A impressão 3D é uma técnica de fabrico que já tem mais de três décadas, mas só recentemente é que assistimos à sua verdadeira democratização. Basta olhar para o exemplo da impressora 3D portuguesa Blocks Zero: por 350 euros é possível ter em casa uma ‘pequena fábrica’ de objetos em diferentes materiais.

Além do claro apelo tecnológico, a impressão 3D tal como a conhecemos também tem um sentido bastante prático. Junto de algumas empresas pode ajudar a reduzir e muito os custos com prototipagem. Já num ambiente doméstico, uma impressora 3D pode ser usada para fabricar uma quase infinita variedade de objetos, sejam meramente estéticos ou utensílios para o quotidiano.




Temos sido habituados a pensar na impressão 3D como algo estático. O que sai das impressoras 3D é um resultado finalizado, pronto para ‘consumo’ ou exibição. Mas e se não tivesse de ser assim? E se uma impressão 3D pudesse transformar-se quando exposta a determinadas condições?

É justamente isto que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts tem estado a criar: impressões 3D mutantes, isto é, que podem sofrer transformações nas suas propriedades físicas.

MIT impressão 3D mutável

O que vemos na imagem é um exemplo da nova tecnologia de impressão que está a ser desenvolvida no MIT. Do lado esquerdo temos a impressão 3D ‘normal’, aquela que sai do prato da impressora 3D. Do lado direto da imagem temos essa mesma impressão 3D, mas depois de ter sido exposta à luz emitida por um LED azul. Ou seja, depois de exposta a essa luz, a impressão 3D não só aumentou de tamanho, como também ganhou cores diferentes.

“A ideia é que possa imprimir um material e subsequentemente pegar nesse material e, usando luz, modificar o material ou aumentá-lo ainda mais”, explica em comunicado um dos professores de química do MIT, Jeremiah Johnson.

O ‘segredo’ desta nova técnica está num processo que é denominado de “polimerização viva”, que tem por base o fabrico de um objeto num material que pode ser posteriormente manipulado.

Explica o MIT que estes polímeros especiais contêm grupos químicos que assemelham-se a um acordeão. Por sua vez, os grupos químicos têm na sua composição catalizadores orgânicos. Quando expostos à luz, os catalizadores reagem e fazem com que a impressão 3D sofra uma reação química.

Graças a este processo de fabrico os investigadores conseguem manipular diferentes propriedades dos objetos como a rigidez e até a impermeabilidade. Dependendo do polímero com o qual estão a trabalhar, conseguem expandir, encolher e até fundir objetos impressos em 3D.

A equipa do MIT salienta que neste momento para atingir estes resultados de mutação é necessário colocar o objeto debaixo de uma luz específica e num ambiente que é livre de oxigénio. Em todo o caso os investigadores já estão também a trabalhar com outros materiais para tentarem obter resultados semelhantes e que sejam conseguidos com exposição ao oxigénio.

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