ylCISQ46WVk

Começou por endereçar os parabéns atrasados ao líder da IBM Portugal, António Raposo de Lima, depois fez recomendações sobre locais a visitar em Lisboa, aconselhou os pastéis de Belém para os momentos de fome e se por acaso estiver à procura de um presente para levar consigo, fique a saber que os azulejos ‘à portuguesa’ são dos mais procurados pelos turistas.

Foram assim os cinco minutos de ‘fama’ do mestre de cerimónias do evento IBM Connect Portugal, realizado hoje em Lisboa. Se viu o vídeo de abertura do artigo já sabe que se trata de um robô – se ainda não sabia ficou agora a saber.

O robô NAO, como é chamado, resulta de uma parceria entre a IBM e a Aldebaran Robotics: a tecnológica norte-americana disponibiliza o sistema de inteligência artificial Watson e a empresa francesa disponibiliza o humanoide.



Dependendo da implementação os robôs podem ter diferentes utilizações. Um dos irmãos do NAO, o robô Connie, está a trabalhar como concierge numa unidade hoteleira de uma das maiores empresas do sector.

Podemos considerar o NAO como um robô de ‘operações de charme’ já que consegue adaptar-se aos diferentes eventos por onde vai passando. No último onde esteve, em Israel, falou mais sobre a área das finanças. Em Lisboa preferiu falar do turismo, um tema que tem de facto dominado a capital portuguesa.

E se o robô NAO prendeu a atenção de todos pelos discurso fluido, para o diretor-geral da IBM Portugal há outra razão que ajuda a explicar este interesse pela robótica e pela inteligência artificial. “Há um fascínio crescente pela tecnologia de inteligência artificial. Menos ‘homem versus máquina’, mas mais máquina a colaborar com o homem”, salientou António Raposo de Lima.

A presença do NAO em Portugal representa a primeira vez em que parte do sistema de inteligência artificial Watson da IBM esteve também no nosso país em formato de demonstração pública.

O Watson já não é um estranho para quem acompanha o segmento das novas tecnologias. Em 2011 ficou mundialmente famoso por ter vencido o concurso de cultura geral Jeopardy nos EUA. Entretanto já foi médico, já foi estilista, já foi cozinheiro e até ajuda a fazer ‘magia’.

Atualmente a ferramenta de inteligência artificial da IBM tem cerca de 30 interfaces de desenvolvimento de aplicações, esperando-se que até ao final do ano venha a ter um total de 59. Isto significa que a cada dia que passa o Watson está a ficar mais inteligente e à medida que vai evoluindo nos seus conhecimentos cognitivos vai possibilitando projetos de maior interação humana como o NAO.

robo-nao-ibm-watson

De visita a Lisboa? Que tal provar uns pastéis de Belém? #Crédito: Future Behind

“O que acontece quando todos estiverem digitalizados? Quem vai ser o vencedor, quem vai ser o perdedor? Os vencedores serão aqueles que vão conseguir ter um negócio digital e uni-lo a uma inteligência digital. E quando isto acontecer terá um negócio cognitivo”, explicou a responsável pela área de inteligência cognitiva da IBM para a Europa, Michelle Unger [na imagem], que também marcou presença em Lisboa.

A IBM está a fazer uma grande aposta no conceito de cognitivo pois acredita que é o próximo passo na evolução da análise de dados. Já o tínhamos visto, mas relativamente a um tema mais específico, o da recuperação de desastres.

“A era cognitiva está aqui, é agora, é real”, enalteceu a executiva da IBM.

“Há muitos anos que falamos em dados e volume de dados, mas só agora estamos a arranhar a superfície”, acrescentou. Isto porque com a explosão da Internet das Coisas vai haver uma explosão na produção de dados, não só por parte da indústria, mas também por parte dos consumidores.

Os executivos da tecnológica norte-americana estão convencidos que ferramentas como o IBM Watson vão ajudar a criar os conselheiros do futuro, um pouco como o NAO foi esta manhã relativamente a Lisboa.

Se o seu filho precisar de ajuda a matemática, haverá um sistema que o poderá ajudar nessa tarefa. Antes de entrar no consultório do médico para falar sobre os exames ele já terá um diagnóstico completo para partilhar consigo.

No futuro, talvez não muito distante, não vamos precisar de procurar muitos dos elementos que procuramos hoje em dia, eles vão estar lá à nossa espera.

N.R. [22 junho, 15:14]: Corrigida a informação que dizia que o robô NAO era uma parceria entre a IBM a Softbank. As duas empresas têm de facto uma parceria, mas no caso do robô NAO a parceria foi feita com a Aldebaran Robotics