A Samsung apresentou algumas tecnologias e funcionalidades bem interessantes durante a revelação dos Galaxy S8 e Galaxy S8+. Uma delas foi a doca DeX, um acessório que permite ligar o smartphone a um monitor e que adapta a experiência mobile para uma típica experiência desktop. Outra novidade interessante revelada pela Samsung foi o assistente Bixby, uma ferramenta de inteligência artificial que representará para a Samsung o mesmo que a Siri representa para a Apple ou o Google Assistant para a Google.

Mas no meio dos vários anúncios que a Samsung fez em Nova Iorque, nos EUA, todos acabaram por ficar ‘ensombrados’ pela revelação dos Galaxy S8 e Galaxy S8+. Até aqui tudo bem, o objetivo sempre foi fazer com que esta dupla ficasse de facto com todo o destaque possível.




A questão é que todos podiam estar a falar dos Samsung Galaxy S8 por vários motivos – como os dois que já referimos anteriormente ou o facto de o desbloqueio facial ser super-rápido -, mas as conversas estão todas a focar-se no mesmo tópico: o design dos smartphones.

A própria Samsung preparou tudo por forma a que isto acontecesse. Durante a apresentação os executivos da tecnológica referiram várias vezes o ‘design revolucionário’, o ‘ecrã ‘infinito’’, o ecrã arredondado, as margens do smartphone bastante reduzidas…

Durante a conferência não vimos uma grande dedicação a outros elementos do smartphone: enquanto na apresentação dos Galaxy S7, em 2016, a Samsung passou uma boa parte do seu tempo a falar, por exemplo, da câmara dos equipamentos, no caso do Galaxy S8 quase não houve destaque para este elemento. A verdade é que também não havia muito para contar: o sensor é o mesmo e as melhorias que existem foram garantidas pela vertente de software, explica o The Verge.

Os Samsung Galaxy S8 são mais potentes do que os Galaxy S7? Sim, são: 10% em processamento, 25% em melhorias gráficas. Mas estes foram números dados de raspão.

Mesmo já existindo outros smartphones com as margens bastante reduzidas – como o Xiaomi Mi Mix ou o LG G6 -, a Samsung escolheu a questão do design para projetar os novos Galaxy S8 em termos mediáticos.

Samsung Galaxy S8

Em bom rigor o equipamento é muito diferente dos seus rivais. A questão do ecrã Edge faz toda a diferença em termos de aspeto. E o rácio que o ecrã ocupa relativamente ao restante tamanho do smartphone também coloca o Samsung Galaxy S8 muito bem visto aos olhos dos consumidores.

De um ponto de vista estratégico, este foco no design foi uma escolha sensata: os consumidores respondem muito melhor a transformações visuais ou significativas do que a pequenos incrementos. Ainda que as tecnológicas invistam vários milhões de euros só para conseguirem aumentar o desempenho do processador em 10%, a verdade é que acaba por não haver um forte relacionamento das pessoas com estas ‘pequenas’ questões.

“Neste momento chegamos a um nível de inovação que às vezes até nos leva um pouco a ser injustos com os fabricantes pois quando dizemos ‘não há muita inovação‘, inovação há, ela não é tão visível”, explicou-nos o analista da IDC Francisco Jerónimo numa entrevista recente.

A Samsung também precisa desta forte injeção mediática positiva para apagar de uma vez por todas o caso do Galaxy Note 7. Ainda que a gestão do caso tenha sido um tanto ao quanto trapalhona, a verdade é que a Samsung depois arrumou muito bem a casa. No seu evento de janeiro a tecnológica disse tudo o que sabia e podia sobre o caso do Galaxy Note 7.

Hoje nem uma palavra sobre o Note 7. Hoje era dia de seguir em frente e de mostrar ao mundo um equipamento vibrante, único e apelativo do ponto de vista visual. A fasquia para a concorrência – leia-se, para a Apple – está agora muito, muito elevada. Missão cumprida para a Samsung.

Talvez a forma como esta missão foi executada tenha sido demasiado dura para elementos que sem dúvida alguma mereciam maior atenção – a Samsung tem no DeX uma proposta de computação híbrida que pode de facto aproximar-nos ainda mais do sonho do smartphone-computador.

Se tivéssemos que escolher a novidade pela qual mais aguardamos relativamente ao Galaxy S8, elegemos o DeX sem qualquer sombra de dúvidas. É de facto o elemento que pode empurrar-nos para a próxima etapa dos dispositivos móveis. “O que parece excecional hoje, vai tornar-se essencial amanhã”, disse o diretor da divisão mobile da Samsung, DJ Koh, logo no início da apresentação.

No entanto o executivo não se referia ao DeX, nem ao design em específico, referia-se sim ao novo momento que a Samsung está a criar no mercado dos dispositivos móveis. Para si e para os outros.

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