A Internet das Coisas (IoT) é uma realidade na qual a maior parte dos componentes eletrónicos estão online e a comunicar entre si. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas, facilitar a realização de algumas tarefas e ter tudo automatizado por forma a ser possível extrair poupanças com a ajuda da tecnologia.

Há uma tendência para pensar apenas em poupanças no plano financeiro e que o IoT é só centrado em máquinas. Mas e se a Internet das Coisas também o ajudasse a ‘poupar’ na sua saúde? Isto é, e se a tecnologia permitisse que durante o seu trabalho tivesse um menor desgaste, fosse possível evitar alguns acidentes e até mortes?




Números do Eurostat de 2013 mostram que na União Europeia a 28 países houve mais de 3.600 mortes por acidentes de trabalho e mais de três milhões de acidentes que colocaram as pessoas um mínimo de quatro dias em recuperação em casa ou no hospital.

A IBM está a trabalhar num sistema que permite usar tecnologias IoT para assegurar a segurança dos trabalhadores em ambientes mais extremos e perigosos, justamente aqueles que têm um maior impacto na segurança e bem-estar das pessoas. Pode ser uma mina, por exemplo, mas também pode ser um ambiente fabril.

IBM diz 88% dos dados gerados atualmente por sistemas informáticos e de eletrónica são desperdiçados

A tecnológica norte-americana já tem inclusive um programa a decorrer com a empresa North Star BlueScope Steel, especialista no fabrico de ferro e que sujeita muitos dos seus trabalhadores a temperaturas extremas.

Com a ajuda de wearables, que monitorizam alguns elementos vitais dos trabalhadores, é possível evitar situações mais dramáticas. A roupa de trabalho também tem sensores e é possível saber, em tempo real, quem é que está ou não a usar capacete. Na prática os seus colaboradores são gadgets ambulantes que produzem uma grande quantidade de dados todos os segundos. É aqui que entra em ação o sistema de inteligência cognitiva da IBM.

“As pessoas agora têm muitos papéis e estão em todo o lado: somos empregados, somos consumidores, somos estudantes”, começou por referir Asaf Adi, um dos principais responsáveis do centro de investigação de IoT que a IBM tem em Israel, durante o evento IBM Research.

“Com a ajuda do Watson IoT quisemos perceber três coisas: o ambiente que rodeia as pessoas; as atividades que estão a fazer; e podemos perceber o trabalhador em si, ou seja, os seus dados biométricos”.

A este segmento a IBM chama de Person Centric IoT, isto é, Internet das Coisas centrada nas pessoas

Através dos dados recolhidos pelos diferentes sensores o sistema cognitivo consegue perceber quando é que o trabalhador está a ser exposto há demasiado tempo a temperaturas muito elevadas. Quando isso acontece a pessoa é alertada para tirar uma pausa. Mas caso o sistema detete que existe um maior risco de segurança, então também os supervisores são notificados.

“Com estes dados podemos prevenir em tempo real algumas situações”, detalhou Asaf Adi. Em termos de lógica acaba por funcionar um pouco como a recuperação de sistemas informáticos sobre a qual já falámos: prevenir sempre, remediar nunca.

Neste vídeo pode ver melhor como é que funciona este sistema.

Por esta altura já pode estar a pensar nas questões de privacidade que este sistema implica. Por exemplo, o facto de o supervisor poder saber sempre onde está o trabalhador é algo que pode condicionar o ambiente de trabalho e minar a confiança do empregado na empresa e vice-versa. Sentir-se-ia totalmente confortável sabendo que o seu patrão sabe justamente onde está?

Por isso é que dentro do projeto Watson IoT é possível que a empresa não queira saber determinados dados dos seus funcionários – como a localização -, exceto em caso de emergência.

Sistemas semelhantes também podem ser aplicados a edifícios, a veículos e a eletrodomésticos

Asaf Adi falou depois nos próximos passos que esta tecnologia pode dar, indo além daquilo que se passa no ambiente de trabalho, mas aproveitando as tecnologias que já usámos no dia a dia. O Watson IoT pode no futuro saber qual o ciclo do sono dos trabalhadores e ajustar as suas funções de trabalho mediante o maior ou menor nível de descanso.

“Proteger o trabalhador acabará por se transformar numa proteção para o seu patrão e para o desempenho da empresa no geral”, considerou o elemento do laboratório da IBM Israel.

“Isto também tem um bom reflexo nos graus de confiança dos trabalhadores para com os patrões pois sentem que a sua segurança está a ser valorizada”, acrescentou.

N.R.: O FUTURE BEHIND viajou para Zurique a convite da IBM

Sem mais artigos