Ao garantir o primeiro smartphone a ser anunciado com o sistema operativo Android 7.0 ‘Nougat’ de origem, a LG garantiu que o LG V20 ia ser alvo de atenção mediática. Mas depois de conhecer as especificações técnicas do telemóvel, talvez o software acabe por ser um elemento secundário.

Na ficha técnica o LG V20 tem tudo o que de melhor um smartphone ambiciona ter: ecrã principal Quantum Display de 5,7 polegadas com resolução de 2.560×1.440 píxeis, ecrã secundário com resolução de 160×1.040 píxeis, processador Snapdragon 820, 4GB de memória RAM, 64GB de armazenamento, possibilidade de expansão até 2TB via cartão microSD e bateria de 3.200 mAh.



O ecrã ocupa quase toda a parte frontal do dispositivo e a parte traseira está ocupada por uma tampa metálica amovível: o objetivo é garantir que o utilizador tenha acesso à bateria. A LG não dá assim, para já, continuidade à aposta nos smartphones modulares.

Mas é na componente multimédia que o LG V20 destaca-se dos restantes smartphones do mercado. Tem um total de três sensores fotográficos: um frontal com cinco megapíxeis e dois traseiros, um com 16 megapíxeis e outro com oito megapíxeis. A parelha de câmaras traseiras permite ao utilizador captar fotografias com uma amplitude de 135º, tal como já acontece no LG G5.

O sensor principal, o de 16 megapíxeis, tem uma abertura f/1.8, o que garante uma maior entrada de luz e consequentemente uma melhor qualidade nas fotografias. Este sensor é ainda capaz de gravar vídeo em Ultra HD com algumas características especiais.

O smartphone tem um sistema de gravação apelidado de Steady Record 2.0 que através de estabilização eletrónica de imagem (EIS na sigla em inglês) promete vídeos mais nítidos e sem vibrações. Para ajudar na estabilização inclui um sistema de estabilização que tem por base o giroscópio do smartphone. Para complementar existe também uma camada digital de estabilização.

Ainda do lado multimédia a LG está a tentar posicionar o V20 como o smartphone líder na componente de áudio. Além de permitir fazer gravações Hi-Fi, vem com um sistema limitador de ruído ambiente e a qualidade das gravações chega aos 24-bit/48 kHz, a mesma encontrada em alguns gravadores semiprofisisonais.



Já do lado ‘de consumo’ o LG V20 é o primeiro smartphone de sempre a incluir um módulo 32-bit Hi-Fi Quad DAC que lhe garante suporte nativo para os principais formatos de áudio de alta resolução. Os utilizadores vão poder controlar manualmente o volume dos canais de som direito e esquerdo, e podem contar com uma redução na distorção do som na casa dos 50%, informa a tecnológica em comunicado.

Olhando bem para todo o rol de especificações do LG V20 parece claro que o smartphone é para um perfil de utilizadores muito estreito: os que gostam de ter as melhores tecnologias num dispositivo móvel; destina-se também aos audiófilos, garantindo suporte para ficheiros áudio de alta resolução e auscultadores premium; e destina-se também para todos os que usam o smartphone como uma ferramenta de produção multimédia.

Mas para um smartphone com tamanhas capacidades multimédia o facto de não ser à prova de água torna-o um pouco limitado nos cenários de utilização.

Desde o LG G4 que a tecnológica sul-coreana conseguiu escalar até ao topo da qualidade dos sensores de imagem, uma posição que tem disputado lado a lado com a sua congénere e rival Samsung. Mas do lado da LG a empresa há muito que garante aos utilizadores a possibilidade de controlos manuais na captação de imagens, não só no modo de fotografia, mas também no modo de vídeo.

Ou seja, para tirar de facto o máximo proveito de um smartphone como o LG V20 terá de ser um utilizador que saiba explorar as suas diferentes vantagens tanto no segmento de áudio como no segmento do vídeo.

A LG ainda não revelou o preço, mas podemos usar o valor inicial do LG V10, lançado em Portugal em janeiro, como referência: 800 euros.