Ouvimos ideias e projetos muito interessantes durante o dia aberto dos laboratórios de investigação da IBM, em Zurique, na Suíça. Mas curiosamente foi uma declaração muito mais simples aquela que captou a nossa atenção.

“Construímos máquinas para ajudar as pessoas, não construímos máquinas para substituir as pessoas”.

A frase é do diretor do laboratório, Alessandro Curioni, que na altura já estava na parte final do seu discurso. Mas este acaba por ser um compromisso e um posicionamento interessante sabendo, agora, aquilo que os engenheiros e cientistas da IBM iriam apresentar nas horas seguintes.




Sempre que vemos um avanço tecnológico no segmento da inteligência artificial existe uma repartição de expectativas: a maior parte vai para o potencial da tecnologia e da nova funcionalidade que estão a mostrar, mas existe sempre um pensamento lá no fundo que nos faz lembrar do potencial perigo que máquinas, robôs e sistemas de inteligência artificial podem vir a representar no futuro.

É um pensamento inevitável: todos crescemos com histórias hollywoodescas de robôs e sistemas digitais que de um momento para o outro transformam o mundo num caos. Na prática é uma metáfora para o lado negativo de muitos dos avanços que acontecem no dia a dia: a grande vontade de evolução humana acabará por levar o Homem à desgraça.

IBM Computador quântico

Quantos computadores quânticos viu na vida? Pois aqui está um (não é o da esquerda, esse é um portátil, é o cilindro branco da direita). #Crédito: Future Behind

Mas será que este é o único desfecho possível? A IBM acredita no cenário completamente oposto e está a trabalhar para mostrar justamente isso. Ouvir aquele compromisso por parte da IBM traz outro peso. A tecnológica é neste momento uma das empresas líderes em inteligência artificial, ainda que os seus responsáveis prefiram falar em sistemas cognitivos.

As diferenças são acima de tudo três: os sistemas cognitivos são capazes de extrair os valores da informação com base numa trilogia de princípios – entendimento, raciocínio e aprendizagem. É isto que ajuda a colocar um Watson, por exemplo, à parte dos sistemas tradicionais de programação.

A IBM tem 12 laboratórios de investigação em todo o mundo e mais de 3.000 investigadores nestes centros de desenvolvimento

O supercomputador Watson é de facto neste momento a jóia da coroa da tecnológica norte-americana. “ O Watson demonstrou que podemos usar máquinas para entender o que as pessoas entendem”, explicou Alessandro Curioni. Passados seis anos da sua aparição no Jeopardy e as restantes tecnológicas estão todas a fazer apostas paralelas, ainda que bastante diferentes.

Siri, Google Assistant, Cortana, Alexa e Viv estão todos a ser projetados para o consumidor final, o Watson está a ser projetado como uma ferramenta que pode ser divida em diferentes partes para lidar com diferentes problemas. O Watson não é um assistente pessoal, é um solucionador de problemas de grande dimensão.

Ainda assim é importante ver que as grandes tecnológicas têm um sentido de responsabilidade nas tecnologias futurísticas que estão a construir.

“A ideia é ir para o mundo real, fazer a diferença”, defendeu Alessandro Curioni durante o evento de abertura. “A IBM está a aplicar a computação cognitiva em cima de diferentes soluções para tentar criar diferenciação”.

IBM Alessandro Curioni

Na imagem Alessandro Curioni. Destacava as distinções já recebidas pela IBM e a importância que muitas delas tiveram diretamente na vida das pessoas (cirurgia LASIK) ou ajudaram outros investigadores a concretizar o seu objetivo. #Crédito: Future Behind

Num outro ato simbólico de compromisso para com as pessoas, o diretor do laboratório levantou no ar a medalha de um dos seis prémios Nobel que os investigadores da IBM já receberam. Esta medalha da década de 1980 foi levantada em 2016 para passar uma mensagem: os prémios Nobel são atribuídos por forma a reconhecer o trabalho que é feito em diferentes segmentos – artes, ciência, economia – em prol do desenvolvimento humano.

Há 23 anos consecutivos que a IBM é líder no registo de patentes nos EUA. Só no último ano foram mais de 7.300

Ao longo dos próximos dias vamos publicar uma série de artigos sobre alguns dos projetos que tivemos oportunidade de conhecer nos laboratórios da IBM. Computação cognitiva, Internet das Coisas e computação quântica são alguns dos temas sobre os quais poderá ficar a saber um pouco mais. E culinária, porque não?

Algumas soluções estão quase a chegar ao mercado, outras ainda têm uma longa caminhada pela frente. Mas há um sentimento que fica: em Zurique estivemos um pouco mais perto do futuro.

N.R.: O FUTURE BEHIND viajou para Zurique a convite da IBM