Os números não mentem: a esmagadora maioria dos utilizadores de internet está pura e simplesmente de costas voltadas para este browser.

Na semana de 5 a 11 de setembro o Opera não constava no top 10 dos navegadores de internet mais usados em Portugal, de acordo com dados da Marktest. O último da lista era o browser in-app do Facebook [versão 63.x] ao representar 2,34% dos acessos feitos a sites portugueses. Ou seja, o Opera tem uma representatividade inferior.



Olhando para os números a nível global o caso não melhora. No mês de agosto o Opera apenas representava 1,14% de quota no mercado dos browsers, de acordo com valores da Net Applications. Portanto sim, é seguro dizer que são poucos os que usam este navegador.

A questão é que a cada atualização o Opera dá-nos motivos mais do que suficientes para o considerarmos como navegador principal.

Ontem, 20 de setembro, ficou disponível a versão 40 do Opera e traz uma funcionalidade que não existe de forma nativa no Chrome, no Firefox ou no Edge: virtual private network (VPN). As VPN são um método usado para acrescentar segurança e privacidade à navegação feita em redes públicas.

O endereço de internet (IP) associado ao computador do utilizador é substituído por um endereço fictício atribuído a uma outra entidade. Ou seja, o servidor recebe um pedido de acesso, mas não sabe quem o está a fazer ou de onde está a ser feito. Por exemplo, estar a usar um computador em Lisboa, mas fazer o servidor pensar que o computador está em Singapura.

AS VPN tornaram-se um método muito popular usado por pessoas onde existem limitações no acesso a páginas web – como na China por exemplo. Estas redes privadas encaminham o tráfego por diferentes túneis de acesso e com níveis de segurança mais elevados, o que garante aos utilizadores um maior anonimato.Opera

Em julho de 2016 o navegador Opera foi vendido a um consórcio chinês por 600 milhões de dólares. O navegador nasceu na Noruega há 21 anos

Uma VPN também permite que o utilizador consiga aceder a serviços que estão bloqueados geograficamente, por exemplo. Quer ver um vídeo do YouTube que ‘não está disponível no seu território’? Uma VPN resolve o assunto.

Devido às vantagens que promete, as redes VPN costumam ser de alguma forma limitadas. Ou na quantidade de tráfego – caso o utilizador opte por um serviço gratuito – ou obrigam ao pagamento de uma subscrição – caso queira tráfego ilimitado.

Em alternativa existem as chamadas redes anónimas, como o TOR, que na prática são browsers com maiores níveis de privacidade e que têm uma VPN incluída. Mas como sabemos os navegadores como o TOR estão muitas vezes associados à utilização da Deep Web e da Dark Net – mas isto deve-se ao facto de estarem acessíveis sites que por norma os motores de busca ‘enterram’. No caso do TOR o uso da VPN também implica uma navegação muito mais lenta.

Por isso é que esta nova atualização do Opera é tão importante. Dá aos utilizadores uma opção de VPN gratuita, ilimitada e num browser mais user-friendly. Na prática o Opera permite-lhe aceder à internet sem qualquer restrição e sempre com uma camada extra de proteção. Este vídeo explica como é que pode ativar a opção da VPN no Opera.

Pelo que experimentámos desta nova versão, o facto de usar uma VPN não torna o tráfego mais lento e devolve os resultados com rapidez. O facto de maior destaque é que permite a utilização da VPN mesmo por pessoas sem grande conhecimento tecnológico pois apenas implica ativar um botão, tão simples quanto isso.

Esta novidade tem tanto de vantajoso para os utilizadores como de negativo para alguns negócios. Por exemplo, o The Verge diz que a Netflix já bloqueou os proxies usados pelo Opera para assegurar a sua VPN. Porquê?

No caso de serviços como o Netflix o catálogo é diferente de país para país. Os filmes e séries que estão disponíveis nos EUA não são todos iguais aos filmes e séries disponíveis em Portugal. Mas se usar a conta portuguesa do Netflix através de uma VPN, teoricamente seria possível aceder aos conteúdos norte-americanos ou de outros países.



No caso da VPN do Opera o computador está limitado nas opções de simulação. Apenas pode dizer que o acesso está a ser feito a partir da Alemanha, Canadá, Países Baixos, Singapura e EUA. Ainda assim é uma adição importante que junta-se a outras que o browser já tem.

Por exemplo, o Opera inclui de origem um bloqueador de anúncios que, tal como o nome indica, bloqueia a publicidade que existe nos sites que o utilizador visita. Só estas duas funcionalidades – adblock e VPN – são aliciantes o suficiente para seduzirem mais pessoas relativamente a outros browsers.

Mas não fica por aqui.

Uma ópera de funcionalidades

Descobrir o Opera pode ser uma tarefa surpreendente sobretudo se ainda não tiver o navegador em grande conta. A parte mais interessante é que uma boa parte dos elementos distintivos do Opera estão todos integrados de forma nativa e não é necessário recorrer à instalação de add-ons para conseguir esses resultados – ainda que haja uma loja de plug-ins disponível.

Com a versão 40 do navegador os utilizadores também vão ganhar acesso a um melhorado modo de poupança de energia. Isto faz com que o browser esteja em constante comunicação com o computador a fim de perceber quando existe pouca energia disponível. Assim que esse nível é detetado o Opera entra num modo de baixo consumo que ajuda a prolongar um pouco mais a navegação na internet.

O Opera também permite que os utilizadores possam ver vídeos do YouTube, do Vimeo e de outras plataformas no formato picture-in-picture, isto é, numa janela flutuante. Assim pode, por exemplo, ler as notícias tecnológicas do dia enquanto vai espreitando uma apresentação em vídeo ou vai ouvindo a sua música preferida através destes serviços.

Opera Picture-in-Picture

Exemplo de visualização de um vídeo sobre uma página web.

No geral o Opera também se apresenta com um design moderno, um interface fluído e permite que o utilizador tenha em poucos cliques acesso aos seus conteúdos preferidos – por exemplo, tem um leitor RSS incorporado. Há ainda a destacar o facto de o Opera usar o motor de renderização Blink, desenvolvido como parte do projeto open source Chromium, o mesmo que dá vida ao Google Chrome.

Com a mais recente atualização o Opera mostra mais uma vez ser um browser capaz e cheio de funcionalidades, algo que não está explícito nos valores da sua utilização. Mas à medida que novas tecnologias vão sendo integradas de origem e ao encontro daquilo que os utilizadores têm procurado – VPN e adblocker -, o navegador está a dar tudo para conseguir fugir à cauda do pelotão.

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