeiros dias de 2017.

O local escolhido será, novamente, o Consumer Electronic Show (CES), em Las Vegas, e a empresa norte-americana, com investimento chinês, tem aproveitado as redes sociais para lançar vários teasers sobre o seu futuro carro que, diz a Faraday Future, será o seu primeiro veículo de produção.




Destes pequenos teasers podemos perceber que a Faraday Future promete um carro rápido e autónomo, possivelmente sem qualquer tipo de volante. Porquê? Porque a empresa dá a entender que este carro será mais rápido do que um Ferrari 488 GTB, um Bentley Bentayga e um Tesla Model X e diz que “todos os lugares são lugares de passageiro”.

Um dos primeiros teasers mostra o veículo da Faraday Future a colocar-se em posição para uma corrida contra estes três veículos.

Em termos de comparação, o Bentley Bentayga faz dos zero aos cem quilómetros por hora em cerca de quatro segundos, o Ferrari 488 GTB em três segundos e o Tesla Model X em 3,17 segundos (na versão P90D). Será de esperar que o carro da Faraday Future seja o mais rápido dos quatro carros apresentados no vídeo; não faria sentido a empresa colocar-se em posição de comparação para perder. Enquanto não for apresentado, ou não sair o resto do vídeo, a dúvida fica no ar.

O mais recente teaser mostra uma imagem que, simplesmente, diz “Call, shotgun”, referindo-se à típica expressão para dizer “quem vai no lugar da frente, sou eu”. A acompanhar a imagem, a empresa pergunta “O que é ‘shotgun’ quando todos os lugares são lugares de passageiro?”. É fácil pensar que o primeiro veículo de produção da Faraday Future será autónomo e, como já foi referido, possivelmente sem volante.

O facto de o carro ser autónomo não é, de modo algum, de estranhar. A sua grande rival, a Tesla, já coloca de origem o software de condução semiautónoma, ou Autopilot, nos seus carros; todas as grandes marcas de carros (e não só) estão a trabalhar em algum tipo de software de condução autónoma.

Afinal, o que é a Faraday Future? A empresa descreve-se como uma “empresa de mobilidade avançada centrada no utilizador com sede em Silicon Valley e no sul da Califórnia” que tem como objetivo “alavancar o talento de pensadores líderes e criadores apaixonados das indústrias automóvel e tecnológica para trazer veículos elétricos conectados premium, intuitivos e sem problemas a todas as pessoas no mundo”.

Faraday Future FFZERO1

FFZERO1, o concept car da Faraday Future. #Crédito: Faraday Future

Em janeiro deste ano, a Faraday Future apresentou o FFZERO1, um carro de conceito que dificilmente verá a luz do dia. A empresa diz que este carro é uma “materialização” do seu ADN, uma “expressão amplificada dos elementos de design e engenharia que estão a ser implementados na produção dos nossos veículos”.

Durante o último ano, e para além do seu primeiro veículo de produção, a empresa norte-americana tem trabalhado na sua arquitetura de plataforma variável (VPA, na sigla, em inglês). Esta é uma estrutura modular e universal que estará presente em todos os veículos construídos pela Faraday Future.

As células de bateria presentes na VPA permitem à empresa armazenar mais energia em blocos compactos, colocados em linha. Ao adicionar ou remover uma destas linhas de bateria, a empresa pode ajustar o tamanho do veículo, o seu peso e o seu formato, por exemplo.

Para além disso, a Faraday Future também aliou-se a uma equipa da Fórmula E, um campeonato de carros elétricos, que conta com o piloto português António Félix da Costa. A equipa em questão é a Faraday Future Dragon Racing e a empresa norte-americana funciona como patrocinador e como “parceiro técnico central” da equipa. Os pilotos são Loic Duval, que já venceu as 24 horas de Le Mans, e Jerome D’Ambrosio, que já participou na Fórmula 1.

Faraday Future Dragon Racing

Empresa compete na Fórmula E. #Crédito: Faraday Future Dragon Racing

A curta história desta empresa pauta-se, também, por desconfiança. O principal investidor da Faraday Future é Jia Yueting, CEO da empresa chinesa LeEco que, durante o último mês, anunciou que a empresa tinha crescido demasiado e que não tinha dinheiro para aguentar a expansão agressiva que estava a protagonizar.

Este é um dos graves problemas para a Faraday Future: o dinheiro. Durante este ano, a empresa começou a construção da sua fábrica no Nevada, Estados Unidos, mas essa mesma construção foi colocada em modo pausa para “ajustar a agenda de construção com planos para retomar no início de 2017”, escreveu a Electrek no último mês.

Diz a mesma publicação que o investimento de 563 milhões de euros que a LeEco recebeu pode ajudar as duas empresas a continuar a funcionar, mas que os problemas financeiros da empresa chinesa que detém a Faraday Future podem ter um grande impacto nesta última.