Coloque um HP Sprout Pro ao lado dos restantes computadores que existem no mercado e rapidamente vai perceber que esta é uma máquina diferente. Traz elementos que não são comuns aos computadores tradicionais, nem mesmo nos all-in-one, categoria a que pertence. Tem por exemplo uma base fina de grandes dimensões à frente do ecrã e por cima do painel tem um equipamento que se assemelha em formato a um candeeiro.

Mas por que razão é tão diferente o HP Sprout Pro? Para permitir uma utilização diferente da computação pessoal. Tivemos um curto contacto com este computador no dia em que fomos, justamente, saber sobre como a Hewlett-Packard está diferente na forma como faz computadores. Tinha acabado de chegar à sede da empresa em Portugal como amostra tecnológica para os encontros com os clientes.



Achámos o equipamento tão interessante do ponto de vista tecnológico que decidimos falar-lhe um pouco mais sobre ele.

Computador anfíbio

O HP Sprout original foi revelado no final de outubro de 2014. O computador apresentava-se com um formato all-in-one, um trackpad gigante na sua base e incluía ainda um braço superior onde estavam incluídos um projetor e um digitalizador 3D.

Estas ferramentas permitiam, por exemplo, projetar um desenho na base, base essa que também podia ser usada para controlar o sistema operativo, não sendo necessário um rato ou um teclado. A dita base servia ainda como ponto de partida para as digitalizações 3D que recorriam a um scanner na parte superior direita para transformar, rapidamente, um objeto físico num objeto digital que podíamos manipular no computador.



Em janeiro deste ano o conceito foi limado e apresentado o HP Sprout Pro, um equipamento mais destinado para as empresas e para as escolas. Manteve as principais características, mas trouxe uma nova: a possibilidade de colaboração em tempo real com outros computadores Sprout.

Outra novidade é também a base rotativa que tem como missão apoiar a digitalização 3D de objetos, para que seja captada uma maior quantidade de informação.

Já tínhamos visto vários vídeos do equipamento, mas sempre houve dúvidas sobretudo relativamente à forma como os diferentes elementos funcionavam entre si.

Por exemplo, o Sprout Pro permite-lhe selecionar uma imagem no ecrã, arrastá-la em direção ao trackpad e tê-la projetada e pronta para manipulação. O mais surpreendente é que isto acontece de forma quase instantânea.

O Sprout faz com que o conceito de rato e teclado façam parte do passado

A parte de digitalização 2D também é extremamente veloz: coloque um objeto sobre o tapete multitoque, capte uma fotografia e no segundo seguinte já tem a versão digital desse elemento. Se quiser uma digitalização 3D terá de esperar um pouco mais, mas não muito: em cerca de 60 segundos é feito o processamento e conversão de imagem de um objeto.

Combinado com uma impressora 3D, assim como a Blocks Zero por exemplo, o HP Sprout pode tornar-se numa máquina criativa poderosa pois rapidamente um conceito pode ser transformado em realidade.

O Sprout Pro foi pensado para ser produtivo, ainda que nem todos os utilizadores conseguiriam tirar partido das funcionalidades tecnológicas deste equipamento. Design, arquitetura ou prototipagem são segmentos que podem tirar um maior proveito desta máquina.

Do contacto que tivemos o HP Sprout Pro surpreenderam dois elementos: a velocidade de resposta de todo o sistema, algo que se justifica pelo facto de ter processadores Intel Core i7 de sexta geração, e também o número de aplicações já disponíveis.

Não foi adiantado um valor oficial, mas na loja de aplicações própria do HP Sprout existem já dezenas de apps dedicadas para o computador e algumas são de nomes grandes como a Adobe.

Uma destas aplicações estava relacionada com a área da saúde e mostrou mais uma vez as portas que este computador pode abrir. Na prática um dos elementos da HP Portugal colocou uma folha de papel na base que continha algumas informações. Estas informações funcionaram como um QR Code, com a leitura a ser instantânea. Ou seja, mal pousava a folha na mesa o computador mostrava logo de imediato a imagem de um coração e dos elementos que o compõe.

HP Sprout Pro

Isto para dizer que se bem explorado e preparado, pode servir áreas mais sérias como a da saúde e não apenas os segmentos mais criativos.

É mesmo este o futuro do computador?

“A HP tem vindo a dinamizar com a computação imersiva. Chegou ali um equipamento que depois posso mostrar”, disse o gestor da área de computação pessoal da HP Portugal, Pedro Coelho, em conversa com o FUTURE BEHIND quando falavamos sobre a visão para o futuro do PC. Essa máquina era o Sprout.

O Sprout Pro é parte desse futuro pois integra já sem barreiras várias tecnologias emergentes, como a digitalização 3D, e como uma parte constituinte da experiência de computação pessoal.

A base multitoque do computador também pode funcionar como segundo ecrã graças à combinação com o projetor

“Acho que a computação imersiva aliada à impressão 3D vai criar aqui alguma disrupção no mercado. Vamos ver novas formas de utilização do PC. Vamos de facto esbater muito a fronteira entre o que é o físico e o que é o digital. E isso não só individualmente, como também profissionalmente”, acrescentou.

Mas passará mesmo o futuro por equipamentos como o Sprout? “Passa um pouco pelo Sprout. Não diria que toda a gente vai ter um Sprout em casa, mas o Sprout potencia uma nova forma de interação com o mundo real como nenhum outro equipamento o conseguiu – com a parte de digitalização, do scan 3D”, defendeu Pedro Coelho.

O valor acima dos 2.000 euros torna-o menos acessível, mas se tiver de facto um propósito para uma máquina com estas capacidades não é difícil de imaginar a rentabilização desse investimento. E claro, depois é preciso não esquecer que apesar de todos os gadgets que traz integrados, continua a ser um computador como os que usamos diariamente.