Esta semana chegou oficialmente ao mercado português o novo Nokia 3310, a remasterização do clássico da marca finlandesa. Por um preço a rondar os 65 euros, o telemóvel acabou por chegar bem mais caro do que era esperado. Ainda assim o Nokia 3310 não deixou de receber bastante atenção por parte dos meios de comunicação e dos consumidores.

É verdade que o entusiasmo pelo Nokia 3310 não está nesta altura tão grande como esteve na altura da sua revelação. Quem nos diz é a Google através do seu histórico de pesquisas para Portugal relativas aos últimos 12 meses.

Temos um primeiro grande pico de interesse em meados de fevereiro, altura em que surgiram as primeiras informações de que o telemóvel podia mesmo regressar no Mobile World Congress. O maior pico registou-se depois na altura da sua revelação e confirmação: o Nokia 3310 estava de volta.

Desde então o interesse desceu, mas tem-se mantido relativamente constante ao longo das últimas semanas. A questão é: qual é o verdadeiro volume deste interesse no novo Nokia 3310? Decidimos compará-lo com o volume de pesquisas de outro telemóvel bastante badalado nos últimos meses, o todo-poderoso Samsung Galaxy S8.

Parece que temos um claro vencedor: o Nokia 3310. O Samsung Galaxy S8 brilhou na semana da sua apresentação, mas parece claro que mesmo nos picos de interesse o dispositivo da Nokia leva uma clara vantagem.

Este é o efeito do saudosismo e um sinal claro de que a marca Nokia ainda tem muito, muito valor. O Nokia 3310 além de ser um dos telemóveis mais bem sucedidos de sempre – acumulou perto de 126 milhões de unidades comercializadas -, tornou-se num verdadeiro ícone da cultura online. Mesmo quem nunca teve um Nokia 3310 provavelmente conhece o smartphone pela sua durabilidade, robustez, pela autonomia e pelo jogo Snake.

A HMD Global, a nova detentora da marca Nokia, não conseguiu recuperar na totalidade o espírito do ‘velhinho’ Nokia 3310, mas ao nível do design e de algumas funcionalidades soube respeitar o legado deste equipamento.

Além do sentimento positivo que existe entre os consumidores e o modelo Nokia 3310, os dados de pesquisa da Google revelam outro elemento – o regresso do Nokia 3310 foi uma grande jogada de marketing.

“O Nokia 3310 é publicidade. Acho o telefone fantástico. Quando vi aquilo, disse logo que ia ser a história da feira. Disse ao presidente [da HMD Global]: ‘Isto vai ser a história da feira’. (…) Há muita gente que o vai querer ter nas lojas não é porque vai vender muito, é porque vai atrair muitos clientes às lojas”, disse o analista da IDC Francisco Jerónimo, numa entrevista ao FUTURE BEHIND durante o MWC.

O verdadeiro objetivo da Nokia será vender os seus novos smartphones equipados com Android, mas usar um ‘velho’ conhecido dos consumidores para trazer maior awareness à marca foi uma jogada muito inteligente.

O que estarão os responsáveis da Lenovo a pensar sobre este tema? Esta é uma boa questão, pois talvez pudesse ter sido a tecnológica chinesa a viver este interesse por um equipamento icónico do passado.

A porta ainda não está fechada para o Razr V3

Em maio de 2016 a imprensa especializada começou a fervilhar com a possibilidade de a Lenovo, a empresa que comprou a Motorola à Google, poder relançar o não-menos icónico Motorola Razr V3.

Os três milhões de visualizações que o vídeo tem no YouTube mostram que claramente também havia interesse por parte do grande público num potencial regresso do Razr V3. Acontece que a Lenovo depois acabou por não apresentar uma remasterização do telefone, nem fez qualquer lançamento alusivo ao modelo.

O Motorola Razr V3 não se transformou num ícone da cultura online com o passar dos anos, mas também consta na lista de equipamentos mais populares de sempre, pelo que teria certamente uma grande base de seguidores. Estima-se que tenham sido vendidos 130 milhões de Razr V3 em todo o mundo.

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O formato clamshell do equipamento há muito que caiu em desuso, mas esse factor diferencial talvez até ajudasse o equipamento a vender algumas unidades numa altura em que os telemóveis são muito parecidos entre si.

A própria Lenovo sentiu o efeito do ‘terramoto’ Nokia 3310 e começou a pensar que trazer de volta o Razr V3 pode não ser uma má ideia. “Devemos ser inteligentes se os fãs da Motorola se lembram de algo. Se o Razr for um bom exemplo, nós devíamos pensar em como alavancar isso”, disse o diretor executivo da Lenovo, Yuanqing Yang, em fevereiro em entrevista à CNBC.

“Mas independente daquilo que trouxermos de volta, tem de ser um produto mais forte que o original”, disse logo de seguida.

A Lenovo certamente que podia aproveitar um ‘empurrão’ de marketing para divulgar melhor a sua presença no mercado dos smartphones, pois a marca tem equipamentos com conceitos interessantes e outros que são competitivos na relação qualidade-preço.

Mas depois do impacto provocado pelo Nokia 3310, não seria fácil para o Motorola Razr V3 provocar um efeito semelhante, ainda para mais segunda a segunda grande remasterização de um telemóvel icónico. A Lenovo foi a primeira a sentar-se em cima desta ideia, mas não soube aproveitar a devida oportunidade.