Qualquer tecnologia emergente ‘agora’ terá de saber viver no ecossistema mobile. Os smartphones tornaram-se nos novos computadores. Muitas pessoas em todo o mundo não tiveram, não têm e possivelmente não vão ter um PC ou um Mac.

Quando ouvimos falar de realidade virtual, inteligência artificial e de realidade aumentada, são de facto tecnologias que prometem transformar imensos segmentos de negócio e consumo nos próximos dez anos. Mas a espetacularidade destas tecnologias pode não ser suficiente por si só, terá de passar obrigatoriamente por uma adaptação ao ecossistema de dispositivos móveis.




Os Samsung Gear VR e os Google Daydream View provam-no. O Google Assistant, a Cortana e a Alexa provam-no. E agora chegou a vez de a realidade aumentada também começar a provar esta teoria.

Já existem tecnologias de realidade aumentada para dispositivos móveis. A plataforma portuguesa Next Reality é um desses exemplos. O jogo Pokémon GO possivelmente democratizou as palavras ‘realidade aumentada’ como poucas aplicações o fizeram até agora.

Mas faltava uma maior ligação ao hardware, ao dispositivo. Por isso é que o Lenovo Phab 2 Pro é tão especial. O smartphone da marca chinesa chegou hoje oficialmente ao mercado e é o primeiro do mundo desenhado e pensado para o segmento da realidade aumentada.

Pelas suas características e pelo estado atual da tecnologia, possivelmente o Phab 2 Pro vai acabar por passar despercebido num mercado que todos os anos gera centenas de modelos de smartphones. Mas daqui a alguns anos certamente o Lenovo Phab 2 será reconhecido não só como pioneiro, mas também como elemento que ajudou a catalizar a realidade aumentada de uma forma diferente no segmento mobile.

Porque é tão especial este smartphone?

Como equipamento e olhando para as suas características técnicas, o Lenovo Phab 2 não é um dispositivo ‘topíssimo’ de gama. Tem especificações interessantes que o colocam numa gama média-alta, mas não foi criado para tentar destronar um Galaxy S7 ou um iPhone 7.

Lenovo Phab Pro 2

Ecrã: 6,4 polegadas
Painel: IPS
Resolução: 2.560 x 1.440 píxeis

Densidade de píxeis: 459 ppi

Rácio de tamanho: 70,9%
Processador: Snapdragon 652 octa-core [4x1,8 GHz + 

4x1,4 GH]
Unidade gráfica: Adreno 510
Armazenamento: 64 GB
RAM: 4 GB
Sensor fotográfico: 16 megapíxeis
Qualidade do vídeo: 4K
Bateria: 4.050 mAh
Bateria removível: Não
USB: microUSB
Cartão microSD: Sim
Leitor de impressões digitais: Sim
Altura: 17,98 cm
Largura: 8,86 cm
Espessura: 1,07 cm
Peso: 255 gramas
Android: 6.0 'Marshmallow'


PREÇO: 499 dólares
(~ 450 euros) 

O que torna o Lenovo Phab 2 Pro especial é a combinação de três sensores de imagem que estão localizados na parte traseira do equipamento. Leu bem: três sensores de imagem. O principal tem 16 megapíxeis e é aquele que serve para captar fotografias. Um segundo sensor tem uma lente olho de peixe. Já o terceiro sensor tem como tarefa calcular a profundidade.

Estes sensores servem para transformar o smartphone num digitalizador do mundo real. Isto é, aponte o smartphone para qualquer objeto, para qualquer local, que ele será capaz de perceber não só a estrutura visual da composição, como também as diferenças de profundidade que existem entre os diferentes elementos.

É como se o Lenovo Phab 2 Pro conseguisse ver o mundo no qual vivemos como se fosse um grande nível de videojogos em 3D.

A publicação CNet diz que a tecnologia ainda sofre de alguns problemas. Em superfícies com muito reflexo não existe um bom reconhecimento visual para os elementos de realidade aumentada

Esta leitura que faz do ambiente envolvente tornam-no no primeiro smartphone comercialmente disponível e que foi concebido para potenciar ao máximo a experiência com conteúdos de realidade aumentada.

Por exemplo, o jogo Pokémon GO coloca as criaturas digitais à nossa frente, mas não existe uma grande capacidade de posicionamento. O facto de o Lenovo Phab 2 Pro conseguir mapear com precisão o mundo à sua volta, faz com que tenha uma melhor capacidade de incluir elementos digitais no mundo real.

Lenovo Phab2 Pro Tango

Nesta altura é justo referir que o elemento que torna especial o Lenovo Phab 2 foi desenvolvido em parceria com a Google. Por isso é que muitos chamam a este equipamento o primeiro smartphone Tango, pois é de facto derivado do projeto Tango que a Google apresentou há três anos.

Na altura a tecnologia estava maioritariamente integrada em tablets, mas o passar dos anos e a evolução tecnológica permitiram reduzir tudo por forma a caber num dispositivo de bolso – ainda que o smartphone da Lenovo tenha um ecrã de 6,4 polegadas.

O ecossistema

Para ajudar a justificar a compra do Lenovo Tango – está disponível nos EUA -, a Google e a Lenovo estabeleceram parcerias com várias empresas para a criação de aplicações específicas para este smartphones.

Ao todo existem 35 aplicações de realidade aumentada que foram criadas a pensar neste equipamento e para outros dispositivos que decidam integrar a tecnologia visual desenvolvida a propósito do Project Tango.

Por agora estas aplicações dividem-se em duas grandes áreas: jogos e serviços utilitários. No caso da vertente utilitária tanto é possível usar o trio de câmaras para saber ‘em direto’ qual é o comprimento de uma mesa, por exemplo, como é possível apontar o smarpthone para a sala de estar e ver como ficam hipoteticamente duas novas cadeiras.

Mattel, Autodesk e Lowe são algumas das empresas que já criaram apps específicas para o Project Tango

O Lenovo Phab 2 Pro é importante pois ajuda a trazer algum a balanço ao segmento da realidade aumentada em termos de qualidade e imersão. O Phab 2 Pro não é um dispositivo topo de gama como uns HoloLens, mas é melhor do que os restantes smartphones neste segmento específico.

Em resumo, o Lenovo Phab 2 não é o único smartphone que permite aos utilizadores ter uma experiência de realidade aumentada móvel com qualidade, mas atualmente deverá ser o equipamento melhor preparado para os utilizadores que procuram seguir de perto todos os avanços desta tendência tecnológica.

Não será difícil de imaginar que daqui a dois ou três anos a existência de smartphones com três sensores de imagem seja muito mais comum. Já vivemos numa fase onde existem cada vez mais equipamentos com dois sensores – Huawei P9, LG G5, iPhone 7 Plus -, pelo que um terceiro será apenas uma questão de tempo.

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