Não é o primeiro smartphone a chegar ao mercado com um sistema de câmara fotográfica dupla, mas a intenção e a utilização dos dois sensores será distinta do que tem acontecido até aqui.

No longínquo ano de 2011 a LG fazia chegar ao mercado o LG Optimus 3D, o primeiro telemóvel inteligente a apresentar tecnologia de visualização de conteúdos a três dimensões. As duas câmaras fotográficas que trazia na parte traseira serviam justamente para criar fotografias com efeitos 3D.

Mais de quatro anos depois a LG voltou a arriscar em dois sensores fotográficos conjuntos: primeiro com o V10 e depois com o LG G5. Em ambos os casos a utilização da câmara dupla servia para criar uma maior amplitude daquilo que o smartphone consegue ‘ver’. No caso do G5 o equipamento consegue captar imagens com uma amplitude de 135 graus. Nada mau.

Mas hoje, 6 de abril, a Huawei também tem algo a dizer sobre os smartphones com dois sensores fotográficos. Na parte traseira do equipamento cada sensor tem 12 megapíxeis, mas a característica especial está na forma como funcionam.

Um deles é um sensor monocromático, querendo isto dizer que apenas consegue captar imagens a preto e branco. A compensação das cores é feita pelo outro sensor. E quando os dois trabalham em conjunto é suposto o equipamento entregar melhores resultados ao nível do contraste e também da profundidade dos elementos.

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O sensor monocromático como apenas tem de preocupar-se com a quantidade de luz que entra na objetiva, acaba por conseguir captar também mais detalhe do que o tradicional sensor red-green-blue (RGB) que tem também de tentar perceber as cores e as suas dinâmicas. A Huawei diz que o resultado prático disto é o facto de a câmara fotográfica do P9 conseguir captar 70% mais luz do que o Galaxy S7, por exemplo. E como é sabido, na fotografia a luz é o essencial para obter o melhor resultado.

Só testando o Huawei P9 é que será possível perceber até que ponto esta câmara dupla consegue estar ao nível das melhores câmaras de smartphones do mercado – como o iPhone 6s Plus, LG V10 e Samsung Galaxy S7. Mas na teoria a aposta da Huawei faz sentido.

Para aliciar ainda mais os utilizadores sobre a qualidade deste seu novo sistema a tecnológica chinesa diz que desenvolveu este atributo em parceria com a Leica e que os dois sensores fotográficos são certificados pela icónica marca alemã de fotografia. Ainda não é certo o que significa o termo “certificado”, mas as duas empresas falam também num processo de coengenharia – ou seja, mesmo não sendo lentes criadas pela Leica, a fabricante alemã ajudou a validar o seu processo de fabrico.

Por último vale ainda referir que este sistema complexo de fotografia da Huawei vem apoiado por um sistema de focagem por laser, que deverá permitir ganhar tempo na captação de imagens.

O novo topo de gama da Huawei

O P9 não se faz no entanto só da câmara fotográfica e a marca asiática colocou aquelas que são as especificações referência para um smartphone de gama alta: processador Kirin 955 de oito núcleos, 3GB de RAM, 32GB de armazenamento interno, possibilidade de extensão por cartão microSD, bateria de 3.000 mAh e entrada USB-C.

Ao nível do design e da construção há a destacar no Huawei P9 o corpo do equipamento construído em alumínio, disponibilização em várias cores incluindo dourado e rosa e um perfil muito fino, apresentando apenas 6,95 milímetros de espessura.

O Huawei P9 vai chegar a Portugal a 16 de abril e os preços recomendados são de 599 euros para o modelo de 32GB. Um outro modelo, o Huawei P9 Plus – ecrã de 5,5 polegadas, 4GB de RAM e 64GB de armazenamento – vai custar 749 euros.