O vice-presidente da Lenovo para as divisões de computação Android e Chrome, Jeff Meredith, considera que o mercado dos tablets é aborrecido. A questão que temos de fazer a nós próprios é: estará assim tão longe da verdade?

De facto o conceito do tablet desde o lançamento do iPad em 2010 não sofreu grande alterações. O tablet continua a ser acima de tudo uma tábua de vidro, entre as oito e as 12 polegadas, controlada através do toque com os dedos e que incorpora os mesmos sistemas operativos que se popularizaram com os smartphones.



As vendas dos tablets têm vindo a cair e não é difícil de perceber porquê: os smartphones cresceram em tamanho, melhoraram na qualidade geral da experiência de utilização e para muitos utilizadores o tablet simplesmente deixou de fazer sentido. Ou seja, devido às novas tendências de consumo o tablet está obrigado a posicionar-se de forma diferente.

No segundo trimestre de 2016 as vendas de tablets caíram 12% em comparação com o ano passado, dados da IDC

Várias tecnológicas têm feito chegar as suas propostas diferenciadoras ao mercado e uma das mais bem recebidas têm sido os Surface da Microsoft. Foi uma linha que não começou bem, é certo, mas atualmente quase todas as principais fabricantes de computadores têm um dispositivo ‘muito inspirado’ no Microsoft Surface.

Um dos destaques do Surface é a sua versatilidade enquanto equipamento – tem o formato de um tablet, mas a potência de um portátil -, mas o seu grande apelo está na produtividade. Por muito que as marcas tenham tentado vender a ideia, o tablet por si só nunca conseguiu afirmar-se como um dispositivo produtivo. O teclado e a caneta tornam o Surface num dispositivo móvel todo-o-terreno.

Por isso é que tudo tem mudado nos meses mais recentes. Veja-se a Apple: a empresa que impulsionou o conceito de tablet também foi obrigada a criar uma versão, o iPad Pro, pensada para utilizadores com maiores necessidades de produtividade: além do ecrã maior, desenvolveu um teclado e ainda uma caneta.

Lenovo Yoga Book entra em ação

É aqui que entra o novo Yoga Book da Lenovo. Como dispositivo no geral não comporta em si qualquer característica que possamos chamar de revolucionária. Mas traz tantos elementos diferenciadores relativamente aos restantes tablets do mercado que podemos estar aqui perante um novo momento de definição no segmento.

Tal como o nome indica, a Lenovo desenvolveu este equipamento como se fosse um livro, um caderno de anotações. De um lado temos o típico ecrã de 10,1 polegadas com resolução Full HD e sensível ao toque. Do lado oposto temos uma superfície escura que faz lembrar lousa. E o que é que se fazia nas lousas? Escrevia-se, algo que também pode fazer no Yoga Book.

Esta parte lateral – ou base, tudo depende de como estiver o equipamento – tem 2.024 pontos de pressão que permitem reconhecer com um elevado grau de precisão os desenhos ou a escrita do utilizador.

Mas se fosse só isto o Yoga Book teria pouco de especial pois existem equipamentos com o mesmo nível de precisão diretamente no ecrã. A questão é que esta ‘lousa’ do tablet tem também incorporado um teclado ‘áureo’, isto é, consegue transforma-se num teclado digital, sem relevo.

Lenovo Yoga Book

Basta um toque num botão e o utilizador pode trocar rapidamente o teclado pelo modo ‘mesa de desenho’ e vice-versa. Se a esta versatilidade juntar ainda a versatilidade do hardware em si – consegue assumir várias posições graças à dobradiça com ampla margem -, então fica com um dispositivo que promete de facto níveis diferentes de produtividade e flexibilidade.

Mas não fica por aqui. Se colocar uma folha de papel por cima da superfície tátil do Yoga Book e escrever usando uma caneta real, o dispositivo vai digitalizar em tempo real tudo o que está a escrever. Para facilitar esta digitalização a Lenovo vai incluir com o dispositivo uma pequena mola que ajuda a prender a folha.

Para quê escrever no papel se é possível escrever também no tátil? Muitos utilizadores ainda têm uma maior sensibilidade e grau de precisão enquanto escrevem no papel, por isso a Lenovo não quer deixar nada ao acaso e tenta cobrir todas as possibilidades.

Uma das partes mais interessantes é que o Yoga Book vai estar disponível em duas versões: uma com o sistema operativo Android vai custar 499 euros; e uma com Windows 10 que vai custar 599 euros. A tecnológica chinesa espera apelar sobretudo aos consumidores jovens do segmento universitário e pós-universitário.

Por este valor os utilizadores vão levar um equipamento com uma construção de primeira linha: alumínio, magnésio, dobradiça metálica e dentada com capacidade para movimentação em 360º. Porque um dispositivo para provocar impacto precisa de ter uma linguagem visual correspondente.

Pelo aspeto, pelas características e acima de tudo pelo posicionamento, o Lenovo Yoga Book parece ser de facto representar um novo capítulo no segmento dos tablets.

Talvez considerá-lo como tablet não seja completamente justo, justamente, para os restantes tablets. Mas este facto é por si só representativo de uma mudança de posicionamento das marcas: estão a fundir cada vez mais os conceitos de tablet, notebook e portátil, ao ponto de ser difícil definir alguns equipamentos.

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