A corrida espacial está novamente ao rubro. Mas desta vez os contornos são completamente diferentes. Em vez de termos dois países, dois blocos geopolíticos, a lutarem pelos maiores feitos de exploração espacial, desta vez assistimos a um medir de forças entre empresas. SpaceX, Blue Origin, Lockheed Martin e Boeing, todas estão a apontar para o espaço como a sua próxima grande paragem.

A ‘luta’ entre a SpaceX e a Blue Origin tem sido particularmente interessante. Ambas as empresas estão a trabalhar no segmento do transporte espacial. A SpaceX conquistou a atenção de todos com o seu projeto de recuperação e reutilização de foguetões. O objetivo é enviar cargas para o espaço, mas reaproveitar uma grande parte do rocket espacial.



Enquanto a SpaceX tentava afinar a sua estratégia, eis que a Blue Origin num movimento surpresa revelou ter conseguido enviar e recuperar um foguetão. A questão é que as condições nas quais a Blue Origin concretizou a sua missão – voo suborbital, aterragem em solo firme – eram diferentes das da SpaceX – voos orbitais, aterragem numa plataforma flutuante.

Ambas as empresas já conseguiram aquilo que queriam. A SpaceX está agora a lidar com uma situação mais difícil, por ter tido uma explosão de um foguetão Falcon 9 durante os testes de propulsão, mas nada retira o mérito aos feitos da empresa.

Ainda assim esta altura mais frágil coincide justamente com a altura em que a rival Blue Origin revela o seu novo projeto, o seu novo foguetão espacial: o New Glenn.

Apenas foram revelados alguns pormenores e uma única imagem que coloca o New Glenn ao lado de outros foguetões. O destaque é claro: o tamanho colossal do rocket espacial desenvolvido pela Blue Origin. O modelo de duas fases terá 82 metros de altura, já o modelo de três fases terá 95 metros de altura, informa o The Verge.

New Glenn Blue Origin

 

Em imponência de tamanho o New Glenn apenas perde para o mítico Saturn V, que durante as décadas de 1960 e 1970 apoiou algumas das missões de exploração lunares feitas pelos EUA. Tinha 110 metros de altura.

Apesar da envergadura do New Glenn – nome dado em honra ao astronauta norte-americano John Glenn, o primeiro do seu país a orbitar o planeta Terra -, a Blue Origin mantém o objetivo de criar um veículo espacial cuja parte principal, o propulsor, possa ser recuperado na íntegra.

Com o modelo mais pequeno New Shepard, a empresa já conseguiu enviar e recuperar quatro vezes o mesmo foguetão espacial. No vídeo o terceiro voo bem-sucedido do New Shepard, que tem como principal objetivo criar uma forma de turismo espacial. Mas os desafios com o New Glenn serão completamente diferentes.

O New Glenn foi desenhado para missões orbitais, isto é, terá capacidade para transportar carga e seres humanos até à órbita terrestre. Isso implica um maior poder de propulsão, equivalente a 1.746 toneladas de força, e por consequência uma maior dificuldade na tarefa de aterragem.

O New Glenn é assim a resposta direta ao Falcon 9 da SpaceX e ao ainda maior Falcon Heavy. Este último modelo está a ser pensado pela empresa norte-americana como forma de levar uma missão tripulada até Marte, sendo que os primeiros testes estavam planeados para o ano de 2016.

Já do lado do New Glenn, a Blue Origin já disse que o objetivo é colocá-lo ‘no ar’ antes do final da década.



Os dois sistemas de transporte aeroespacial acabam por ser distintos na sua configuração, com a Blue Origin a optar por um design de foguetão único, enquanto a SpaceX opta por uma composição de três foguetões menores. Ainda assim o Falcon Heavy vai conseguir atingir um maior poder de propulsão, equivalente a 2.260 toneladas de força.

Apesar de haver mais empresas que garantem o transporte espacial de cargas para o espaço, como a United Launch Alliance que tem atualmente o maior foguetão em uso, o Delta IV Heavy, as atenções têm-se centrado na Blue Origin e na SpaceX, muito devido aos seus fundadores.

A Blue Origin foi criada pelo multimilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon. Já a SpaceX foi criada por Elon Musk, o também multimilionário que ocupa o cargo de diretor executivo da Telsa Motors. Dois titãs da tecnologia a lutarem pelas viagens espaciais – parece um filme de ficção científica, mas é bem real.

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