Graças aos smartphones cada vez melhores e com sensores fotográficos cada vez mais ambiciosos, graças ao YouTube que rapidamente adapta-se às novas tendências, graças aos televisores cada vez mais acessíveis e também graças ao barulho gerado pelo HDR, o Ultra HD já parece uma tecnologia normalizada.

Só não o é mais porque a questão dos conteúdos continua a ser um problema. Os filmes e séries em 4K continuam a representar uma pequena parte das lojas de conteúdos. Este é, contudo, um cenário que está a mudar. E quando pensamos em 4K não deixamos de pensar em como este foi um bom ano para Portugal no que diz respeito a este tema.




Começando pelo Netflix. É verdade que o serviço foi lançado em Portugal no final de ano 2015, mas também é verdade que foi durante o ano de 2016 que o catálogo de conteúdos engrossou de forma significativa. O Netflix foi um lançamento importante pois além de trazer para o mercado português um dos mais avançados serviços de distribuição de conteúdos pela internet, trouxe consigo um bom catálogo de conteúdos em 4K. De tal forma que a LG fez logo uma parceria com a empresa para promover os seus televisores Ultra HD.

House of Cards, Sense8, Jessica Jones, The Crown e Daredevil, algumas das séries de proa do serviço norte-americano, estão disponíveis em Ultra HD.

Apesar de já ser no final do ano, Portugal acabou por receber outro dos maiores serviços de séries e filmes a nível mundial. O Amazon Prime Video estreou há uma semana em Portugal. Apesar de o catálogo de conteúdos ser nesta primeira fase muito limitado, trouxe consigo mais conteúdos 4K para os portugueses como as séries Mozart in the Jungle e Transparent.

No caso da Amazon e da Netflix, os conteúdos 4K são acima de tudo os conteúdos proprietários de cada empresa. Ou seja, os novos senhores do vídeo estão conscientes que é importante investir já num forte catálogo de filmes e séries em 4K. A revolução do Ultra HD está mesmo a acontecer, não é mais uma moda passageira como o 3D.

Há duas tipologias de 4K: o Digital Cinema Initiatives 4K tem uma resolução de 4.096×2.160 píxeis e é usado sobretudo no cinema; e o Ultra HD 4K com uma resolução de 3.840×2.160 píxeis, aquele que pode ser encontrado em televisores e na esmagadora maioria dos conteúdos.

Outra prova disso foi o europeu de futebol. A RTP fez a transmissão de oito jogos do Euro 2016 em Ultra HD. Quem já tem um televisor compatível pôde ver a seleção nacional levantar a taça pela primeira vez e logo com o maior detalhe possível.

Ainda que tenha sido só uma experimentação, é um passo positivo pois mostra interesse na tecnologia. Ainda é cedo para sonhar com todos os canais transmitidos em 4K, mas será uma questão de tempo até que isso aconteça.

Isto porque os diferentes emissores vão poder contar com o apoio das operadoras de telecomunicações nesse objetivo. O interesse é claro: MEO, NOS e Vodafone disponibilizaram nas suas grelhas canais experimentais em 4K. Os conteúdos não são dos mais interessantes? Em primeiro lugar diríamos que o importante é começar e em segundo lugar diríamos que nesta fase de ‘raridade’ do Ultra HD, é a espetacularidade das imagens que faz a diferença, não o resto.

Os operadores portugueses também estrearam boxes de televisão 4K este ano, como a NOS UMA

É fácil de imaginar um período de tempo em que os operadores vão começar a referir os canais 4K que têm nas suas grelhas. ‘Subscreva o pacote X, tem 136 canais dos quais 24 são em Ultra HD. A concorrência só tem 16’. Por agora uma proposta destas pode não fazer mexer a cabeça dos consumidores, mas à medida que os televisores 4K ficam populares, é para aí que caminhamos. O MEO até já tem um pacote de subscrição que inclui um televisor 4K de origem. E isto significa muito.

Por fim e não menos importante, as consolas de videojogos. Não foram lançamentos exclusivos em Portugal, mas vão sem dúvida alguma contribuir para a aceleração do mercado 4K. A Xbox One S só suporta vídeos nesta resolução, não suportando ainda videojogos. A rival PlayStation 4 Pro já suporta inclusive jogos com resolução Ultra HD.

À medida que existem mais equipamentos capacitados para lidar com o 4K, o mercado vai acabar por crescer. As pessoas que investem numa PlayStation 4 Pro vão querer ter o máximo de conteúdos em 4K. O mesmo para quem é dono de uma Xbox One S ou de um televisor Ultra HD.

Os consumidores portugueses chegam ao final do ano de 2016 com um leque de opções 4K muito mais abrangente do que quando começaram. E este é um bom indicador do que aí vem nos anos seguintes.