A intenção de entrar no mercado da impressão 3D foi assinalada pela primeira vez em 2014, pela voz da diretora executiva, Meg Whitman. Mas foi preciso esperar dois anos para ver materializada a estratégia da Hewlett-Packard relativamente à impressão 3D. A expectativa sempre foi muito grande: no final de contas estamos a falar de uma das empresas com maior tradição e volume de vendas no sector da impressão.

Provavelmente os consumidores gostariam de ver uma marca conhecida a criar um produto numa área que nos últimos anos mostrou potencial. Acontece que a HP disse logo à partida que este não seria o seu jogo – a tecnológica iria focar-se no mercado empresarial e seria nesse domínio no qual tentaria acrescentar valor.

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Agora a aposta da HP neste segmento está finalmente disponível em Portugal – a tecnológica anunciou hoje, 23 de janeiro, o seu primeiro revendedor oficial para o mercado português. A empresa 3D Ever tem disponíveis os três modelos de impressoras 3D da HP – as Jet Fusion 3D 3200, 4200 e 4210.

A gestora de produto da 3D Ever, Carina Ramos, confirmou que em Portugal já foram vendidas três impressoras 3D da HP, mas os equipamentos ainda não foram instalados e por isso não estão ativas. Segundo a responsável do parceiro de canal da HP, demora cerca de 30 dias entre o processo de contactar a empresa, fazer os primeiros testes, avançar para a compra e para a posterior instalação da impressora.

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“Dificilmente conseguimos imaginar hoje em dia uma tecnologia que vai ter uma repercussão tão grande na indústria da produção. A impressão 3D vai ser um dos grandes impulsionadores da quarta revolução industrial”, salientou em conferência o diretor-geral da HP Portugal, José Correia.

“A HP está atenta à tecnologia 3D há muito tempo. Demorámos algum tempo porque acreditávamos que a tecnologia que existia não era a tecnologia com a qual nos víamos a desenvolver toda esta área”, reforçou o executivo.

A responsável de canal da HP para a Península Ibérica no segmento da impressão 3D, Inma Vazquez, admitiu que este ainda é um mercado de pouco volume, mas é um mercado que pode ajudar a tecnológica a fincar pé no sector da produção e da manufatura, que a nível global está avaliado em 12 biliões de dólares.

“O nosso objetivo é chegar à manufatura, à produção de peças de plástico”, defendeu Inma Vazquez.

Exemplo de um modelo de um coração impresso a três dimensões e que pode ajudar os médicos a prepararem melhor as suas operações. #Crédito: Future Behind

Atualmente as impressoras 3D da HP só imprimem em plástico, plástico esse que pode ter diferentes propriedades mediante a adição de componentes com propriedades específicas ao material de impressão. No entanto foi revelado que ainda este ano a gigante norte-americana vai anunciar uma impressora 3D capaz de imprimir metal.

Atualmente a impressora 3D mais acessível em termos de preço, o modelo Jet Fusion 3D 3200, custa cerca de 150 mil euros – mais um sinal claro de que estas são máquinas focadas em produção industrial e em empresas que têm necessidades específicas de produção e que podem beneficiar da redução de custos associada a esta técnica.

Segundo Inma Vazquez, atualmente o break even ronda a produção de 55 mil peças, isto é, só a partir destes níveis de produção é que o custo por peça é competitivo com o custo por peça de outros métodos de fabrico industrial, como a injeção em moldes.

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A nível internacional a HP já trabalha com diversos parceiros de diferentes sectores – militar, aeroespacial, mobilidade, saúde, indústria produtora, agricultura, energia e consumo – que estão a explorar o potencial da impressão 3D nos seus processos de fabrico.

Por exemplo, uma parceria com a FitStation, uma empresa de produção de calçado, permite criar produtos feitos à medida e à necessidade dos utilizadores. Neste caso é feita uma análise visual aos pés dos clientes – quando parados, quando a andar e também em corrida -, informação que depois é usada para trabalhar o modelo tridimensional. No final é só carregar no botão e imprimir.

As máquinas da HP não suportam o tradicional formato .STL que é muito comum na impressão 3D de consumo, estando a gigante norte-americana a desenvolver o seu próprio formato. A HP compara o .STL aos ficheiros PDF, no sentido em que são muito estanques e pouco editáveis. Já através do formato .3MF é possível editar a informação do modelo 3D ao nível do voxel, a unidade de informação que corresponde ao pixel no formato tridimensional.

Assim é possível manipular informações como rugosidade, flexibilidade, cor, aparência e comportamento do material para imprimir justamente aquilo que os clientes procuram.

Para terminar apenas uma curiosidade: a HP diz que 50% das peças das suas impressoras 3D já são feitas através de impressão 3D. Ou seja, a HP quis ser cliente de si própria para mostrar à restante indústria que a impressão 3D é mais do que uma buzzword e pode de facto ajudar a reduzir de forma significativa os custos de produção, pelo menos quando a tecnologia é devidamente implementada num cliente que tem reais necessidades para estas máquinas.

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