Visualmente apelativo, tecnologicamente promissor e interativamente diferenciador. A Microsoft parece ter chamado a si a missão de reiventar o conceito do computador moderno e desta vez quem sofreu foi o formato de All in One: depois da apresentação do Surface Studio a concorrência mais direta terá de saber mexer-se – assim como já soube fazê-lo relativamente ao tablet Surface.

A Microsoft pretende com o Surface Studio criar num único computador a máquina multimédia para qualquer tarefa criativa. Este não é um dispositivo pensado para as pessoas que normalmente procuram um computador discreto ou um portátil para as tarefas mais básicas.




O Surface Studio é para designers, para arquitetos, para profissionais da moda e para todos os que têm no seu dia a dia uma grande necessidade de ferramentas criativas e de produtividade. E para os que têm uma boa capacidade de investimento.

O Surface Studio vai custar 2.999 dólares, o equivalente a 2.745 euros, na sua configuração mais básica. Apesar do valor avultado, a Microsoft defende que é uma boa proposta de valor e que todo o ‘pacote’ vai ajudar a justificar este valor.

 Microsoft Surface Studio Microsoft Surface Studio Microsoft Surface Studio

O Surface Studio é um computador All in One com um ecrã de 28 polegadas e uma resolução de 4.500×3.000 píxeis num formato 3:2. A concentração de píxeis por polegada é de 192 ppi, com a Microsoft a dizer que este seu computador tem 60% mais píxeis do que os televisores Ultra HD normalmente vistos no mercado.

Enquanto o líder da divisão Surface, Panos Panay, fazia demonstrações das capacidades do equipamento, pareceu de facto que o ecrã é um dos elementos em destaque neste equipamento. O executivo disse que o Surface Studio tem o painel LCD mais fino do mundo e que a superfície principal do computador tem 12,5 milímetros de espessura.

Ainda relativamente ao ecrã, a Microsoft decidiu incluir uma tecnologia que permite aos utilizadores passarem de imagens no formato DCI-P3, utilizado no cinema norte-americano, para o mais comum formato sRGB. Este é um elemento técnico que mostra estar direcionado para um nicho, ao contrário dos restantes elementos da família Surface.

Relativamente às restantes características técnicas, a Microsoft não fez grandes poupanças: na configuração máxima o Surface Studio vem equipado com processador Intel Core i7 de sexta-geração, 32GB de memória RAM, 2 terabytes de armazenamento híbrido [provavelmente combina SSD e HDD, mas ainda não há detalhes oficiais] e uma placa gráfica Nvidia GTX 980M com 4GB de memória dedicada.

Se parece um equipamento poderoso é porque assim é de facto. Mas nesta configuração o preço dispara para os 4.199 dólares, cerca de 3.850 euros.

All in One ‘convertível’

A Microsoft tem apostado em formatos híbridos: um tablet que também pode ser portátil, um portátil que pode assumir virtualmente qualquer posição e agora um computador desktop que também funciona como mesa de desenho.

O Surface Studio está equipado com um sistema de inclinação de gravidade zero, salienta a Microsoft. Além do nome pomposo, isto significa que é possível movimentar o ecrã sem qualquer esforço ou atrito.Microsoft Surface StudioGraças ao sistema de braços metálicos dobráveis é possível reclinar todo o ecrã até 20º de inclinação, transformando o Surface Studio num amplo espaço de desenho.

A interação com o computador pode ser feita com os dedos, havendo reconhecimento de até dez toques em simultâneo. Há também suporte para a caneta Surface Pen, mas a grande surpresa foi o Surface Dial, um novo equipamento para interagir com o computador.

Na prática é uma pequena base cilíndrica com resposta vibratória e que é sobretudo controlada através de movimentos circulares. Pense num disc-jokey e na forma como movimenta os discos na sua mesa de mistura – com o Surface Dial vai poder rodar o disco para fazer zoom nas imagens, para fazer scroll numa galeria de imagens ou para chamar no ecrã do computador uma gaveta de ferramentas extra associadas a um determinado programa – como uma paleta de cores por exemplo.

Hardware, o trampolim do software

A Microsoft está prestes a entrar numa nova fase da sua ‘carreira’ quando lançar no próximo ano a nova atualização do Windows. O sistema operativo vai, na prática, receber um conjunto de atualizações que vão facilitar e muito a criação de conteúdos em três dimensões.

Da mesma forma que o Microsoft Surface foi concebido como a melhor máquina para potenciar o Windows 10, o Surface Studio parece ter sido pensado para tirar proveito desta futura atualização que tem os ‘makers’ como grande foco.

Microsoft Surface Studio

Há outros computadores nos quais vai cair bem a próxima atualização do Windows – o HP Sprout é um dos que nos vem à cabeça, por motivos óbvios.

Apesar de tudo o que existe de positivo relativamente ao Surface Studio, é pouco provável que coloque as mãos numa unidade no curto prazo. Além de não termos visto chegar ao mercado português a última iteração da família Surface, o Surface Book, a Microsoft já avisou que o equipamento estará disponível num número limitado de unidades – e muito provavelmente estarão todas reservadas para o mercado norte-americano.

O Surface Studio fica hoje disponível em pré-venda nos EUA, não havendo ainda uma data para a sua chegada ao mercado.

Sem mais artigos