Diz a sabedoria popular que não há fumo sem fogo. E os factos mostram vários sinais de fumo vindos da divisão de videojogos da Microsoft. De forma intencional ou não, esta limpeza tem sido feita de forma gradual e está a acontecer antes da Electronic Entertainment Expo (E3) que começa a 14 de junho. A Microsoft já veio dizer que tem grandes anúncios para a conferência deste ano, estando a mesma a ser preparada desde 2015.

Mas o que se tem passado na divisão Xbox? Acima de tudo já recebemos três sinais significativos: o cancelamento de dois projetos de proa da Xbox One e o descanso merecido da Xbox 360. Pelo meio ainda pode considerar que a estratégia da Microsoft passa cada vez mais por ligar jogadores da Xbox One aos que têm computadores Windows 10.



Decepar a cabeça ao leão

No início de março chegou uma notícia inesperada: a Microsoft decidiu parar o desenvolvimento do jogo Fable Legends. Traduzindo para miúdos: a tecnológica norte-americana cancelava aquele que era um jogo que ajudaria a diferenciar a Xbox One da concorrência direta, ainda que o jogo também tivesse planos para ser lançado no computador.

Mas além de atingir os jogadores com este golpe, a Microsoft fez mais: acabou por ditar o fim do estúdio responsável pelo título, a Lionhead Studios.

O estúdio de desenvolvimento fechou portas a 29 de abril, marcando o fim de um ciclo que durou 20 anos e que deu ao mundo do gaming séries como Black & White e Fable.

É justo dizer que a Microsoft disponibilizou um plano de transição para todos os funcionários da Lionhead Studios, empresa que tinha comprado em 2006 e que desde então funcionava como um dos seus first-party developers.

Um artigo do Eurogamer sobre o que levou ao encerramento da Lionhead Studios revela que a equipa de desenvolvimento queria fazer o jogo Fable 4, mas que em vez disso foi colocada a desenvolver Fable Legends, um jogo que seria gratuito e que teria uma componente multijogador entre a Xbox One e os computadores Windows 10.

A Microsoft terá sido avisada que o desenvolvimento de Fable Legends não estava a ser bem-sucedido e que ao jogo faltavam componentes importantes para que tivesse sucesso no segmento do multijogador. O entendimento não chegou e o resultado final já todos conhecem. Estima-se que a Microsoft tenha investido 75 milhões de dólares neste jogo.

Mas não foi o único a ser levado pela enchurrada. No dia em que anunciou o cancelamento de Fable Legends, um outro estúdio, o dinamarquês Play Studios e responsável pelo Project Knoxville, também recebeu sentença de morte.

Project Spark deixou de brilhar

Um projeto ambicioso e que dada a força que os jogos independentes têm ganhado na indústria aparentava ter tudo para correr bem.

Mas o jogo Project Spark, que na prática permitia aos jogadores criarem jogos e outras experiências, também foi cancelado. O anúncio tem menos de uma semana. O jogo que está disponível desde 2013 já não pode ser descarregado das lojas da Xbox e do Windows, e os que já têm o título vão ficar sem suporte online a partir de 12 de agosto.

A Microsoft fala numa decisão “difícil” e diz que está ligada ao facto de alguns elementos do Project Spark terem sido alocados entretanto a outros projetos, o que torna difícil o apoio à comunidade. Não é feita qualquer referência sobre se a hipótese de contratar mais elementos para a equipa esteve ou não em cima da mesa.

Um dos aspetos mais curiosos é que nesse mesmo comunicado a Microsoft dá a ideia que tinha uma comunidade dedicada de jogadores e criadores, mas que agora de certa forma estará abandonada à sua própria iniciativa.

Uma das grandes questões que está relacionada com o encerramento do Project Spark é o facto de este projeto representar, na área dos videojogos, a visão multiplataforma que a Microsoft tem para o Windows 10. Os projetos criados no Project Spark podiam ser compatíveis com dispositivos móveis, consola e também computadores.

Ainda restam dúvidas de que a casa está a ser arrumada?

Descontinuação da Xbox 360

Este anúncio não foi uma surpresa. A Xbox 360 já tinha mais de uma década de mercado. E o que foi descontinuado foi a sua produção e não o seu suporte. Ou seja, a Microsoft está a começar a desencorajar os estúdios a lançarem títulos para a consola da geração passada, o que pode ajudar a libertar tempo para foco em novos projetos… quem sabe para a Xbox One.5?

Recorde ainda a nossa infografia onde pode rever uma década de Xbox 360.

Mais espaço ou menos espaço?

Imagine uma casa desarrumada e que agora está a ficar com alguns espaços livres fruto desta limpeza. Resta saber o que será feito com este novo espaço: será usado para albergar a mesma tipologia de projetos – novos videojogos – ou será usado para dar abrigo a outros projetos da mesma empresa – HoloLens, divisão Surface ou outra carta surpresa que a Microsoft possa ter na manga?

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As respostas não tardarão a chegar. A E3 está, sensivelmente, a um mês de distância e o responsável pela área de storytelling digital da tecnológica norte-americana, Jeff Rubenstein, já disse que a E3 será uma semana em grande para todos os fãs da Xbox, como cita o GameReactor.

O evento já está a ser trabalhado pela Microsoft desde dezembro de 2015. E se de facto for tão positivo como no ano passado, onde a empresa revelou grandes novidades como a chegada da retrocompatibilidade à Xbox One, então pode ser que algumas das perdas registadas este ano possam ser de certa forma compensadas