Depois de muita antecipação e alguns testes em países selecionados, o jogo Pokémon Go ficou disponível. A azafama que se gerou em torno da aplicação explica-se pelo sucesso de escala global relativamente à série de desenhos animados e jogos Pokémon, mas também por esta aplicação aproximar os jogadores um pouco mais do conceito de verdadeiros treinadores de pokémons.

Isto acontece pois o jogo é de realidade aumentada. Na prática o nosso mundo real é transformado num mundo Pokémon com a ajuda do smartphone. O restaurante onde tanto gosta de ir pode ser um centro Pokémon. Aquela rua por onde nunca passa pode ter um ginásio de treinadores. Quando colocar os pés fora de casa pode apanhar um Pidgey.

As possibilidades são imensas e esse é um dos grandes objetivos do jogo: interagir com o mundo real para concretizar objetivos no mundo digital.



O lançamento do jogo está a revelar-se um sucesso tão grande quanto a desgraça que está a ser. Isto explica-se de forma simples: A Nintendo, a Niantic e a The Pokémon Company não lançaram o jogo simultaneamente em todo o mundo o que está a gerar um conjunto de problemas.

Em primeiro lugar está a questão da disponibilidade. A primeira versão do jogo pode ser descarregada nos EUA, Nova Zelândia e Austrália, não tendo sido lançado por exemplo na Europa. Como seria de prever as limitações geográficas não estão a impedir os utilizadores de jogarem Pokémon Go.



Basta pesquisar no Twitter, no Instagram ou noutra rede social para perceber que o jogo Pokémon Go anda nas mãos do mundo. Até eu já apanhei dois destes animais.

Devido a esta gestão os servidores de Pokémon Go estão a sofrer e muito, como admitiu o diretor executivo da Niantic, John Hanke, ao Business Insider. Na prática devem estar a receber mais jogadores do que aqueles para os quais foram preparados. Agora a pergunta: estavam à espera de algo diferente? Estamos na era da internet, onde há sempre um truque ou uma dica para ultrapassar as limitações que existem em alguns conteúdos. Claro que o jogo iria ser jogado em todo o mundo.

Neste caso são limitações geográficas pelo que descarregar de forma indireta o jogo não pode ser considerado uma ilegalidade. Ainda que o fosse, isso também não pararia a comunidade de experimentar este jogo.

Além dos problemas nos servidores também há relatos de problemas nos sistema de autenticação, o que não resulta numa experiência de utilização positiva. Os próprios responsáveis pelo Pokémon Go admitiram a questão.

Mais: mesmo que consiga ligar-se ao jogo e autenticar-se, isso não significa que consiga jogar. Mesmo antes da publicação deste artigo a aplicação Pokémon Go não mostrava a personagem no mapa e também não mostrava os pontos de referência. Até podia ser do facto de estarmos em Portugal e de supostamente não termos acesso ao jogo, mas nos EUA a Kotaku já se queixou de problemas semelhantes.

Depois existem várias reclamações em fóruns, sites da especialidade e redes sociais sobre como o jogo consome bastante bateria. É um jogo exigente pois além de requerer uma ligação constante à internet, também é aconselhável que o utilizador tenha o GPS ligado. Ainda que esta possa ser uma questão debatível, talvez devesse ter sido feito um melhor trabalho na otimização e eficiência da app.

 

Então eis o ponto onde estamos: há jogadores de todo o mundo que ainda não sabem quando o jogo lhes vai chegar às mãos, pois o lançamento global foi ‘congelado’ devido aos problemas; não sabem se devem contornar os bloqueios geográficos; não sabem quando os problemas de servidores e autenticação estarão totalmente resolvidos. São demasiados elementos desconhecidos para um jogo que está a ter um lançamento tão promissor.

Nas lojas de aplicações internacionais já está nos primeiros lugares das preferências dos utilizadores. As ações da Nintendo dispararam 10% graças a este sucesso de arranque atribulado.

Talvez seja isso mesmo, Pokémon Go a ser vítima do seu próprio sucesso. Mas este não pode e não deve ser apresentado como único argumento para as falhas. As empresas responsáveis precisam de falar com os jogadores e não estão a fazê-lo: talvez esta seja até a maior falha de todas.

Um jogo de insólitos

A ânsia de jogar é tanta que os jogadores estão a fazê-lo em todo o lado. Isso está a gerar uma onda de casos curiosos relativamente a Pokémon Go.

Um dos mais recentes é de um norte-americano que capturou um Pidgey enquanto a mulher esperava pela cesariana, escreve o Buzzfeed. O Gizmodo fala num jogador que encontrou um ginásio em pleno cemitério. O Polygon fez uma compilação onde é possível ver pokémons dentro de carros, na casa de banho e até num funeral.

Estes serão certamente os primeiros de muitos casos, pois quando o jogo ficar disponível globalmente então a probabilidade de mais insólitos também vai aumentar.

Queremos deixar clara uma ideia: Pokémon Go não é um jogo só com aspetos negativos. Aliás, todas as questões levantadas estão acima de tudo relacionadas com aspetos técnicos. O FUTURE BEHIND também está a testar a aplicação e falará sobre as suas qualidades e defeitos enquanto jogo na próxima semana.

Até lá, apanha os que conseguir.