Quando revelou o projeto de realidade virtual Daydream em maio na conferência Google I/O, a tecnológica norte-americana fez muitas promessas, mas na altura deixou muitos pormenores por revelar. No evento de hoje a Google já colocou quase todos os detalhes em cima da mesa. Sobretudo sobre os seus óculos de realidade virtual.

“Adoramos realidade virtual. É algo que acreditamos que vai ser importante, pois consegue colocar-nos noutros sítios, transporta-nos”, começou por dizer o líder da divisão de realidade virtual da Google, Clay Bavor.




A gigante de Mountain View está a posicionar o Daydream como uma plataforma de realidade virtual móvel de alta qualidade. Por outras palavras, a Google quer aproximar-se mais do trabalho que a Samsung tem estado a desenvolver com a Oculus Rift, tanto no campo dos conteúdos como no segmento do hardware.

Se a Samsung tem alguns dos smartphones mais potentes da atualidade para executar experiências de realidade virtual, a Google não fica nada atrás com o seu recém-anunciado Pixel. Aliás, os Pixel e Pixel XL são os únicos smartphones que neste momento suportam a plataforma Daydream.

Se a Samsung tem aqueles que são atualmente um dos óculos de realidade virtual de referência no mercado móvel – os Gear VR -, então a Google também tem uma resposta. Chamam-se Daydream View e tentam acima de tudo simplificar o acesso a experiências VR.

“Olhámos lá para fora e vimos alguns problemas. Alguns equipamentos desconfortáveis, todos muito parecidos e tivemos algumas ideias. Temos uma proposta diferente”, disse Clay Bavor. De seguida mostrou à audiência pela primeira vez os Daydream View.

Em termos de ergonomia são muito semelhantes a outros óculos de realidade virtual que já estão no mercado. Mas a Google orgulha-se de ter prestado uma maior atenção aos pormenores.

A primeira grande diferença está no material de construção dos óculos em si. Não são de plástico ou de outro material duro, sendo antes revestidos a tecido de micro fibras. A empresa diz que foi buscar inspiração às roupas que usamos no dia-a-dia e também aos equipamentos de desporto.

Graças a esta aposta num toque mais suave, mais ‘fofo’, a Google também diz que conseguiu reduzir o peso dos Daydream View em 30% quando comparado com o peso médio de outros óculos de realidade virtual. E este acaba por ser um aspeto importante: não que os outros sejam exageradamente pesados – Smart Talk VR, Alcatel VR – , mas todos os cortes no peso são bem-vindos na perspetiva do utilizador.

A Google também desenvolveu os Daydream View por forma a que possam ser usados de forma confortável por pessoas que têm óculos, uma crítica que é comummente apontada a alguns dispositivos VR.

O elemento que de facto ajuda a colocar os óculos da Google à parte da restante concorrência é a integração de um controlador. O pequeno comando tem na parte superior uma superfície tátil que permite controlar de forma simples algumas ações ‘dentro’ das experiências de realidade virtual.

A Google apetrechou este comando de sensores de movimento e diz que graças a esta aposta conseguiu criar um periférico tão preciso que permitirá ao utilizador escrever com no ar – talvez numa experiência como o Tilt Brush?

“O que fazemos com um controlador depois de o usar? Perdêmo-lo”, disse em tom de brincadeira Clay Bavor. Isto porque a Google criou um espaço dentro dos óculos Daydream View onde o comando pode ser guardado para evitar perdas.

Para tornar a guerra na realidade virtual ainda mais interessante a Google anunciou um preço de 79 dólares – o equivalente a 70 euros -, o que coloca os Daydream View abaixo dos Samsung Gear VR em termos de preço.

E à semelhança do que a tecnológica sul-coreana tem feito no lançamento dos seus smartphones topo de gama, também a Google está a oferecer uma unidade dos Daydream View a quem comprar um dos novos Pixel – a oferta é limitada ao stock existente.

Os Daydream View vão ficar disponíveis para compra no início de novembro – ainda não há informação para o mercado português – e o objetivo da Google é que mais empresas usem este seu formato para democratizar o acesso à realidade virtual nos dispositivos móveis.

No final tudo dependerá dos conteúdos que a Google conseguir ‘puxar’ para a sua plataforma como exclusivos. E pelo que foi visível hoje na apresentação a tecnológica já tem vários parceiros de renome: Warner Bros., Netflix, HBO, Hulu, The New York Times e CCP Games. Além disso a própria Google está a reforçar o ecossistema com aplicações próprias: Google Play Movies, YouTube, Google Photos e Google Street View.

Até ao final do ano a tecnológica espera ter 50 empresas parceiros com experiências de realidade virtual publicadas e diz que centenas mais estão em desenvolvimento.

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