Android N – a próxima versão do sistema operativo móvel da Google; Daydream – o novo chavão para tudo o que está relacionado com realidade virtual; Allo e Duo – uma app de conversação e um serviço de chamadas de vídeo; Android Wear 2.0 – uma atualização que promete libertar os relógios inteligentes dos smartphones; Firebase 2.0 – uma ferramenta com novas funcionalidades para facilitar a criação e o teste de aplicações Android; Apps instantâneas no Android; e ainda a Google Assistant, uma companheira digital sugestiva e interventiva.

Ufa. Podemos dizer que ontem foi um dia de grandes revelações para a Google, que abriu a sua ‘caixa mágica’ em mais uma edição da conferência de programadores Google I/O.



Neste puzzle de novidades ainda não referimos, contudo, uma peça: a Google Home, que deverá chegar ao mercado neste outono, de acordo com a informação veiculada pela empresa no evento. A motivação da tecnológica para o desenvolvimento deste hardware é muito simples. “Quando eu entro em minha casa quero continuar a ter acesso à assistente da Google [agora ainda mais inteligente], utilizando simplesmente a minha voz sem ter de pegar no telemóvel”, explicou Mario Queiroz, vice-presidente de gestão de produtos da tecnológica.

Na criação do hardware nenhum pormenor foi descurado, nem mesmo a decoração da habitação: “encaixa-se com naturalidade em várias áreas da casa”, indicou este responsável, sendo a base do dispositivo personalizável, optando-se por diferentes cores e acabamentos. “É como ter um controlo remoto do mundo real ativado por voz, sempre que se precisar”, sumariza a Google num tweet.

Home versus Echo

É provável que tais características soem familiares. E são mesmo. Na verdade, a Home e a Amazon Echo têm várias semelhanças. O diretor executivo da Google, Sundar Pichai, até agradeceu publicamente à Amazon por ter despertado o interesse no conceito.

Por agora, sabemos que a Home permite – tal como a Echo – adicionar itens ao calendário, fazer uma lista de compras ou de afazeres, verificar o estado de um voo ou monitorizar uma encomenda, prevendo-se outras funcionalidades, tais como pedir o jantar ou requisitar um Uber, como já acontece com a Echo – o gadget da Amazon já garante integração com mais de 900 serviços.

Se há algo que as une, há também, todavia, algo que as separa. A aparência personalizável da Home – como já referimos acima – é uma delas, bem como, por exemplo, a possibilidade de colocar música a tocar em vários dispositivos ao mesmo tempo. Enquanto os dispositivos Echo não são passíveis de sincronização, com a Home é possível consegui-lo desde que estejamos a falar de dispositivos com suporte para o Google Cast. Neste campo ambos incluem parcerias com serviços de música como Spotify, Pandora, iHeartRadio ou TuneIn. Vitória para a Google Home em termos de desempenho no âmbito do entretenimento áudio?

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Façamos também um zoom aos comandos de voz. Depois da interface de voz baseada na conceito ‘Ok Google’, a tecnológica lançou uma assistente virtual renovada, com a qual se pode interagir também por mensagens de texto e que irá guardar as costas da Home. “Quantas estrelas há na galáxia? Qual delas está mais próxima? Mostra-me o seu aspeto na TV”, duas perguntas e um pedido feitos, por esta ordem, por uma criança foram respondidos pela Home através de uma associação de contextos em cadeia. Tal pôde ser observado num vídeo de demonstração da Home, durante o I/O, que utilizou o Chromecast para satisfazer o último pedido.

Talvez seja este um dos pontos em que a Home sai a ganhar. Ao passo que a Alexa, a assistente pessoal dos dispositivos Echo, é capaz de pedir esclarecimentos adicionais ou de mostrar-se algo confusa – ou mesmo silenciosa – quando confrontada com questões que extrapolem respostas pré-programadas e fora dos comandos estabelecidos, a Google Home tem a vantagem de usufruir do poder do motor de busca Google, tornando-se mais flexível na interpretação.

Mas neste mano a mano a Echo tem também uma palavra a dizer, tendo como um dos pontos a seu favor o facto de dispensar múltiplas aplicações e passwords para controlar por voz luzes e termóstatos, por exemplo. Basta dizer a frase certa, conhecida pelos utilizadores, et voilá todos os dispositivos da casa inteligente que trabalham com o Echo são controláveis, como são exemplos os equipamentos Nest, Ecobee, SmartThings, Wink, Insteon, Belkin WeMo, Philips Hue, Lifx, Big Ass Fans ou IFTTT.

A Google, por seu turno, prometeu compatibilidade com sistemas de iluminação, termóstatos, incluindo também o famoso Nest, e interruptores, sendo que neste ramo a tecnológica de Mountain View vai ter de dar mais provas de competitividade. Muito embora tenha prometido trabalhar com developers e o envolvimento com as plataformas de maior dimensão.

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A constante mutação da Alexa, que tem vindo a absorver como uma esponja novas capacidades e ferramentas de diversão a cada semana que passa, é outra realidade que impõe à Google que acelere o passo. Testar conhecimentos no quiz Jeopardy, jogar Batman Adventure, pedir uma pizza ou flores para o dia da mãe, requisitar um uber ou saber onde está o carro estão entre os muitos extras oferecidos pela Echo.

E já que falamos da Alexa, aproveitamos para abrir um parêntesis uma vez que a assistente virtual da Amazon está acessível, pela primeira vez de forma gratuita e em formato mobile, através da app Roger. Esta aplicação, que começou por fazer dos smartphones walkie-talkies, transformou-se agora numa plataforma de voz capaz de interagir com serviços como o Dropbox, Slack, Twitter e IFTTT. A Roger é, de resto, liderada pelo português Ricardo Vice Santos, recentemente considerado uma das 100 pessoas mais criativas do mundo.

Será preciso esperar pelos próximos episódios para ver como vão evoluir a Echo e a Google Home. Neste momento, e com base na apresentação de ontem no I/O, a Home parece adiantar-se nesta corrida em termos de entretimento áudio e comandos de voz, mas a Echo contraria a sua supremacia com a facilidade de controlo de múltiplos dispositivos compatíveis, bem como ao nível da criatividade em termos de funcionalidades extra – até porque a Echo já anda nesta estrada há dois anos, o que faz com que o seu ecossistema seja muito maior.